Arquivos da Categoria: Extratos fermentados

Popular na Coreia do Sul: Ampolas para a Pele

Um item de “skincare” bastante popular na Coreia do Sul é a ampola. Ampolas – supostamente – são produtos concentrados e “intensivos” para cuidar da pele durante um período curto de tempo. Algumas prometem hidratar, outras efeito anti-rugas, clareador…

Há dezenas e mais dezenas na Coreia do Sul. Selecionei algumas das que considero interessante:

Herblinic Restorative Ampoules

Imagem6

Crédito da imagem: http://www.sulwhasoo.com/

Estas ampolas prometem “restaurar” a pele e “fortificá-la” contra as agressões externas.

O produto contém extrato de ginseng. Além de extrato de chá verde e diversas outras plantas com forte potencial antioxidante.

É evidente que este tipo de observação não tem nenhuma relevância científica; ainda assim, fiquei impressionado ao ver como a pele da moça melhorou após alguns dias de uso destas ampolas. Cliquem aqui para ver também (desçam até a última foto).

É vendido nos Estados Unidos. Cada caixa vem com cinco ampolas. E cada ampola contém 7ml.

Detalhes aqui. Lembrando que escrevi artigo sobre a Sulwhasoo aqui.

Amore Pacific TIME RESPONSE Intensive Skin Renewal Ampoule

Imagem7Crédito da imagem: http://us.amorepacific.com/

Não é porque é cara. Há muitos produtos caros que não prestam. Mas estas ampolas são ricas em ingredientes interessantes. Como extratos de chá verde, licorice e ginseng, derivado de ácido hialurônico, papaína (pode ajudar a esfoliar a pele) e muitos outros. Prometem melhorar a textura da pele de um modo geral.

Nos Estados Unidos custam US$550. Caca caixa vem com 4 ampolas. Cada ampola contém 7ml. Detalhes aqui.

Su:m37 Waterfull Triple Story Ampoule

url

Crédito da imagem: LG/Sum:37

O fato de estas ampolas hidratantes serem trifásicas é ótimo, pois significa que quese não foram – ou não foram – usados surfactantes na fórmula. (Surfactantes são usados para misturar as fases e criar uma emulsão, mas podem irritar a pele).

Já escrevi um pouco sobre Sum:37, marca da LG que usa extratos fermentados, aqui.

Vi para vender no Ebay por aproximadamente US$140.00. Os vendedores sul-coreanos costumam ser confiáveis. Outra opção é comprar nas lojas oficiais. Saiba como aqui. Geralmente a caixa vem com 3 ampolas. Cada uma com 15ml.

O HUI White Extreme Cell Shine Magic Ampoule

urlCrédito da imagem: O HUI/LG.

Ampolas concentradas em ingredientes clareadores, para quem lutra contra hiperpigmentações…

Na Korea Depart está por US$98.00. 30ml.

Innisfree The Minimum Ampoule Essence For Sensitive Skin

7166_l

Crédito da imagem: http://www.innisfree.co.kr/

O conceito suportando esta ampola me agrada muito: quantidade extremamente baixa de ingredientes, para evitar riscos de irritações. Muitos dos poucos ingredientes que o produto contém são bem “suavizantes”, como a glicerina. Além disso, conta com madecassoside. Usaria princiapalmente após um peeling, por exemplo. Certamente comprarei.

Cada ampola tem 30ml de conteúdo e custa aproximadamente US$12.00 (na Coreia do Sul). Pode ser comprada, por exemplo, na Cosmetic Love.

Twitter do blog: @easttowestsc

 

 

Muitos Lançamentos da Amore Pacific

Todas as marcas a seguir são da sul-coreana Amore Pacific.

A Innisfree lançou o White C Pore Double Serum, um serum com alta concentração do derivado de vitamina C ascorbyl glucoside, arbutin e extrato de menta que promete clarear e melhorar a aparência dos poros dilatados.

Imagem14

Crédito da imagem: http://www.innisfree.co.kr

A fórmula me pareceu bem leve e excelente para quem vive em clima quente e úmido. Na Coreia do Sul custa aproximadamente 35 dólares americanos, sendo que Innisfree é uma marca fácil de ser comprada pela Internet. A embalagem é bilíngue (coreano e inglês).

Já a Sulwhasoo lançou a Innerise Complete Mask, máscara que promete melhorar a textura da pele e conta com um extrato fermentado.ufo_f_213051002_500Crédito da imagem: http://www.sulwhasoo.com

Imagino que possa ser vendida em breve nos Estados Unidos.

Comercial:

Detalhes (em inglês) sobre a mesma podem ser lidos aqui.

Mais máscara: a Amore Pacific lançou nos Estados Unidos (por US$120.00) a Luminous Effect Brightening Masque, máscara que promete deixar a pele mais luminosa e combater manchas.

