Antes de entrar em detalhes sobre a linha Shiseido 2e, que tem um marketing voltado a quem tem pele sensível e/ou propensa a reações alérgicas, é importante esclarecer o que seria considerado “pele sensível”.
Não existe uma definição clara do que seria pele sensível (problema também chamado de “sensitive skin syndrome”). É que a pele sensível costuma ser auto-diagnosticada após a sensação de sintomas subjetivos. Por exemplo: a pessoa pode sentir uma sensação de ardência ao aplicar um hidratante, mas sem que isso se manifeste com sinais visíveis clássicos de irritação, como alergia de contato, fotodermatite etc. Usando as palavras mais simples possíveis, é um problema subjetivo e invisível. Pode-se sentir um desconforto ao aplicar o cosmético (pinicação, coceira, ardência…) sem que apareça qualquer sinal visível representado por “vermelhidão”, pústulas, descamação, entre outros.
‘People complaining of “sensitive skin” often used to be written off as hysterics complaining of what we would call “dermatological non-disease”,’ says Dr Nick Lowe, consultant dermatologist at the Cranley Clinic in London.
‘But now we know that people who have sensitive skin syndrome do actually release more neuro-active chemicals into the dermis [the deeper layers of the skin], and that is what triggers the burning and itching sensations when they use a product that reacts badly with their skin.’
Ilustro o assunto relatando minha história pessoal: nunca um cosmético causou alergia em mim. Mas uns 80% deles causam um desconforto (ardência) durante a aplicação. Isso não é considerado alergia. Mas incomoda, por isso julgo a minha pele como sensível. Com o tempo, depois de tanta tentativa e erro (é praticamente o único jeito de descobrir o que irrita a pele de fulano ou não) e por eliminação, consegui descobrir vários ingredientes que causam esta sensação na minha pele – e que podem não causar nada desagradável em você. São eles: ácido glicólico, benzophenone-3 em alta concentração, Aloe em alta concentração, sodium lauyryl sulfate, sodium laureth sulfate, triclosan em alta concentração (mais que 0.5%, o que felizmente é raro), bisabolol. Curiosamente, muitos desses ingredientes, como bisabolol e aloe, costumam ser usados para “acalmar” a pele! Não é sem motivo que medicina, biologia, não é considerada ciência exata… Já ingredientes potencialmente causadores de alergias, como fragrância, não costumam causar nenhum problema em mim! Usei produtos ricos em álcool, conservantes e fragrância que não causaram nenhum problema. Exemplos: Clinique Clarifying Lotion 3, Nivea Q10 Plus Anti-Wrinkle Gel-Serum… Por outro lado, já usei produtos que teoricamente seriam perfeitos para pele sensível, por não terem nenhum ingrediente conhecido como potencialmente causadore de alergia, que causaram uma ardência horrível. Exemplos: Cetaphil Loção de Limpeza, Effaclar H Hidratante Compensador Suavizante, Cerave Facial Moisturizing Lotion PM, Clinique Super Rescue Antioxidant Night Moisturizer, entre muitos outros.
O que é interessante é que nenhum hidratante – o que costuma ser o item mais “problemático” para a minha pele – de marca japonesa causou qualquer sensação de ardência até hoje (coreana já teve uma que sim, infelizmente). E olha que já usei dezenas. Desconfio o motivo: marcas ocidentais costumam focar mais em teste de contato com seus produtos. Testes de contato costumam ser úteis para verificar alergias, mas praticamente inúteis para verificar as sensações subjetivas relatadas por quem tem a dita pele sensível. Se o teste de contato para a substância X causar alguma alteração visível na pele, o médico que o realizou pode concluir que você é alérgico a substância X. Mas não pode afirmar, por exemplo, que você não sentiu ardência na área em que foi aplicada a substância Y, mesmo que nenhuma alteração visível tenha sido verificada. E o que acho que explica o fato de os hidratantes japoneses não causarem ardência em mim – pelo menos não os que testei até o momento – é outro teste que muitas empresas japonesas alegam fazer, além do clássico teste de contato: “sting test”. “Teste de ardência”, em tradução minha e não literal. O sting test foi desenvolvido pelo dermatologista que mais contribuiu para o desenvolvimento da indústria cosmética, Dr. Albert Kligman (1916-2010), um dermatologista americano, justamente para tentar avaliar a reação subjetiva de ardência causada por cosméticos.
A Dra. Zoe Draelos, outra dermatologista americana que vem contribuindo muito para o desenvolvimento da indústria cosmética, tem 10 dicas excelentes a quem tem pele sensível e/ou propensa a alergias:
1 – Escolher produtos em pó quando possível.
Produtos em pó não costumam conter água, reduzindo ou até eliminando a necessidade de conservantes que podem causar problemas.
