O uso desta planta e seus componentes (asiaticoside, madecassoside etc.) em cosméticos é bastante interessante. Pelos seguintes motivos:
Alguns estudos – na sua maioria in vitro - mostram que a aplicação tópica do extrato desta planta pode estimular a produção de colágeno. (1), (2), (3), (4), (5), (6)
Um pequeno estudo clínico mostrou que pode ser capaz de atenuar rugas em torno dos olhos. (7)
Dois estudos in vitro sugerem que o extrato de Centella asiatica talvez ajude a proteger a pele contra os raios UV-B. (8), (9)
Estudos feitos in vitro e in vivo sugerem e mostraram que é capaz de favorecer a cicatrização da pele. (10), (11), (12), (13), (14), (15), (16), (17)
Um estudo mostrou que a associção de madecassoside e vitamina C pode significativamente atenuar sinais de fotoenvelhecimento na pele de seres huma nos. (18)
Obviamente, mais estudos são necessários. Ainda assim, o que se tem até o momento parece promissor.
A ironia é que a marca que conheço que mais utiliza o extrato desta planta não é asiática, e sim francesa: a L’oréal. Portanto, todos os exemplos de produtos contendo extrato de Centella asiatica ou madecassoside são desta empresa. (E todos são vendidos no Brasil!).
Há em duas opções: uma em que vem um serum na embalagem convencional e mais um refil, ambos contendo 35 ml (logo, 70 ml no total). E outra que é composta por um serum em embalagem convencional de 65 ml e mais outro refil de 65 ml, totalizando 130 ml.
A embalagem é “airless”, protegendo produto da luz. Dependendo da fórmula, isso pode ser importante para evitar a degradação de algum ingrediente e diminuir a necessidade de preservativos.
Mas o que ganhei foi uma amostra em bisnaga de 4 ml, que deu para usar por bastante tempo.
Na minha opinião, embalagens sul-coreanas costumam ser superiores a outras (inclusive japonesas) em relação a inovação, funcionalidade, design etc. Neste caso, não parece ser diferente. Não é sempre que vemos serum com refil.
Textura/aparência: serum, estranhamente, com textura de serum! Serum, em português, significa soro. Seria lógico, portanto, que um serum deveria ter uma aparência de soro. Mas a indústria cosmética não é lá muito lógica e vem chamando, indevidamente, o que bem entende de serum – até loções cremosas.
Espalha bem e deixa a pele moderadamente pegajosa nos primeiros aproximados três minutos. Após uns três minutos, a pegajosida some e o que fica é uma sensação de gel “tensor” e aparência de “filme plástico” (mas nada que chegue a incomodar).
Perfume: sem perfume e sem cheiro ruim. Quem tiver um olfato extremamente apurado pode sentir um cheiro muito discreto de casca de laranja.
Ingredientes:
Crédito da imagem: http://dailymed.nlm.nih.gov/dailymed/about.cfm
O produto é um cosmético típico; isto é, uma mistura de ingredientes de eficácia bem estabelecida com ingredientes de utilidade duvidosa, possivelmente usados mais para efeito de marketing.
Vamos começar destacando os ingredients que tendem a ser eficazes…
Niacinamida (uma vitamina do complexo B): há estudos mostrando que niacinamida pode reforçar a função de barreira da pele, hidratar, clarear, diminuir linhas finas e até combater acne.
Biosaccharide gum-1: é um ingrediente composto por fucose, um carboidrato naturalmente encontrado nas células dos mamíferos, insetos e plantas. Estudos, como este (Biomed Pharmacother. 2004 Mar;58(2):123-8.), vêm mostrando que o uso tópico de fucose pode melhorar a elasticidade da pele, que diminui com o envelhecimento.
Algo interessante é que a maioria dos estudos que encontrei sobre os efeitos da fucose na pele foram publicados pelo Dr. Ladislas Robert (Universidade Paris VI) que, em parceria com a Natura, desenvolveu o Elastinol (posteriormente chamado de Elastinol+ e Elastinol+R). Elastinol, um ingrediente usado na linha Chronos, é rico em fucose.
Colesterol: como mostrei aqui, pode ajudar a diminuir os danos da pele causados pela exposição aos raios UV. Além disso, proporciona um efeito emoliente, por ser “oleoso”.
Há outros, mas preferi destas só alguns.
Ingredientes com eficácia duvidosa…
O produto contém peptídeos recombinantes humanos, como o Rh- Polypeptide-1, que são obtidos por meio de engenharia genética. Obter-se estes ingredientes é bem divertido e aqui está o processo resumido para quem tem interesse em saber.