Imagem15Crédito da imagem: http://us.amorepacific.com/

Detalhes (em inglês) aqui.

Mamonde lançou o Total Solution Cream Pomegranate Flower:

mamonde3

Crédito da imagem: http://www.amorepacific.com

Nossa, será que é ainda melhor do que o Total Solution Moisture Cream, resenhado por mim aqui? Proposta e preço são similares…

Por fim, não é lançamento de produto, mas a Amore Pacific lançou um novo comercial para o The First Fragrance, da Lolita Lempicka (sim, também é marca da Amore Pacific). Não é uma notícia muita nova, mas como não vi ser mostrada em outros blogs brasileiros…

Twitter do blog: @easttowestsc

Indústria Cosmética Japonesa Entra em Uma Nova Era: Biossurfactantes

“Surfactante” é uma palavra que vem da expressão “surface active agent”, significando “agente de atividade superficial”. Também pode ser chamado de tensoativo. Bem grosso modo, também poderiam ser chamados de detergentes. Não vou comentar aqui sobre como atuam os surfactantes porque já inúmeras fontes sobre isto, quem quiser aprender, basta pesquisar.

Mas resumindo apenas o que interessa e traduzindo em termos práticos, na indústria cosmética os surfactantes são usados principalmente para misturar substâncias que não se misturam naturalmente: como água e óleo.

A maioria dos produtos que usamos, mesmo muitos dos chamados “oil free”,  são uma emulsão composta por água e óleo e/ou substâncias de caráter oleoso.

Vejamos um exemplo: Vichy Normaderm Anti-Aging.

Clicar aqui para ler os ingredientes.

Óleo, propriamente dito, não tem mesmo. Mas tem parafina, que é um ingrediente de caráter oleoso e não se mistura naturalmente com água. Para misturar ambos os ingredientes, foi um usado um surfactante:  PEG-20 Stearate.

O problema com os surfactantes comumente usados é que eles podem irritar a pele (na verdade, tudo pode) e causar danos relativamente expressivos ao meio ambiente. Os PEGs, por exemplo, são derivados do petróleo. Todos sabem que a extração do petróleo não é “amiga” do meio ambiente. Além disso, os fabricantes dos PEGs devem retirar as impurezas e subprodutos da produção dos mesmos, como a 1,4-dioxina. Embora sejam considerados seguros (Toxicology. 2005 Oct 15;214(1-2):1-38.), já deve ter dado para perceber que  não são perfeitos.

Uma nova alternativa: biossurfactantes

Biossurfactantes são surfactantes produzidos por microorganismos, como bactérias ou fungos. Ao contrário dos surfactantes sintéticos, os biossurfactantes são rapidamente biodegradados (MMG 445 Basic Biotechnology (2009) 5:78-), sendo mais “compatíveis” com o meio ambiente, por assim dizer.

Não para por aí: os biossurfactantes também parecem ser mais seguros e menos irritantes para a pele do que os surfactantes sintéticos.

Mais: especula-se que resíduos de certos surfactantes podem envelhecer a pele, entre outros problemas. Com os biossurfactantes, a história é diferente: há até estudos mostrando que  certos biossurfacntes podem ter propriedades “anti-idade”, hidratantes e de melhorar a função de barreira da pele (mostro estes estudos mais para o final do post). Isso é excelente, porque, em alguns casos, surfactantes podem ressecar e danificar a função de barreira da pele.

Para quem quiser ler sobre mais vantagens dos biossurfacntes, ler esta revisão feita por pesquisadores da UNICAMP.

Mais uma vez, a indústria cosmética japonesa sai na frente

Biossurfacntes vêm sendo pesquisados há décadas. Mas só agora a indústria cosmética passou a usá-los. Na verdade, a “indústria cosmética” seria muito abrangente. Melhor seria dizer a Kanebo/Kao.

Por que “só agora”? Vários motivos. Um deles é que a produção destes biossurfactantes era cara. Mas graças a uma técnica empregada pela japonesa Kanebo, finalmente foram colocados no mercado alguns cosméticos emulsionados com biossurfactantes. Mais especificamente, o nome do biossurfactante que a Kanebo está usando é mannosylerythritol lipid B (MEL-B).

Como é produzido

Evidentemente, não vem ao caso mostrar os processos aqui. Mas é por meio de biotecnologia, por um processo de  fermentação onde certos fungos estão envolvidos.

Crédito da imagem: Current Opinion in Colloid & Interface Science. Volume 14, Issue 5, October 2009, Pages 315–328

Mais vantagens

Como comentei, há estudos mostrando que estes surfactantes podem até ter propriedades “anti-idade” e melhorar a textura da pele (J Oleo Sci. 2012;61(7):407-12.).

