Primeiramente, lembro que, em geral, não costumo levar a sério o mercado de suplementos. E os principais motivos estão aqui. Muito marketing, muita bobagem e pouca ciência.
Mas vou comentar especificamente sobre os suplementos que prometem evitar manchas, altamente populares na Ásia – principalmente no Japão. No Japão e em outros países da Ásia, as pessoas que querem evitar manchas não costumam usar “apenas” milhares de cosméticos para clareá-las e caprichar na proteção solar (não contando apenas com o protetor, e sim com outras “armas”, como roupas).
Como já comentei em posts anteriores, hidroquinona é altamente restrita no Japão e em outros países da Ásia. Isso faz com que os asiáticos estejam sempre buscando outras possíveis alternativas ou promessas, como os suplementos.
A maioria destes suplementos contém cisteína (ou derivados dela) e diversos antioxidantes, como vitamina C e extratos de uva, oliva etc.
Alguns dos mais famosos são os da Shiseido, que vende vários suplementos, até em forma de suco, com esta proposta, e Fancl.
Um exemplo de suplemento da Fancl é o White Advance:
Crédito da imagem: http://www.fancl.com.sg/product_detail.asp?p_id=200
E exemplo de suplemento da Shiseido é o Benefique White+
Crédito da imagem: http://www.shiseido.co.jp/
Este suplemento da Shiseido, que eu saiba, não tem site oficial em inglês. Mas pesquisando com a ajuda do Google vocês encontram milhares de sites com a composição deles.
Existe alguma ciência suportando a promessa destes suplementos? Pouca, mas até que sim.
Este estudo (Biofactors. 2004;21(1-4):415-8.) analisou a ação de um suplemento com L-cisteína e vitaminas C e E em animais (porquinhos da índia, não foi um estudo invasivo ou que tenha causado algum sofrimento aos animais).
O resultado foi, bem grosso modo, que aparelhos de imagem mostraram que a luminosidade da pele dos porquinhos da índia aumentou após algumas semanas de uso do suplemento. Além disso, foi observada uma redução do conteúdo de melanina das células dos animais que “tomaram” o suplemento.
O bom é que o estudo foi feito in vitro e in vivo, foi controlado e foram usados métodos objetivos para analisar os resultados. Mas não preciso nem dizer que, embora certos animais sejam bons modelos para prever o que pode ocorrer com os seres humanos, o ideal é que também existissem estudos feitos em seres humanos, certo?! Isso é evidente, já que o produto é destinado a seres humanos. Talvez estes estudos sejam publicados no futuro. Ou talvez até as empresas tenham feito estudos e não os tenham publicados, por, repetindo o “talvez”, os resultados não serem bons.
Como já comentei, além do derivado de cisteína e vitamina C, estes suplementos têm vários outros antioxidantes. Vem crescendo as evidências de que certos antioxidantes, que podem ser obtidos por meio da alimentação, são importantes para ajudar a proteger a pele contra os raios UV, o que poderia evitar manchas:
“The photoprotective effects of antioxidants are not observed only when applied topically. Oral antioxidants have been demonstrated to offer significant photoprotection. (…)
Additionally, several open- and closed-label studies have demonstrated the effects of oral antioxidants as a monotherapy in the treatment of melasma. These include oral pycnogenol (pine tree-bark extract) and a combination therapy.
The combination therapy included procyanidin and vitamins A, C and E. In this double-blind placebo-controlled study of women with melasma, monotherapy with the oral antioxidant resulted
in improvement in MASI scores at 8 weeks when compared to placebo pill.
(…)
Research on photoprotection continues to grow, and
new technologies provide innovative ways to improve protection (…).”
1 – Existe alguma evidência científica, sim, suportando as alegações destes suplementos. Mas por enquanto são fracas e ainda não são suficientes para convencer uma pessoa cética, o que é meu caso.