O que os fabricantes alegam sobre estes ingredientes:
“(…)
In January, LG rolled out new anti-aging skin care products, co-developed by CHA Bio & Diostech, a research affiliate of the CHA Medical Group. The new products include O Hui The First series, which contain a recombinant human stem cell protein (rHSCP), and Isa Knox Te’rvina, which contains the recombinant human placenta protein (rHPP-8TM). LG is the first Korean company to have access to CHA Bio & Diostech’s proprietary skin rejuvenation technologies for developing skin care products.
“Conventional stem cell cosmetics merely activate skin cells while O Hui The First is a revolutionary product made by reorganizing the key elements of embryonic stem-cell culture fluid which Cha Stem Cell Institute (CSCI) found to have extraordinary skin revitalizing effects,” said Chung, Hyung Min, PhD, researcher of CSCI.
Meanwhile the Cha Placenta Institute analyzed key functions and viable ingredients of the human placenta, recombined key agents of the placenta, and applied the new components into Isa Knox Te’rvina.
Há muito tempo vêm se alegando que uso tópico destes “fatores de crescimento” poderiam fazer maravilhas pela pele e rejuvenescê-la. Mas não estou convencido de acordo com a ciência atual.
Esta história de “células tronco” faz lembrar o marketing feito pela Lancôme para alguns produtos. Isso gera bastante irritação em mim, já que as alegações que a Lancôme faz sobre alguns produtos são excessivamente fortes, para não ter de usar outra expressão. Aliás, pelo menos na União Europeia, a Lancôme foi julgada em virtude das alegações que costuma fazer.
Quando – e se – surgirem estudos melhores sobre o uso tópico destes “fatores de crescimento”, mudo minha opinião e atualizo este post.
De qualquer modo, há quem esteja menos cético do que eu. Para ser mais preciso, até encontrei um ou outro estudo interessante sobre estes “ativos”, mas como as promessas feitas por estes ingredientes são fortes, as evidências também deveriam ser.
Ainda comentando sobre os ingredientes, vale também destacar que o produto não contém conservantes “tradicionais”, como parabenos e doadores de formaldeído, sendo uma alternativa a quem não tolera estes conservantes. Também parece ter poucos emulsificantes. Características que fazem com que este cosmético tenha um baixo potencial para irritar a pele.
Opinião pessoal/subjetiva: adorei! Nas primeiras horas, não faz nada pela minha pele. Nem amacia. Pelo contrário, a textura em gel, formadora de um filme “tensor”, provavelmente em razão da proteína do trigo, até deixa a minha pele com um aspecto meio feio.
Não sei se isto ocorre com vocês, mas produtos que “esticam” minha pele, o que é o caso destes géis formadores de filme, parecem ressaltar os poucos poros dilatados e cravos que tenho.
Porém, muitas horas depois, a minha pele fica extremamente bem hidratada e macia. Mas é como se estivesse naturalmente hidratada, e não apenas com uma sensação macia causada por ingredientes como os silicones. Entendem o que quero dizer?
Também me pareceu que a médio prazo a minha pele ficou mais luminosa.
Tem álcool na fórmula, mas não consegui sentir qualquer característica de álcool no produto. Logo, a quantidade deve ser mínima. Não irritou absolutamente nada! Nada X nada (rs), o que é raro.
Resumindo, não gostei muito da textura nem do resultado inicial, mas o resultado a médio prazo eu achei excelente para a minha pele e fiquei com muita, mas muita vontade de comprar este serum.
Idioma: os produtos da O Hui costumam vir com uma pequena descrição em inglês e o restante em coreano.
Onde comprar e preço: no Ebay há várias lojas sul-coreanas que enviam ao Brasil, como esta, por aproximadamente US$85.
Conclusão:
1 – Serum em gel formador de filme “tensor”, moderadamente pegajoso nos primeiros instantes;
2 – Com ingredientes realmente interessantes para quem deseja atenuar linhas finas, uniformizar o tom da pele e hidratar – principalmente a niacinamida;
3 – Com ingredientes de utilidade duvidosa, que imagino que tenham sido usados mais para efeito de marketing, como “peptídeos recombinantes humanos”.
Enquanto os nossos rankings mais esperados sobre cosméticos costumam ser feitos por uma pequena e selecionada amostragem de jornalistas, como o da Allure, no Japão o ranking mais esperado e popular é o da @cosme, que é feito por milhares de consumidores sem conflitos de interesses com a indústria (bom, talvez um ou outro tenha, mas são consumidores “comuns” de um modo geral).