Uma observação interessante é que o MEL-B e as ceramidas, lipídios que ajudam a impedir o ressecamento, encontradas na pele são similares. (Biosci Biotechnol Biochem. 2011;75(7):1371-6. Epub 2011 Jul 7.). O processo de obtenção de ceramidas é bastante caro; logo, os biossurfactantes podem oferecer mais uma vantagem, já que eles podem sair mais em conta do que as ceramidas.

O que os pesquisadores estão dizendo…

“Right now, it is difficult to make products solely from natural materials, but the industry can change. These biosurfactants are a combination of fermentation and other technologies that make use of natural materials and I believe that in the future we will be able to make more products in this way.”

Motoi Hayase, pesquisador da Kanebo.

“The advantage of present biosurfactants, such as MEL, is that they not only have high surface activity, but also elevated moisturising activity.

Natural ceramides from plants are widely used as an effective moisturising ingredient in skin care cosmetics but these are very expensive and difficult to handle due to low water solubility

In contrast, MEL can be efficiently produced by a microbial process and shows higher hydrophilicity compared to natural ceramides. In addition, MEL has excellent properties for forming liquid crystals, such as lamellar, which function as a ‘reservoir’ for water and other important cosmetic ingredients.”

Dai Kitamoto, pesquisador da japonesa AIST.

Fonte das citacoes: Cosmetics Business.

Presente

A Kanebo acaba de lançar um hidratante em que foi usado o MEL-B para emulsificar a fórmula. Chama-se Doltier Turning Point Cool Gel.

Crédito da imagem: http://www.kanebo-cosmetics.co.jp/

Custa 6300 Ienes (algo em torno de R$ 160) e acho que pode ser encomendado na Ichibankao.

O que achei legal é que, apesar de ter um marketing voltado a quem tem mais de 40 anos, é em gel. Não sei por que a nossa indústria parece achar que só pessoas jovens gostam de textura em gel, que pessoas a partir dos 40 só querem usar texturas em creme…

Futuro

Acredita-se que estes biossurfactantes ficarão cada vez mais comuns e muitos surfactantes usados hoje serão, então, considerados obsoletos. Vale lembrar que quando a Shiseido produziu ácido hialurônico de origem não animal (foi a primeira marca de cosméticos a fazer isto), ácido hialurônico era raramente encontrado em cosméticos. Hoje é banal.

Excelente para o Brasil

Já que o Brasil vem demonstrando que não esta disposto a realmente investir em ciência e tecnologia, pelo menos vamos produzir matérias primas para quem está, certo?!

Cana de Açúcar pode ser usado para a producao do surfactante MEL-B. (Biosci Biotechnol Biochem. 2011;75(7):1371-6. Epub 2011 Jul 7.).

Considerando que o Brasil é um grande produtor de cana, talvez exportaremos mais ainda. A não ser que os chineses também resolvam plantar cana, como fizeram com o feijão tipicamente consumido no Brasil.

P.s: este post poderia fazer parte do post que fiz sobre “cosméticos fermentados“.

Mais referências e leitura recomendada:

1 – New versatile compounding technique using biosurfactant enables continuing development of earth- and skin-friendly cosmetics”;

2 – Biourfactants for cosmetic application: overcoming production challenges”.

Very Asia: Cosméticos com Extratos Vegetais Fermentados

Quem nunca tomou e/ou comeu vinho, Yakult, molho shoyu, vinagre, pão, iogurtes e tantos outros alimentos? Como todo mundo provavelmente sabe, o que há em comum entre eles é que são alimentos produzidos por meio do processo de fermentação. No processo de fermentação, microorganismos “amigos” (podem ser fungos ou bactérias, depende do que se deseja e do tipo de alimento a ser fermentado) modificam o sabor dos alimentos. Além disso, o processo de fermentação aumenta o prazo de validade dos alimentos fermentados (Microbiology of Fermented Foods).

O que pouca gente sabe é que, na Ásia, o processo de fermentação também é usado para produzir não só alimentos e bebidas, mas cosméticos.

Uma das principais marcas de cosméticos com extratos fermentados, a SUM:37, da LG, alega que o processo de fermentação  proporcionaria as seguintes vantagens em relação aos extratos vegetais não fermentados: aumentaria quantidade de “substâncias ativas” e “quebraria” determinas moléculas a um tamanho que elas poderiam penetrar na pele de forma mais profunda e rápida.

Sum:37: embalagens lindas e geniais, como de praxe em marcas sul-coreanas. Crédito da imagem: LG.

Não estou certo, mas os estudos que encontrei sugerem que fermentar certos vegetais pode ser interessante para a pele, sim.