2 – Considerando que todos estes ingredientes (ou ingredientes similares) são encontrados em alimentos do dia a dia, pessoalmente tenho minhas dúvidas se vale a relação custo benefício destes suplementos. Alguns exemplos:
Cisteína: alimentos ricos em proteínas (lembrem-se: é um aminoácido. Aminoácido foram proteínas), como carnes, leite e seus derivados e aveia. (1)
Procianidinas (encontradas no Shiseido Benefique White+): uva. (2)
Astaxantina (encontradas no Shiseido Benefique White+ e em suplementos da Fujifilm/Astalift): salmão, camarão e crustáceos em geral. (3)
Hidroxitirosol (encontrado no Fancl White Advance): azeite de oliva extra-virgem. (4)
Vitamina C (encontrada em ambos os suplementos citados anteriormante): até crianças sabem. Frutas cítricas são muito ricas em vitamina C. Muitas vezes costumam ter até bem mais do que o necessário. (5)
3 – Ainda assim, se alguém quiser comprar, estes suplementos alimentares podem ser encontrados na Mihoko Shop e diversas outras lojas. O citado da Fancl é bem barato, já o citado da Shiseido é extramamente caro.
P.s: embora sejam apenas suplementos alimentares, obviamente de venda livre, pessoalmente não os tomaria antes de consultar um médico e/ou nutricionista (levem toda a composição anotada).
Antes de tudo, tenho de dizer que, de um modo geral, não levo a indústria de suplementos alimentares muito a sério. E isso é devido aos seguintes fatos sobre suplementos alimentares – pelo menos nos Estados Unidos:
“The federal government does NOT approve dietary supplements before they are marketed to consumers. The Food and Drug Administration (FDA) has no authority to require that supplements be approved for safety or effectiveness prior to marketing.
Unlike drug manufacturers, who are required to include warnings related to adverse effects and contraindications, dietary supplement manufacturers are required to include few such warnings about adverse effects on product labels. Thus, the lack of a warning label on a dietary supplement does NOT mean that it is safe. (…)
“Natural” does not mean “safe.” In addition, taking combinations of some supplements or using certain products in conjunction with prescription drugs could lead to harmful and potentially life-threatening results.
Only recently has the FDA been given authority to require supplement manufacturers to report post-marketing serious adverse events. There is still no requirement that manufacturers report mild or moderate adverse events. The FDA recently estimated that the actual number of adverse events per year at over 50,000, which indicates serious underreporting of adverse events.
Once the FDA has identified a safety concern about a supplement, it has limited ability to efficiently and effectively remove a product from the market. For example, the FDA lacks mandatory recall authority. It took ten years after the FDA issued its first advisory on ephedra, a widely-used weight-loss and body-building aid, to ban this ingredient, and then only after thousands of reports of adverse events, including a number of deaths.
The fact that a dietary supplement is recommended by a healthcare practitioner does NOT necessarily mean the supplement is safe and effective. Make sure your practitioner is not just relying on the label and that he/she has a source of accurate, up-to-date information. Only someone with sufficient education in pharmacology, such as an M.D., D.O., or Pharmacist, is qualified to determine whether a supplement might adversely interact with any medications you are taking.
Do NOT rely on health food store clerks and other untrained persons to recommend dietary supplements for your condition.
In summary, reading the label on a dietary supplement will NOT tell you whether it is safe or effective or what ingredients it actually contains. (…)”
Ainda assim, eu tomo certos suplementos. Alguns porque realmente são necessários para mim, já que prático muitos esportes e não dou conta de ingeririr todas as proteínas, carboidratos etc. por meio da alimentação. Outros porque os estudos conseguiram, em parte, me convencer, como é o caso da creatina.