A lista completa, incluindo maquiagem, dos três primeiros colocados no ranking da @cosme do primeiro semestre de 2012 vocês podem ler aqui e aqui. Meu post de hoje é comentando sobre o primeiro colocado de cada categoria de skincare. Vamos lá:
Removedor de maquiagem
Nari’s Up Care Acne Medicated Cleansing Oil
Crédito da imagem: http://www.narisup.com
Um óleo de limpeza bem barato e com ácido salicílico, específico para pele oleosa e com acne. Acredito que remova muito a oleosidade e maquiagem. Mas também acredito que, como o ácido salicílico em produtos com enxágue permanece por um tempo muito curto em contato com a pele, a utilidade deste ingrediente seja mínima – se há alguma – em óleos de limpeza e “sabonetes”.
O marketing do produto é bem ao gosto dos japoneses: focado em nanotecnologia.
Além disso, de forma similar a vários produtos encontrados aqui, como o nacional Dermage Improve DNA Repair, o produto alega que é capaz de reparar o DNA das células da pele.
Há quem acredite que coisas assim sejam possíveis, como esta dermatologista brasileira (é uma série de vídeos, ela comenta mais sobre isso, se não me engano, a partir do quarto vídeo).
Eu poderia fazer diversas críticas aos escassos estudos que ela citou, mas não vem ao caso no momento e por isso vou me resumir a deixar uma pergunta: todos os cânceres ocorrem por anormalidades na sequência do DNA. Sendo assim, já que algumas marcas de cosméticos saberiam como reparar o DNA, significa que estas marcas também descobriram a cura para todos os cânceres?
“Alegações extraordinárias demandam evidências extraordinárias.” Carl Sagan.
De qualquer modo, sem levar as considerações as alegações, esta loção parece ser excelente.
Essência
Yves Saint Laurent Forever Youth Liberator Serum
Imagem retirada do site http://www.beautyalmanac.com/
Este serum parece ótimo e eu recomendo que vocês leiam o artigo que a Futurederm escreveu sobre o mesmo.
Mas há um porém: é bastante similar a serums de outras marcas da L’oréal, como o Vichy Liftactiv CxP Total. Logo, pense duas vezes antes de comprar o da Yves Saint Laurent.
Hidratante
Sofina Beauté Enriched Emulsion Moisturizing
Crédito da imagem: http://www.sofina.com/
Esta emulsão hidratante é nova e contém ingredientes muito interessantes para pele seca e sensível, como ceramidas, óleo de oliva, argnina e extrato de eucalipto. Já comentei sobre todos esses ingredientes em posts anteriores. Certamente a compraria se tivesse pele seca.
Máscara
Minon Amino Moist Moisturizing Mask
Crédito da imagem: http://www.daiichisankyo-hc.co.jp/
Máscara em tecido de uma grande laboratório farmacêutico japonês, tipicamente asiática. É super hidratante e livre de ingredientes potencialmente irritantes para a pele, como perfume. Provavelmente comprarei para mim.
Protetor Solar
Kanebo Allie Extra UV Gel (Mineral Moist) N SPF 50+ PA+++
Crédito da imagem: http://www.kanebo-cosmetics.jp/
Protetor solar que oferece alta proteção contra os raios UV-A/UV-B e que, por realmente ter textura leve, em nada lembra os protetores vendidos aqui. É para quem está procurando por um protetor com textura não oleosa, e não, necessariamente, matificante. Não é matificante como, por exemplo, o Bioré Perfect UV Face Milk SPF 50+ PA+++.
Falando em protetor solar japonês, se você gosta muito de um protetor solar japonês, recomendo estocá-lo! Explico: japoneses parecem nunca estar satisfeitos com as coisas. Em virtude disso, é comum as empresas mudarem suas fórmulas anualmente, mesmo que já sejam excelentes.
P.s: clicar aqui para ler meu último post para o Stash (blog para o qual também escrevo), sobre uma base em serum da Helena Rubinstein.
Lembram que eu havia publicado um post sobre o Kanebo Impress Granmula Cream? Para que ainda não leu, clicar aqui. Até pouco tempo, o Impress Granmula Cream era o creme mais caro do mundo. Mas o creme da Kanebo acaba de perder o posto de creme mais caro do mundo para uma nova versão do “La Crème“, da Shiseido.
Crédito da imagem: Shiseido/Reprodução.
O La Crème custará por volta de 13 mil dólares, por apenas 50g. E será vendido em Tóquio, em uma loja conceito da marca. Aliás, também já escrevi um post sobre a loja-conceito da Shiseido e outras atrações turísticas oferecidas pela empresa. Clicar aqui quem ainda não leu. Se fosse vendido no Brasil, levando em consideração os impostos e outros fatores, custaria aproximadamente 100 (cem) mil reais, uma casa popular…
E qual é a minha opinião sobre este creme? Praticamente a mesma sobre o Impress Granmula Cream e todos os outros cremes com preço muito acima da média.