2 – Evitar cosméticos à prova d’água.
Cosméticos que não são à prova d’água podem ser removidos com maior facilidade, evitando agressões à pele.
3 – Jogar fora cosméticos velhos.
Nem preciso comentar…
4 – Optar por delineador e rímel preto.
Alguns dermatologistas “sentem” que corantes pretos causam menos reações alérgicas do que os coloridos.
5 – Usar delineador em lápis no lugar de líquido.
Deliniadores em lápis são menos propensos a causar reações alérgicas porque costumam conter menos conservantes ou até não conter. Além disso, deliniadores líquidos podem conter látex, que sensibiliza a pele de algumas pessoas.
6 – Preferir sombras claras e de cores terrosas.
Por conterem menos pigmentos, imagina-se que sombras menos pigmentadas, menos coloridas, causam menos reações alérgicas do que sombras mais intensas.
7 – Usar protetores solares somente com “filtros físicos”.
8 – Usar produtos que não contenham mais que 10 ingredientes.
Matemática: se você usar um produto com 50 ingredientes, a probabilidade de encontrar um ou mais ingredientes é maior do que se você usar um contendo 10 ingredientes. Evidentemente, não é interessante o produto conter apenas um ingrediente e este ingrediente ser acetona, por exemplo. Mas listas de ingredientes menores tendem a ser mais interessantes a quem tem pele sensível, sim.
9 – Evitar esmaltes.
10 – Procurar por bases que sejam à base de silicones.
Quem prefere bases líquidas, as que são à base de silicones são mais indicadas do que as que são à base de óleos e ceras naturais, uma vez que silicones são ingredientes inertes; logo, tendem a causar menos reações alérgicas.
Ok., agora sim posso comentar especificamente sobre a linha 2e, da Shiseido.
A linha 2e é uma linha toda especialmente formulada para quem tem pele sensível e/ou propensa a reações alérgicas. Algumas das adaptações feitas pela linha 2e para evitar o menor risco possível de irritações e/ou reações alérgicas:
- Os produtos são feitos sob critérios mais rígidos do que a legislação exige (que já são bastante altos). Na esquerda, há petrolato que costuma ser usado pela indústria farmacêutica e cosmética; na direita, há o petrolato usado pela Shiseido, que passa por ainda mais processos de purificação:
Crédito da imagem: http://group.shiseido.com
- Os cosméticos para pele sensível, o que é o caso da linha 2e, são feitos em uma atmosfera purificada por filtros potentes, para evitar qualquer contaminação externa, criando um ambiente muito mais “puro” do que o exigido pela legislação.
Crédito da imagem: http://group.shiseido.com
- A Shiseido alega usar padrões de qualidade internacionais, como o Good Manufacturing Practices set forth e o ISO (International Organization for Standardization) não para aplicar apenas o que eles exigem: mas para aplicar padrões de qualidade superiores aos exigidos por estes padrões.
- Cada produto tem a menor quantidade de ingredientes possível. Nada daquelas listas com aproximados 30, 50, 60 ingredientes, como é comum nos cosméticos, por exemplo, da Paula Begoun.
- Tudo é livre de fragrância e corantes.
- Exceto um produto, tudo é levemente ácido, para ser neutro em relação ao pH do manto hidrolipídico da pele saudável, que também é levemente ácido (em torno de 5.5).
- Os limpadores não contém detergentes potencialmente irritantes, como sodium lauryl sulfate ou sodium laureth sulfate.
A linha é divida em três grupos:
Limpeza: xampu (resenhado por mim aqui), “sabonete líquido” para a face e corpo, demaquilante em gel e mousse de limpeza para o rosto;
Hidratação: loção, emulsão, creme, serum para banheira (um líquido que se coloca na água da banheira para ajudar a combater o ressecamento da pele), água termal em spray – comentada aqui;
Proteção: protetor solar FPS 50+ PA+++ e protetor solar FPS 45 PA+++ 100% físico.
Os preços são honestos (cada produto custa por volta de R$ 50 e suas respectivas embalagens costumam ser bem grandes) e, como de praxe em se tratando de marcas japonesas, a Shiseido vende kits com miniaturas para quem quiser testar antes, como este:
Crédito da imagem: http://2e.shiseido.co.jp
Para finalizar, saibam que a Shiseido também tem a linha 2e Baby Plus, que é voltada a bebês, lógico.
Referências e leitura recomendada:
http://95.211.45.61/images2/sensitive.skin.pdf
http://www.cosmeticsandtoiletries.com/research/biology/33605039.html?page=1
http://journal.scconline.org/pdf/cc1980/cc031n04/p00213-p00218.pdf




