Suplementos de vitaminas eu não tomo porque os considero inúteis (salvo, claro, em condições especiais e quando usados sob orientação médica: gravidez, a pessoa vive na África-subsaariana etc.). Até agora não vi um único estudo decente mostrando, em geral, suplementos de vitaminas proporcionariam algum benefício a uma pessoa saudável, que se alimenta relativamente bem e não tem nenhuma necessidade especial. Suplementos de antioxidantes, então, muito menos. Praticamente não há ciência por trás deles. Esta ideia de que suplementos antioxidantes poderiam prolongar a vida não é divulgada por cientistas, e sim por profissionais formados em marketing que trabalham para a indústria. Não se sabe ao certo nem até que ponto o processo de oxidação está ligado ao envelhecimento, muito menos se suplementos antioxidantes poderiam detê-lo.
Por outro lado, estou aberto a novos estudos. E quando um estudo relativamente decente é publicado sobre algum suplemento, se for interessante para mim, eu experimento. Esse é caso dos suplementos da Shiseido que contêm glucosylceramide – uma ceramida, como o nome já indica (ceramidas são lípidio snaturalmente encontrados nas membranas das células).
O primeiro (Allergy. 2005 Nov;60(11):1454-5.) analisou os resultados da ingestão desta ceramida em pessoas com dermatite atópica (que têm sérias tendências a ter pele ressecada). Embora tenha sido testado em apenas 14 pessoas, os métodos usados foram objetivos. E o resultado foi que a ingestão do suplemento melhorou a hidratação da pele destas pessoas.
O segundo estudo (J Dermatol Sci. 2006 Nov;44(2):101-7. Epub 2006 Sep 26.) que encontrei mostrou que a ingestão desta ceramida melhorou a hidratação e barreira de proteção da pele dos ratos que a ingeriram. Clicar aqui para ler o resumo.
O terceiro (Drug Metab Pharmacokinet. 2010;25(5):456-65. Epub 2010 Sep 22.), também realizado em ratos, marcou a ceramida com radiação. Foi concluido que parte da ceramida marcada com radiação passou pelo trato intestinal dos ratos que a ingeriram e chegou à epiderme, passando, lógico, pela derme antes (epiderme é a camada mais supercial da pele). Ratos são bons modelos para prever o que acontece com os seres humanos. Se isso ocorreu com os ratos, sugere bastante que também ocorre com os seres humanos.
Já o quarto foi feito em duas partes: ratos e seres humanos. Em ratos, foi mostrado que a ingestação desta ceramida fez com que a pele deles perdessem uma quantidade significativamente menor para o ambiente, o que diminuiu a aspereza da pele deles. Assim como os outros testes, parte dos testes deste estudo foram objetivos, foram feitos com aparelhos que medem a taxa de evaporação da água para o ambiente (resumindo bastante, lógico). Quanto menos água a pele perder, melhor hidratada ela permanece. A segunda parte do estudo foi feita em seres humanos. 100 pessoas participaram do estudo. 50 tomou uma bebida sem ceramidas (placebo) e 50 tomou uma bebida com as ceramidas. O que os testes objetivos mostraram é que a quantidade de água perdida pela pele foi menor no grupo que tomou a bebida com as ceramidas. Além disso, o desconforto causado pelo ressecamento da pele também foi menor no grupo que tomou a bebida com as ceramidas (essa parte foi a única parte subjetiva).
O quinto e último (Lipids. 2011 Jun;46(6):529-35. Epub 2011 Mar 17.) publicado até o momento, pelo menos que eu tenha encontrado, foi para elucidar os mecanismos envolvidos na melhora da hidratação da pele provocada pela ingestação dos suplementos com esta ceramida específica:
1 – Foram usados, na maior parte das vezes métodos objetivos – e não subjetivos para se medir os resultados;
2 – O estudo feito em seres humanos foi randomizado, duplo-cego, placebo-controlado;
3 – 100 pessoas não é um número patético;
4 – Foram divulgados todos os detalhes das condições sob as quais os estudos foram realizados.
A parte ruim:
1 – Embora publicados em peer reviewed periódicos respeitados, três dos quatro estudos que encontrei foram patrocinados pela própria Shiseido. Dos estudos que encontrei, o único sem conflitos de interesses é segundo citado por mim.