Complemento com a opinião de um dermatologista brasileiro, Dr. Jayme de Oliveira – ele não estava se referindo muito a produtos, estava mais se referindo a certos profissionais, mas o que ele disse poderia ser aplicado a certos cosméticos:
“Tem estúpido para comprar tudo neste mundo. Só que não dá para ir ao médico como quem vai a uma cartomante. Há quem pague caro para que um dermatologista picareta diga o que quer ouvir, para receber a receita do tratamento que viu na revista. Esse tipo de paciente reforça o estelionato dermatológico. Por isso há maus profissionais que investem R$ 30 mil em um serviço de assessoria de imprensa e, desse modo, vendem hoje o que bem querem”, revela Jayme de Oliveira Filho.
Cosméticos com secreção de caracol já existem no Brasil há bastante tempo. Mais especificamente, na linha Tensage, da Endocare – marca que costuma ser relativamente bastante recomendada por dermatologistas brasileiros. Muitos brasileiros estão usando estes cremes e nem sabem que eles são feitos com secreção (“baba”) de caracol. Provavelmente devido a um hábito comum entre os brasileiros, que é usar as coisas sem ler seus respectivos rótulos.
Uma história curiosa é que estes dias uma “blogueira” famosa contou que estava usando um creme da Endocare e adorando um produto. Comentei, a título de curiosidade, que o principal ingrediente do produto é a secreção de caracol. Ela não liberou meu cometário (deve ter achado que eu estava debochando dela rs). Se ela tivesse lido as alegações do produto (parece-me que é uma pessoa alfabetizada, afinal, ela tem um blog…), veria que eu não estava mentindo. rs
Mas indo ao que interessa: cremes com secreção de caracol são uma verdadeira “febre” na Coreia do Sul. Os sul coreanos parecem ter obsessão por estes cremes com secreção de caracol. Há motivo para tanta procura?
Hum… Pelos poucos estudos que encontrei sobre isso, eu diria que não. Encontrei apenas dois estudos sobre o assunto. O primeiro (Skin Pharmacol Physiol. 2008;21(1):15-22. Epub 2007 Oct 2.), feito tanto na Espanha quanto nos Estados Unidos, apontou, por exemplo, que este extrato de secreção de caracol é rico, por exemplo, em SOD (superóxido dismutase), um antioxidante. O estudo também mostrou que este ingrediente estimula a proliferação de fibroblastos (células que produzem, por exemplo, colágeno e elastina), o que sugereria que poderia axiliar na “regeneração” da pele lesada. O problema é que foi feito apenas in vitro (em modelos artificiais). Nada garante que in vivo o resultado seja o mesmo.
O segundo (Int J Cosmet Sci. 2011 Dec 15.) mostrou praticamente a mesma coisa e também foi feito in vitro; logo, aplicam-se os mesmos comentários feitos anteriormente.
A conclusão é que até existe alguma evidência de que secreção de caracol possa oferecer algum benefício à pele, mas é muito fraca mesmo. O uso deste ingrediente, na minha opinião, é mais por razões de marketing. Provavelmente vários outros ingredientes “não exóticos” podem fazer coisas similares pela pele (vitamina C, por exemplo, também tem ação antioxidante).
De qualquer forma, secreção de caracol é rica em ingredientes como ácido hialurônico (referência: clicar aqui). Portanto, imagino que funcione como um excelente hidratante – ainda mais considerando que a concentração usada nos cosméticos costuma ser em torno de 20 e 90%.
Confesso que estou curioso para experimentar algum hidratante com secreção de caracol, mesmo sabendo que não há motivo racional para optar um que contenha, especificamente, este ingrediente. Penso em vários, ainda não escolhi nenhum – mas são todos sul-coreanos. Alguns exemplos:
Enprani Eslinn Escargot Cream
Imagem retirada do blog Hope In A Blog.
Etude Darling Cream
Imagem retirada do site http://www.weloveshopping.com/
Há dezenas – talvez dezenas – de outras opções. Realmente ainda não escolhi qual vou experimentar.
Caso alguém não tenha nojinho – haha – e também queira experimentar, mas sem ter de importar, é só ir a uma boa farmácia aqui do Brasil e procurar pelos cremes da Endocare que contenham o ingrediente em questão.
