ATENÇÃO: este post é continuação deste.
Como fragrância foi vista por muito tempo no Japão como algo que supostamente teria propriedades medicinais, a Kanebo pesquisou se alguns componentes realmente poderiam ter um efeito funcional. E, de acordo com a marca, descobriu que sim, que alguns componentes aromáticos quando aplicados na pele poderiam estimular a mesma a produzir ácido hialurônico, diminuir a síntese de melanina, entre outros benefícios.
Estimular a produção de ácido hialurônico
Já expliquei: ácido hialurônico é uma molécula muito, mas muito grande mesmo (centenas e centenas de vezes), para penetrar nas camadas mais profundas da pele. Logo, em cosméticos funciona como um mero hidratante. Uma estretégia mais interessante é procurar por substâncias que possam estimular a pele a produzir ácido hialurônico.
Pesquisadores da marca descobriram que componentes aromáticos encontrados no saffron podem estimular células da pele a produzirem ácido hialurônico.

Mais precisamente, o componente chamado muscone seria um dos responsáveis por tal efeito. (1), (2). São estudos feitos in vitro, portanto devem ser vistos com muitas reservas. Ainda assim, considerando que o muscune é uma molécula pequena, não acho impossível que também exerça algum efeito in vivo. Além disso, não está se propondo que se use fragrância como principal ingrediente para melhorar o aspecto da pele. Mas se de qualquer modo uma fragrância vai ser usada para tornar agradável o uso do produto, por que não selecionar uma que – talvez – exerça benefícios que vão além de sensação agradável?
Muscone é usado na fragrância do Sensai Premier The Eye Cream – vendido, por exemplo, nos Estados Unidos:

Crédito da imagem: http://www.allure.com
Efeito clareador
Muita gente sabe que vários componentes aromáticos podem causar reações fototóxicas e manchas bastante sérias caso sejam aplicados na pele e a pessoa entre em contato com os raios solares. Por outro lado, parece que, de acordo com estudos publicados pela Kanebo, alguns podem auxiliar no clareamento da pele.
Componentes aromáticos de nomes complicados e encontrados em diversas flores, como o 5-methyl-2(3H)-furanone, 5-propyl-2(3H)-furanone e 5-decyl-2(3H)-furanone, podem ajudar a inibir a síntese de melanina, sugerindo que poderiam ter um efeito clareador. (3).
Portanto, a Kanebo desenvolveu ma fragrância chamada White White Aroma Compound, uma mistura de componentes aromáticos oriundos de óleos como o de gerânio, e que supostamente teria efeitos clareadores.
De acordo com a marca, fragrância com suposto efeito clareador é usada na linha Impress IC White.

Imagem retirada do site http://www.luxury-insider.com/
Mais uma vez, o mesmo raciocínio que usei no comentário anterior aplicar-se aqui e para o restante do artigo: estudos in vitro devem ser visto com extrema parcimônia e a ideia não é usar exclusivamente certas fragrâncias visando um efeito clareador. Tanto é que os cosméticos da marca contêm diversas outras substâncias clareadoras mais conhecidas e bem estabecidas. Mas se vai ter de ser usada uma fragrância para tornar o produto mais agradável, por que não selecionar uma que – talvez – ofereça outros benefícios?
Estimular o crescimento dos cabelos
Estudo publicado pela marca sugere que uma substância encontrada no óleo essencial de hibiscus, (E, E)-3, 7, 11-trimethyl-2, 6, 10-dodecatrien-1-ol acetate, talvez estimule o crescimentos dos fios de cabelo. (5)

Crédito da imagem: http://www.pictureworldbd.com/
Mais pesquisas originais: um dos principais pesquisadores da Kanebo na área de perfumes é o Dr. Ryoichi Komaki, que tem diversos estudos publicados sobre o assunto.
Este, por exemplo (Chem Senses. 2012 May;37(4):347-56. Epub 2011 Dec 13.), demonstrou um efeito interessante do óleo essencial de rosas: após a inalação de odor de rosas pelos seres humanos voluntários, a taxa de perda de água pela pele diminuiu, assim como a taxa de cortisol na saliva. Cortisol é um hormônio associado ao estresse. Em situações de estresse há uma grande liberação de cortisol…
Não interpreto o estudo como um efeito específico do óleo essencial de rosas, mas como muito possivelmente um possível efeito de qualquer coisa agradável, que possa causar relaxamento. Ainda assim, o estudo não deixa de mostrar que um produto agradavelmente perfumado pode gerar efeitos interessantes, que vão além de simplesmente agradar ou não.
A paixão dele por fragrância é tão grande que, em entrevista, o Dr. Komaki relatou já ter ficado 24h ao lado de uma planta para poder identificar seus componentes aromáticos.
Além disso, ele cita outras diferenças entre Europa e Japão em se tratando de fragrância: na Europa, ainda de acordo com ele, são necessários dez anos para dominar as habilidades necessárias para analisar fragrâncias. No Japão, apenas dois ou três anos. Por quê? Porque enquanto a Europa mistura fragrâncias para criar composições aromáticas de uma forma mais artesanal, o Japão faz isso de uma forma mais científica.
Como já mostrei na segunda parte do artigo, a Kanebo, por exemplo, analisa em termos numéricos o quanto uma fragrância está agradando ou não (grosso modo). Usando para isso instrumentos para medir a atividade cerebral dos voluntários que inalam as fragrâncias testadas. Não é simplesmente perguntado aos voluntários se eles gostaram da fragrância X ou não.
Para ler uma entrevista com ele, clicar aqui (no final do artigo).
Créditos das informações: Kanebo.
Twitter do blog: @easttowestsc