2 – 100 participantes, ainda mais considerando que passaram por testes objetivos, não é uma quantidade ruim. Mas também está longe da ideal. Muitos medicamentos são testados no mínimo em uns 300 participantes – muitas vezes até em milhares.
Onde encontrar suplementos com a tal glucosylceramide: há Shiseido possui dezenas deles. Um deles, que pode ser comprados na Cosme-de, é o The Collagen (há em diversas apresentações: pó para misturar ao alimento que a pessoa bem entender, em comprimidos em bebidas prontas etc.) .
Algumas das aparesentações da linha The Collagen:
Crédito das imagens: Shiseido
Pessoalmente gosto de misturar o pó ao suco.
O outro é o Shiny Beauty, que além da ceramida em questão, contém co-enzima Q10 (o que muito provavelmente é inútil). Além disso, há o Q10 AA Plus Vital, que seria a “versão masculina” do Shiny Beauty. Também são vendidos na Cosme-de. Hoje eu tomo mais o The Collagen, mas já tomei o Q10 AA Plus Vital por muito tempo. Mas repito mais uma vez: tomar esta enzima muito provavelmente é estupidez na maior parte dos casos. Não era por causa da enzima Q10 que eu estava tomando, e sim por causa de outros componentes da fórmula!
Geralmente eles também contêm colágeno e ácido hialurônico.
Ingerir colágeno, já comentei aqui, possivelmente é bobagem e inútil à pele. Já quanto a ingerir ácido hialurônico, há uma chance ainda maior de que ingeri-lo seja inútil à pele. Também já comentei sobre a ingestão de ácido hialurônico.
Provavelmente muitos estão se perguntando o que acho do Innéov (L’oréal/Nestlé) e Imedeen. Achei bastante ruim a qualidade dos estudos publicados sobre eles. Esta reportagem, inclusive, procurou a opinião de especialistas sobre o Innéov. E eles criticaram bastante a baixa qualidade dos estudos por trás deste suplemento. Na União Europeia, as alegações do Innéov Dry Skin não foram recusadas pela European Food Safety Authority (EFSA), como vocês podem ler aqui.
E os sucozinhos da Beauty In? Preferiria suco Tang, pelo menos é mais barato.
Conclusão: não digo que os estudos publicados sobre a ingestão desta ceramida específica sejam tão perfeitos a ponto de realmente convencerem uma pessoa tão cética quanto eu. Ainda assim, existem estudos muito melhores sobre este suplemento da Shiseido do que existem sobre os suplementos dos outros concorrentes.
P.s:
1 – Embora sejam apenas suplementos alimentares, pessoalmente acho interessante procurar um médico ou nutricionista antes de tomá-los.
2 – Como de praxe em se tratando de comerciais japoneses, os da Shiseido The Collagen são os mais estranhos possíveis. hehehe:
Não há como fazer um blog sobre cosméticos de marcas asiáticas sem falar de ácido hialurônico. Os japoneses têm uma certa “obsessão” por ácido hialurônico. Não só usam em cremes, como também em suplementos alimentares; sendo alguns restaurantes colocam até na comida, como mostrei nest post. Mas a “obsessão” deles por ácido hialurônico vai muito além de “modismos”, a maioria dos estudos sobre ácido hialurônico que encontro são publicados por cientistas japoneses. A Kanebo, por exemplo, uma marca de cosméticos japonesa, tem vários estudos publicados sobre o ácido hialurônico até nos periódicos científicos de maior impacto na área. A Shiseido, por sua vez, foi a primeira empresa do mundo a produzir ácido hialurônico de origem não animal, na décade de 80, o que evita alergias.
Hoje em dia, ácido hialurônico (e seus derivados) estão em praticamente todos os cosméticos hidratantes e “rejuvenescedores” de grandes marcas. Não só porque esta substância realmente tem propriedades interessantes, mas também porque funciona muito bem de uma perspectiva de marketing.