Suplementos de colágeno, geralmente na forma de pó, são uma “febre” em países como o Japão, Coreia do Sul, Hong Kong e muitos outros. Lá, é possível encontrar não só colágeno puro, mas também em praticamente tudo o que se come e bebe no dia a dia. Como vocês podem ver clicando aqui, em Cingapura, por exemplo, até Nescafé – sim, Nescafé - contém colágeno.
No Japão, este mercado é tão desenvolvido, que há até restaurantes que adicionam colágeno e ácido hialurônico (aliás, vou escrever sobre ácido hialurônico em breve – é impossível escrever um blog sobre curiosidades da Ásia sem comentar sobre ácido hialurônico) aos pratos e bebidas. Um dos mais famosos é o Collagen Shabu-Shabu, que fica em Tóquio. Assistam para “conhecer” um restaurantes destes (aquele gel que a moça colocou no copo é de colágeno e ácido hialurônico):
A moda também está ganhando o ocidente. Este empresário inglês, por exemplo, após ter visitado o Japão, teve a ideia de abrir um restaurante similar em Londres:
Até aqui no Brasil, a empresária Cristina Arcangeli também decidiu vender alimentos com colágeno após ter visitado o Japão. Disse ela ao caderno de economia e negócios do Estadão:
Ok., que suplementos com colágeno têm forte importância econômica, está claro. Mas e para a pele? Infelizmente, a resposta é diferente.
Primeiro, vamos rever o que aprendemos nas aulas de biologia do Ensino Médio: o colágeno é uma proteína. E proteínas são formadas por aminoácidos. Fazendo uma comparação bem tosca, se um muro fosse uma proteína, seus tijolos seriam aminoácidos. Quando a gente ingere uma proteína, o organismo “desmonta” esta proteína em aminoácidos. Estes aminoácidos, posteriormente, serão usados para construir novas proteínas, de acordo com a necessidade do organismo. (Alerta: se consumidos em excesso, podem até fazer a pessoa ganhar peso). Logo, se toda a proteína que a gente ingere é digerida e quebrada em aminoácidos, não é lógico pensar que ingerir especificamente colágeno irá repor o colágeno perdido pela pela. Pela lógica, qualquer proteína contida nos alimentos faria praticamente o mesmo efeito que o colágeno; isto é, seria quebrada em aminoácidos e estes aminoácidos posteriormente seriam usados de acordo com a necessidade de cada organismo.
Mas como uma falácia de pensamento é achar que tudo o que tem lógica, necessariamente, está correto, fui procurar o que existe de estudo sobre o assunto para ver se os estudos vão a favor ou contra a lógica.
O primeiro estudo que encontrei foi este, realizado por pesquisadores da Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tóquio. O estudo foi feito em ratos. Resumindo, os ratos do grupo que “tomaram” um tipo específico de colágeno tiveram um aumento de 17% do conteúdo de colágeno na pele comparado com os ratos do grupo controle; isto é, que não “tomaram” colágeno.
Algo importante a destacar é que, em parte, o estudo foi feito por pesquisadores de uma empresa que vende colágeno. Hum… Alguém acha mesmo que o resultado seria diferente?
O outro, este aqui, realizado por pesquisadores de uma universidade chinesa, também mostrou benefícios na pele dos ratos que foram “suplementados com colágeno. Aparentemente, foi sem conflitos de interesses, o que é bom.
Por fim, encontrei este realizado por pesquisadores do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento da USP. Assim como os dois estudos anteriores, o estudo da USP também foi feito em ratos e também mostrou diferenças positivas na pele dos ratos que “tomaram” colágeno. O que achei interessante neste estudo é que os ratos do grupo controle (que não tomaram colágeno) também receberam uma dieta com uma quantidade relativamente alta de proteínas. Portanto, tentou-se eliminar a chance de que os resultados positivos do grupo que “tomou” colágeno seria apenas por estarem consumindo uma maior quantidade de proteínas de uma forma geral – e não por estarem consumindo especificamente colágeno.
Conclusão: fiquei surpreso porque pensei que não encontraria NENHUM estudo sobre o assunto. Por outro lado, os estudos que encontrei foram feitos apenas em animais. Logo, só por estes escassos estudos não se pode concluir que suplemento de colágeno proporciona algum benefício à pele humana. Uma ideia mais sensata do que tomar suplemento de colágeno, é ter uma boa alimentação e evitar danificar o colágeno da pele (procurando, por exemplo, não se expor exageradamente ao sol). Até que surjam estudos melhores (se alguém conhece, favor colocar nos comentários), na minha opinião, suplementos de colágeno parecem ser mais “perfumaria”.