De modo geral, este estudo (Nat Prod Commun. 2010 Aug;5(8):1277-82.) mostra que extratos vegetais fermentados podem ser menos citotóxicos do que os não fermentados, sugerindo que, talvez, sejam mais seguros para a pele.

Cada extrato vegetal fermentado pode ter um efeito. Não tenho como entrar em detalhes sobre cada um deles porque só a LG usa por volta de quarenta. Este post será apenas sobre dois: o que acho mais interessante, o de soja, e o mais famoso: o de sake, que é uma espécie de cachaça japonesa oriunda da fermentação do arroz.

Soja

Este estudo publicado pela japonesa Yakult mostrou que leite de soja fermentado por Bifidobacterium, rico em duas isoflavonas (genisteína e daídezina), provocou mudanças reológicas e fisiológicas tanto na pele de ratos quanto na de humanos.

Na pele dos ratos, a aplicação durante seis semanas de leite de soja fermentado aumentou a elasticidade da mesma, hidratou, aumentou a espessura e ainda o conteúdo de ácido hialurônico. Ratos são considerados modelos relativamente bons para prever o que ocorreria nos seres humanos…

Já na pele humana, o estudo mostrou que a aplicação durante três meses de um gel contendo 10% de leite fermentado de soja significativamente diminuiu a perda de elasticidade da pele.

Vale destacar que alguns estudos vêm mostrando que a aplicação tópica da isoflavona genisteína, seja extraída de extratos fermentados ou não, podem ter algum efeito “rejuvenescedor” e até ajudar a proteger a pele dos raios UV. Mais detalhes e referências aqui. Isso aumenta as evidências sugerindo que cosméticos com extratos fermentados de soja realmente podem ter propriedades interessantes.

Este (J Appl Microbiol. 2009 Feb;106(2):459-66.), publicado por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, mostrou que extrato de soja fermentado por fungos adquire uma ação antioxidante melhorada, o que pode ser útil para ajudar a prevenir a pele contra os efeitos negativos do sol.

A sul coreana Amore Pacific também estuda os efeitos que extratos fermentados de soja podem proporcionar à pele. Este estudo (Bioorg Med Chem Lett. 2010 Feb 1;20(3):1162-4. Epub 2009 Dec 6.), patrocinado pela empresa, concluiu que certas isoflavonas encontradas em pasta fermentada de soja podem ser importantes inibidores da produção de melanina, significando que cosméticos com soja fermentada podem ajudar a clarear manchas, a uniformizar o tom da pele.

este (Phytother Res. 2011 Dec 9. doi: 10.1002/ptr.3682.), sugeriu que extrato fermentado de soja pode ser tão efetivo quanto o ácido kójico (talvez sem as desvantagens do mesmo: causar dermatite de contato em um número considerável de pessoas, baixa estabilidade, entre outros problemas). Há mais estudos publicados pela empresa sobre extratos fermentados de soja, estou citando apenas alguns exemplos.

A marca da Amore Pacific que conta com extrato fermentado de soja é a Hyosiah.

Crédito da imagem: http://en.amorepacific.com/

Infelizmente a Hyosiah, também chamada de Hyosia, não tem site em inglês. Mas estou muito interessado na emulsão hidratante da linha, no creme para a área dos olhos e um serum que, além do extrato fermentado de soja, conta com niacinamida.

Sake

Um dos produtos do processo de fermentar arroz para produzir sake é o ácido kójico. Há evidências convincentes de que ácido kójico pode ajudar a clarear manchas da pele. Aqui vocês podem ler um pouco sobre esta substância. Mas a história não para por aí…

A anedota por trás do extrato de sake (estas anedotas são super importantes para efeitos de marketing rs) conta que cientistas japoneses perceberam que as mulheres que trabalhavam com as mãos na produção de sake apresentavam rosto com rugas, mas mãos macias e joviais. Então o extrato responsável por este feito teria sido descoberto e isolado, ganhando o nome de Pitera – e sendo usado na SK-II, uma marca da Procter & Gamble.

Crédito da imagem: http://www.sk-ii.com.au

De acordo com a Procter & Gamble, Pitera seria rica em aminoácidos, vitaminas etc., o que proporcionaria efeitos muito desejados na pele.

Pode ser. Mas não encontrei estudos convincentes sobre o extrato de Pitera. De qualquer modo, Pitera é apenas um dos ingredientes usados nos cosméticos da excelente SK-II. A marca tem produtos contendo niacinamida, ácido salicílico, retinóides etc. Acho fantástica. Pena que é muito cara, mas mesmo assim quero experimentar agumas coisas da SK-II, que também é vendida em vários países do ocidente, como Estados Unidos.

Apesar de a SK-II ser da americana Procter & Gamble, na prática é uma marca japonesa. Entro em mais detalhes sobre isso no futuro, quando for resenhar alguma coisa deles.