E por que funciona bem do ponto de vista de marketing?
Porque médicos usam ácido hialurônico (na forma injetável) para preencher rugas e aumentar o volume dos lábios. Isso faz com que o consumidor não cético pense que ele terá o mesmo resultado usando cremes com ácido hialurônico. Mas não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ácido hialurônico, aplicado em forma de cosméticos, não penetra bem na pele, fica apenas na superfície da mesma ajudando a manter a hidratação. Já os médicos injetam “profundamente” esta substância; logo, o resultado será muito diferente.
Outra ideia errada que muitos têm sobre ácido hialurônico é que, por ter a palavra “ácido” no nome, esta substância esfoliaria/renovaria a pele. Também não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ácido hialurônico só é chamado de ácido porque em relação à água pura (pH 7) a substância tem um pH menor em solução. Mas para a pele em si, o ácido hialurônico é por volta de neutro. E mesmo que fosse ácido para a pele, não significaria, necessariamente, que ele iria esfoliar.
Mas afinal, o que é ácido hialurônico?
É um polissacarídeo (açúcar) encontrado naturalmente em muitos animais – o que inclui os seres humanos. Mais detalhadamente, é uma substância que, junto com água, forma uma espécie de gel e está presente principalmente nos olhos, pele, líquido sinovial (líquido que lubrifica as articulações do nosso corpo e de vários outros animais) e no cordão umbilical dos mamíferos – além de na crista dos galos. O ácido hialurônico é alta hidrofílico (absorve água) – o que, na prática, em se tratando de cosméticos, significa que funciona como um ótimo hidratante para a pele. Fala-se até que apenas 1g de ácido hialurônico é capaz de absorver até 6 litros de água.
A indústria cosmética usa diversos tipos de ácido hialurônico. Os mais comuns:
1 – Sodium Hyaluronate, podendo ser:
a) De “alto” peso molecular: é a forma mais comum encontrada em cosméticos. Não penetra na pele, fica na superfície ajundando a manter a hidratação. Há milhares e milhares de cremes no mercado com este tipo de ácido hialurônico.
b) De “baixo” peso molecular: parece, de acordo com um estudo, que este tipo de ácido hialurônico também teria alguma ação antioxidante.
Como saber se o sodium hyaluronate da fórmula é de alto ou médio peso molecular? Isso não vem especificado nos ingredientes. Ao ler a lista de ingredientes, vocês irão encontrar apenas “sodium hyaluronate”. O único modo de saber é se o fabricante mencionar isto na descrição do produto.
2 – Hydrolized Hyaluronic Acid: seria um ácido hialurônico de “baixíssimo” peso molecular.
Um exemplo de produto contendo Hydrolized Hyaluronic Acid é o Vichy Liftactiv Retinol HA Night (aliás, pessoalmente, adorei a fórmula do produto – e é encontrado no Brasil!).
Crédito da imagem: Vichy
Outro é toda a linha Wrinke Correxion, da Roc (que também tem retinol e, na minha opinião, é excelente):
Crédito da imagem: beautyclub.co.nz
Existe um estudo publicado por pesquisadores europeus (J Drugs Dermatol. 2011;10(9):990-1000.), que pode ser lido aqui, mostrando que todas as formas de ácido hialurônico hidratam a pele – melhorando a elasticidade da mesma – de forma superior à emulsão placebo (sem ácido hialurônico). Mas a emulsão que apresentou maior redução de linhas finas foi a com ácido hialurônico de peso molecular muito baixo.
O problema do estudo? Não foi usado na emulsão placebo glicerina ou outro ingrediente umectante. Logo, pelo estudo, conclui-se que sim, cremes com ácido hialurônico realmente hidratam melhor a pele do que cremes sem ácido hialurônico. Porém, fica-se sem saber se estes cremes com ácido hialurônico hidratam melhor do que cremes com a boa e velha glicerina. Sinceramente? Um desabafo rápido: não sei este tipo de estudo, assim “mal planejado”, é feito propositalmente ou por dificuldade de raciocínio.