P.s:
1 – E colágeno em cremes? Por não ter a capacidade de penetrar na pele, no máximo ajuda a manter a hidratação da mesma, já que age na superfície como um umectante, assim como quaisquer outras proteínas.
2 – Eu tomo um suplemento alimentar da Shiseido chamando The Collagen – mas não é por causa do colágeno. Comentarei sobre o produto no futuro.
3 – Imagino que uma forma melhor de gastar dinheiro do que comprar suplemento alimentar de colágeno, é procurar um dermatologista para fazer tratamentos que estimulem a pele a produzir colágeno.
Quem ainda não ouviu falar em Vitacreme B12, está para ouvir! O produto, suíço, é uma “febre” que se espalhou principalmente na Ásia, mas vem se tornando popular no mundo inteiro. Vários blogs brasileiros já estão comentando sobre o Vitacreme B12. Só porque fiz um único comentário no Twitter sobre o produto, várias pessoas estão chegando ao meu blog após terem digitado “Vitacreme B12″ no Google.
E há motivo para tanta procura? Vejamos o que o fabricante alega:
A lista de alegações é extensa. Porém, ma das frases preferidas das pessoas céticas – justamente meu caso, é a seguinte:
E onde estão estas provas? Não consegui encontrá-las! Pesquisando no Pubmed, a única coisa que encontrei sobre o uso tópico da vitamina B12 (o que seria o “ativo” do produto) foram pequenos estudos mostrando que hidratantes com esta vitamina poderiam melhorar sintomas de dermatite atópica. Mas não encontrei absolutamente nada mostrando que cremes com vitmina B12 poderiam firmar a pele, combater rugas etc.
Obviamente, o fato de eu não ter encontrado estudos mostrando que a vitamina B12 poderia rejuvenescer a pele, não significa, necessariamente, que ela não possa contrbuir para isso. Ainda assim, enquanto estes estudos não aparecerem (se é que um dia irão aparecer), prefiro ficar com cosméticos contendo substâncias que são suportadas por vários estudos, como retinol, vitamina C etc.
A japonesa Kanebo, marca pertencente à Kao Corporation, lançou um creme hidratante com apenas umas 40g que custa nada mais nada menos que 1800 dólares. Se este produto fosse vendido aqui, contanto com os impostos, provavelmente custaria por volta de uns seis mil reais ou mais. Chama-se Impress Granmula Cream. O produto tem site em inglês: clicar aqui para saber mais. É um dos hidratantes mais caros do mundo. Mas será que vale?
Os ingredientes…
Além de ingredientes básicos, encontrados em quaisquer outros cremes (independentemente do preço), o produto contém “ingredientes ativos” como Bisamin, Magnolignan, Rhododenol. Esses ingredientes, densenvolvidos pela Kanebo, prometem uniformizar o tom da pele e são considerados “Qusi-Drugs” no Japão. (Quem não sabe o que deve ser feito para um ingrediente ser considerado “Quasi-Drug” no Japão, ler este artigo que escrevi). Portanto, existe ALGUMA evidência científica suportando estes ingredientes. Porém, por si só, isto não significa que o produto vale o quanto custa. Principalmente porque todos estes ingredientes são encontrados em produtos com preços muito mais em conta e “normais” da Kanebo, como os produtos da linha Blanchir Superior:
Crédito da imagem: Kanebo
Além dos ingredientes citados, ele contém carnitina – um derivado de aminoácido. Carnitina é encontrado até em hidratantes da Nivea – o que indica ser um ingrediente barato.
Neste artigo, não vou avaliar a eficácia destes ingredientes, apenas estou querendo mostrar que não são caros a ponto de justificar que um creme contendo estes ingredientes precise custar tanto.
Algumas curiosidades sobre este e outros cremes quase tão caros quanto.
Estes cremes vendem bem?
De acordo com os fabricantes, sim! E muito!
“Nós estamos surpresos com as vendas deste e outros cremes que custam mais que 5000 Ienes (moeda japonesa, 5000 ienes equivalem a mais ou menos 120 reais)”, diz Motoki Ozaki, presidente da Kao. O “Este” é em referência ao Kanebo Twany Cellrhythm, outro creme que custa quase tão caro quanto o Kanebo Impress Granmula.
Mas a economia do Japão não está em crise?
Está. Mas cosméticos têm tanta importância para os consumidores japoneses, que a indústria cosmética não é muito afetada nem em épocas de crise.
Em reportagem ao Bloomberg (canal e site de economia), uma consumidora japonesa diz que a prioridade dela para gastar é em “skin care”; e que em épocas de crise ela pode comprar roupas mais baratas, mas não deixar de comprar cosméticos de boa qualidade.
Além disso, vale lembrar que estas empresas japonesas, como o Kao, também têm forte presença em outros países da Ásia, como China, Hong Kong (não é exatamente um país – e sim uma região administrativa da China – mas na prática é como se fosse, porque é independente da China em quase tudo), Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura – países não estão sentindo muito os efeitos da crise dos Estados Unidos, Japão e Europa.
Quem compra estes cremes que custam quase 2000 dólares?
Engana-se quem pensa que são apenas mulheres casadas com maridos ricos, o que costuma ser comum em se tratando de mercado de luxo aqui no ocidente, principalmente no Brasil. No Japão e em outros países da Ásia, é exatamente o contrário: de acordo com este pesquisador do mercado, são mulheres comuns, que trabalham, estão na faixa dos 30 e 40 anos e que têm uma vida financeira independente. Isto é, nada a ver com princesas de outros países, filhas de xeiques árabes; ou seja, mulheres pouco úteis à sociedade.
“Meu marido provavelmente não entenderia por que eu gasto tanto em cremes de tratamento para a pele, mas visto que eu trabalho e ganho meu próprio dinheiro, eu não acho que exista alguma coisa de errado com isto”, diz Diana Foo, uma consultora financeira e usuária do Kanebo Impress Granmula Cream, que mora em Cingapura – um dos países mais bem desenvolvidos economicamente do mundo. Para quem quiser ler trecho da reportagem, clicar aqui.
Aliás, a ironia é que ela tem um blog voltado a mulheres. E o tema do blog é… cosenlhos financeiros!
Existe mercado para um produto tão caro no ocidente?
Provavelmente não. Nos Estaodos Unidos e Europa, embora, obviamente, exista gente rica que não acaba mais para comprar este tipo de produto, as pessoas não dão tanta importância a cuidados com a pele. E isso é compravado por várias pesqusias de mercado. De acordo com o Eurominitor, por exemplo, 60% das japonesas usam tônico diariamente. Entre as americanas, este número é de apenas 20%.
No caso específico do Brasil, também a outros motivos:
1 – Pode ser apenas preconceito meu, um viés baseado nas poucas pessoas que conheço: mas pelo que conheço dos brasileiros, só faz sucesso de vendas no mercado de luxo o que dá para mostrar. Explico: aqui, um bolsa da Louis Vuitton vende muito mais do que uma bolsa da, sei lá, Prada. Por que a bolsa da Louis Vuitton é mais bonita e de melhor qualidade que a da Prada? Não. Porque a Prada não tem seu logotipo estampado na bolsa inteira. Ora, a marca de um creme não aparece no rosto, logo, a maioria dos brasileiros não pagaria um valor extremamente alto por um.
2 – Aqui no Brasil, é comum as pessoas procurarem seus dermatologistas mesmo para usar apenas cosméticos. E, com toda a razão, certamente a grande maioria dos dermatologistas iria desencorajar alguém a comprar um creme tão caro.
Deve ter gente pensando: “mas aqui tem Sisley e La Prairie”. Certo, mas nem Sisley e La Prairie custam tanto.
Voltando a comentar especificamente do Kanenbo Impress Granmula, o que a principal cientista responsável pela fórmula tem a dizer?
Aqui tem uma entrevista com ela. Entre outras coisas, ela falou que as pessoas irão “amar” o creme devido à sua fragrância e textura. Também diz que o produto levou quatro anos de contínuos testes em laboratório até que se chegasse à textura considerada perfeita; que penetrasse bem sem acumular na área dos olhos e sem deixar qualquer sensação pegajosa. Eu realmente acredito nisso. Mas quantos produtos baratos vocês já usaram que também têm textura excelente? Eu, pessoalmente, dezenas! Notem que, como uma cientista honesta, ela jamais mencionou na entrevista que o creme vai fazer coisas como eliminar rugas e firmar a pele. Na verdade, ela nem citou a palavra “rugas”. Também não falou que o produto é melhor que produtos mais baratos.
Conclusão: considerando que:
1 – praticamente todos os ingredientes podem ser encontrados em produtos com um preço bem menor; 2- não encontrei nenhum estudo publicado mostrando que o creme funciona melhor que produtos mais baratos, não vejo nenhum motivo racional para comprar creme em questão (e outros cremes tão caros). Ainda assim, se por curiosidade alguém quer comprar o produto, pessoalmente recomendo que seja com dinheiro próprio – e não do marido, pais etc.
P.s: eu experimentei alguns produtos da linha Impress. Não tenho fotos porque já faz algma tempo. Mais aí vão algumas opiniões pessoais. Nada além disto: opiniões pessoais.