3) Sodium Acetyl Hyaluronate: esse derivado de ácido hialurônico foi desenvolvido pela Shiseido. Não vou entrar em detalhes para evitar que o post fique muito “técnico”. Mas a Shiseido alega que este derivado de ácido hialurônico tem o dobro de capacidade de absorver a água do que o ácido hialurônico e que também é menos pegajoso. Como a Shiseido vende este derivado de ácido hialurônico para qualquer empresa que queira comprá-lo, algumas vezes vocês não encontrarão o Sodium Aceytl Hyaluronate apenas nos produtos da Shiseido, mas também em produtos de outras marcas. Para saber tudo o que a Shiseido alega sobee o Sodium Acetyl Hyaluronate, clicar aqui.
Alguns exemplos de produtos com este derivado de ácido hialurônico (só são são alguns exemplos mesmo, porque há centenas):
Todos os produtos da linha Bio-Performance fazem um enrome sucesso mundo afora! É muito difícil encontrar alguma opinião negativa sobre eles. E com o produto destaque não é diferente. A marca alega que ele é formulado por meio de uma nova tecnologia de emulsificação. A Shiseido até enviou dois cientistas delas ao Brasil para divulgar aos dermatologistas, durante um congresso de dermatologia que ocorreu aqui no Brasil, o que seria este novo método para fazer emulsões. Mas ainda não li praticamente nada sobre isso, talvez no futuro comentarei. Bom, um dos melhores formuladores de cosméticos que conheço, falou para mim que, por melhor que seja a tecnologia empregada, os resultados não são grandes a ponto de o consumidor notar a diferença entre uma emulsão produzida de um jeito e de outro. Será? Acredito nele, mas como disse, ainda não li nada sobre isso.
(Tanto a linha Benefiance quanto a Bio-Performance é vendida no Brasil).
Quase toda a linha da Clé de Peau (a marca mais cara da Shiseido) também usa este derivado de ácido hialurônico. Usei vários produtos da Clé de Peau e comentarei sobre eles em breve.
E como há cosméticos excelentes em TODAS as faixas de preço (em se tratando de cosmético, a realidade é esta: preço não costuma ter relação com o resultado), a Hada Labo, uma marca que faz um enorme sucesso no Japão, também oferece produtos com este derivado de ácido hialurônico. Comprei vários produtos da Hada Labo. Posts sobre eles virão, uma vez que os produtos realmente parecem excelentes! Só para ter uma ideia, a cada 4 segundos é vendido um tônico da marca no japão:
Crédito da imagem: Hada Labo/Rohto
4) Hydroxypropyltrimonium Hyaluronate
É vendido sob o nome de Hyaloveil-P por uma empresa de matérias primas japonesa. O fabricante alega que não é facilmente removido nem se exaguado. Pode ser encontrado, por exemplo, no Zirh Drenched Ultra Hydrating Moisturizer (Zirh é uma marca masculina da Procter & Gamble vendida nos Estados Unidos):
Crédito da imagem: Zirh/Procter & Gamble
Também pode ser encontrado no Hada-Labo Gokujun Hyaluronic Foaming Wash
Crédito da imagem: Hada-Labo/Rohto
5) Hyaluronic Filling Spheres: também é um produto da Basf. O que o fabricante alega é o seguinte:
Vocês não irão encontrar o nome “Filling Spheres hyaluronic” nos ingredientes, mas sim os seguintes ingredientes: Ethylhexyl Palmitate / Silica Dimethyl Silylate / Butylene Glycol / Sodium Hyaluronate. Se a composição do produto tiver todos estes ingredientes, muito possivelmente há Hyaluronic Filling Spheres nela. Um exemplo é o Murad Acne & Wrinkle Reducer, vendido na Sephora americana.
E ácido hialurônico em cápsulas, para tomar?
Não consegui encontrer qualquer evidência de que possa oferecer algum benefício à pele. Ácido hialurônico é digerido assim como qualquer outro açúcar, nem faz muito sentido pensar que sua ingestão traria algum benefício.
Se mesmo assim você quer tomar ácido hialurônico, você não precisará de suplementos. É só fazer, por exemplo, um receita típica da culinária alemã: caldo com joelho de porco. Não é glamuroso, mas sua sopa terá um monte de ácido hialurônico!
O que parece importante para manter a taxa ideal de ácido hialurônico na pele é evitar dietas com alto teor de gorduras. Este estudo (Mol Nutr Food Res. 2010 May;54 Suppl 1:S53-61.) feito pela Universide de Tóquio (Japão e sua obsessão por ácido hialurônico mais uma vez haha) mostrou que dieta rica em gordura diminuiu a quantidade ácido hialurônico na pele dos ratos que a consumiram.
Já que os cremes com ácido hialurônico apenas hidratam e não há evidências de que ingerir ácido hialurônico proporcione benefícios à pele, não há como estimular a pele a produzir ácido hialurônico?
Bom, a Dra. Leslie Baumann, dermatologista americana, recomenda suplementos alimentares de glucosamina. Ela diz que há evidência de que estes suplementos estimulam a produção de ácido hialurônico, o que poderia ser benéfico à pele. Ler aqui. Pessoalmente, porém, sou muito cético e achei as evidências fracas. Por isso não tomo.
Talvez sim. Este estudo (Skin Pharmacol Appl Skin Physiol. 2003 Mar-Apr;16(2):108-16.), financiado pela Yakult – Japão de novo – mostrou que a aplicação de Bifidobacterium (um gênero de bactéria encontrado na flora intestinal dos seres humanos) estimula a pele a produzir ácido hialurônico tanto in vitro quanto in vivo. Dois produtos com uma concentração particularmente alta de Bifidobacterium são
1) Lancôme Génifique Serum e o Estée Lauder Advanced Night Repair Serum
Crédito da imagem: Lancôme
Estée Lauder Advanced Night Repair Serum
Crédito da imagem: Estée Lauder
Estou dizendo que o estudo citado me convenceu? Não. (Até porque um único estudo realizado em ratos não consegue me convencer mesmo). Mas não deixa de ser interessante. Certos ácidos receitados por dermatologistas é que parecem ser eficientes para estimular a pele a produzir ácido hialurônico. Aliás, assistam a este vídeo da editora do excelente blog Salada Médica:
Conclusão: não há nenhuma evidência de que usar cremes com ácido hiaurônico e seus derivados possa fazer maravilhas pela pele. O que se sabe é que funciona como um excelente hidratante.
Suplementos de colágeno, geralmente na forma de pó, são uma “febre” em países como o Japão, Coreia do Sul, Hong Kong e muitos outros. Lá, é possível encontrar não só colágeno puro, mas também em praticamente tudo o que se come e bebe no dia a dia. Como vocês podem ver clicando aqui, em Cingapura, por exemplo, até Nescafé – sim, Nescafé - contém colágeno.
No Japão, este mercado é tão desenvolvido, que há até restaurantes que adicionam colágeno e ácido hialurônico (aliás, vou escrever sobre ácido hialurônico em breve – é impossível escrever um blog sobre curiosidades da Ásia sem comentar sobre ácido hialurônico) aos pratos e bebidas. Um dos mais famosos é o Collagen Shabu-Shabu, que fica em Tóquio. Assistam para “conhecer” um restaurantes destes (aquele gel que a moça colocou no copo é de colágeno e ácido hialurônico):
A moda também está ganhando o ocidente. Este empresário inglês, por exemplo, após ter visitado o Japão, teve a ideia de abrir um restaurante similar em Londres:
Até aqui no Brasil, a empresária Cristina Arcangeli também decidiu vender alimentos com colágeno após ter visitado o Japão. Disse ela ao caderno de economia e negócios do Estadão:
Ok., que suplementos com colágeno têm forte importância econômica, está claro. Mas e para a pele? Infelizmente, a resposta é diferente.