Impress Brightening Wash: boa espuma de limpeza, mas nada de extraordinário. Similar a tantas outras espumas japonesas, inclusive de supermercado/farmácia.
Impress Revatalizing Lotion MF (Moist Full): só há dois tônicos do mundo que realmente não deixaram minha pele com nenhuma sensação pegajosa. E um deles é este! Não contém álcool e deixou a minha com uma sensação muito hidratada.
Impress White Emulsion I (hidratante): gostei muito! Não irritou absolutamente nada (pouco comum, já que minha pele é muito sensível), hidratou bem e tem textura muito leve e de rápida absorção. (Vocês sabem: orientais costumam odiar texturas pesadas).
Toda a linha tem um discreto cheiro de rosas (discreto mesmo, detectável só por quem tem olfato apurado). Aliás, não sei se vocês já notaram, mas produtos muito caros e que não marketing voltado a homens costumam ter cheiro de rosas.
Aviso importante: estou sempre revisando meus artigos anteriores. E o último que revisei foi o sobre o protetor da Bioré. Na revisão, fiz uma comparação com o protetor Capital Soleil Toque Seco FPS 30, da Vichy. Tirei fotos para mostrar como o Capital Soleil Toque Seco é pegajoso perto do protetor da Bioré. Quem neu leu a revisão, clicar aqui.
Todo ano um alimento diferente entra na moda. Uma hora é chá verde, outra hora é açaí e por aí vai. Alguns deles, como o chá verde, realmente são suportados por evidências científicas relativamente boas para diversos fins. Muitos, porém, são mais marketing do qualquer outra coisa.
O alimento que está entrando na moda atualmente, chama-se Goji Berry, uma frutinha originária do norte da China (logo, tudo a ver com o tema do meu blog).
Já em 2009, a Mintel, uma famosa empresa de marketing (leiam bem: marketing) havia previsto que esta fruta seria “trend”. E estava correta!
Ao digitar “Goji Berry” no campo de busca da Sephora americana, apareceram 24 produtos. Como vocês podem verificar aqui. Os itens vão desde glosses da marca Smashbox, passando por produtos que prometem “acalmar” a pele do Dr. Murad até um suquinho de beber do Dr. Brandt.
Como marketing, sem dúvida, Goji Berry é um fenômeno. Mas do ponto de vista científico? Vou ser o estraga prazer: não encontrei nada interessante para contar a vocês. Fazendo uma busca no PubMed, encontrei apenas dois estudos tentanto mostrar que Goji Berry poderia ser benéfica à pele:
Um… Os ratos que beberam suco de goji berry ficaram com a pele mais resistente ao raios solares. Fico feliz por eles. No entanto, se a gente for pesquisar, vai encontrar centenas de estudos publicados que alimentos muito mais comuns a nós, como chocolate, também poderiam ajudar a pele a ficar mais resistente contra os raios solares, devido a suas propriedades antioxidantes.
Resumidamente, este estudo mostrou que extrato de Goji berry aplicado em fibroblastos (células presentes na pele), estimulou a produção de colágeno. Que importância tem este estudo? Praticamente nenhuma! Além de vários outros motivos que tornaria o artigo enfadonho se eu os citasse aqui, o estudo foi feito in vitro; isto é, fora de sistemas vivos. Traduzindo: pegaram células da pele, colocaram em placa de petri (ou em um tubo de ensaio, em um pote de sorvete vazio, que seja…) e por cima jogaram suco de Goji berry para “ver no que que dava”. Embora, obviamente, muitos estudos in vitro também tenham valor, eles devem ser vistos apenas como “ponto de partida”. Isso porque os resultados in vivo podem ser completamente diferentes dos resultados in vitro. Ah, mais uma coisa: o estudo foi feito por uma empresa que desenvolve produtos de fontes naturais. Vocês acham que o resultado poderia ter sido diferente?
Conclusão: eu tenho alguma coisa contra Goji berry? De forma alguma! A fruta parece ser uma delícia. E, como toda fruta, é rica em vitaminas e outros nutrientes importantes. Existe algum motivo para pagar caro por produtos com Goji berry, principalmente cosméticos? Enquanto não publicarem estudos melhores, não!
No post de amanhã: Shiseido White Lucent Brightening Moisturizing Gel W. Já aviso que o produto pertence à linha global da marca, portanto, é fácil de encontrar.
RT @beautystash: Pó facial Healthy Balance (Bourjois): Eu sou fã da linha de produtos com o nome “Healthy …” da Bourjois e reso... http://t…13 hours ago