Primeiro, vamos rever o que aprendemos nas aulas de biologia do Ensino Médio: o colágeno é uma proteína. E proteínas são formadas por aminoácidos. Fazendo uma comparação bem tosca, se um muro fosse uma proteína, seus tijolos seriam aminoácidos. Quando a gente ingere uma proteína, o organismo “desmonta” esta proteína em aminoácidos. Estes aminoácidos, posteriormente, serão usados para construir novas proteínas, de acordo com a necessidade do organismo. (Alerta: se consumidos em excesso, podem até fazer a pessoa ganhar peso). Logo, se toda a proteína que a gente ingere é digerida e quebrada em aminoácidos, não é lógico pensar que ingerir especificamente colágeno irá repor o colágeno perdido pela pela. Pela lógica, qualquer proteína contida nos alimentos faria praticamente o mesmo efeito que o colágeno; isto é, seria quebrada em aminoácidos e estes aminoácidos posteriormente seriam usados de acordo com a necessidade de cada organismo.
Mas como uma falácia de pensamento é achar que tudo o que tem lógica, necessariamente, está correto, fui procurar o que existe de estudo sobre o assunto para ver se os estudos vão a favor ou contra a lógica.
O primeiro estudo que encontrei foi este, realizado por pesquisadores da Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tóquio. O estudo foi feito em ratos. Resumindo, os ratos do grupo que “tomaram” um tipo específico de colágeno tiveram um aumento de 17% do conteúdo de colágeno na pele comparado com os ratos do grupo controle; isto é, que não “tomaram” colágeno.
Algo importante a destacar é que, em parte, o estudo foi feito por pesquisadores de uma empresa que vende colágeno. Hum… Alguém acha mesmo que o resultado seria diferente?
O outro, este aqui, realizado por pesquisadores de uma universidade chinesa, também mostrou benefícios na pele dos ratos que foram “suplementados com colágeno. Aparentemente, foi sem conflitos de interesses, o que é bom.
Por fim, encontrei este realizado por pesquisadores do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento da USP. Assim como os dois estudos anteriores, o estudo da USP também foi feito em ratos e também mostrou diferenças positivas na pele dos ratos que “tomaram” colágeno. O que achei interessante neste estudo é que os ratos do grupo controle (que não tomaram colágeno) também receberam uma dieta com uma quantidade relativamente alta de proteínas. Portanto, tentou-se eliminar a chance de que os resultados positivos do grupo que “tomou” colágeno seria apenas por estarem consumindo uma maior quantidade de proteínas de uma forma geral – e não por estarem consumindo especificamente colágeno.
Conclusão: fiquei surpreso porque pensei que não encontraria NENHUM estudo sobre o assunto. Por outro lado, os estudos que encontrei foram feitos apenas em animais. Logo, só por estes escassos estudos não se pode concluir que suplemento de colágeno proporciona algum benefício à pele humana. Uma ideia mais sensata do que tomar suplemento de colágeno, é ter uma boa alimentação e evitar danificar o colágeno da pele (procurando, por exemplo, não se expor exageradamente ao sol). Até que surjam estudos melhores (se alguém conhece, favor colocar nos comentários), na minha opinião, suplementos de colágeno parecem ser mais “perfumaria”.
P.s:
1 – E colágeno em cremes? Por não ter a capacidade de penetrar na pele, no máximo ajuda a manter a hidratação da mesma, já que age na superfície como um umectante, assim como quaisquer outras proteínas.
2 – Eu tomo um suplemento alimentar da Shiseido chamando The Collagen – mas não é por causa do colágeno. Comentarei sobre o produto no futuro.
3 – Imagino que uma forma melhor de gastar dinheiro do que comprar suplemento alimentar de colágeno, é procurar um dermatologista para fazer tratamentos que estimulem a pele a produzir colágeno.