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O Francis Sabe o que é Bom para a Pele

Longe de mim querer postar regularmente receita de comida em blog sobre cosméticos, mas é que:

1 – Hoje estou sem tempo para escrever um post mais elaborado;

2 – O Francis é um cachorro japonês que dá receitas muito boas;

3 – Esta receita contém bastante tomate, que um alimento que pode proporcionar benefícios a nossa pele – logo, tem tudo a ver com o meu blog. Trecho retirado do excelente blog Salada Médica, da médica Meire Gomes, sobre a relação entre o consumo de tomate a a pele:

“Encaminha-se para um consenso positivo a observação de que o Licopeno -substância antioxidante disponível em alguns alimentos, mas em maior concentração nos tomates vermelhos – tenha efeito preventivo sobre o câncer de próstata.

Partindo do conhecimento de que parte do Licopeno ingerido se deposita na nossa pele, pesquisadores da Universidade de Manchester sugerem, através de artigo* recém publicado no British Journal of Dermatology, que a ingestão Licopeno funcione como uma espécie de filtro contra os efeitos lesivos da radiação solar. Eu li a pesquisa e julguei a metodologia válida.

Eles consideraram o efeito do tomate contra a vermelhidão de pele sofrida com exposição solar estatisticamente significativo, mas lembrem que nenhum alimento substitui o filtro solar. Isso significa dizer que o Licopeno pode ser considerado como uma substância antienvelhecimento e que tenha, potencialmente, efeito anticancerígeno para a pele também.

O universo pesquisado incluiu apenas mulheres de pele clara (fototipos I e II) e se houve efeito positivo nesta população branquérrima, o efeito para as brasileiras é melhor ainda, já que quanto mais sensível e clara a pele, menos provável é o achado de fotoproteção sistêmica.

Será que expliquei direito? Se sua pele não é porcelana nem tão sensível ao sol, se você usar uma fotoproteção que é boa para uma pele claríssima, o efeito em você vai ser muito mais protetor. Então se o tomate protege a pele de mulheres muiiiiiito brancas e que nunca ficam bronzeadas, vai proteger a nossa com certeza.

(…)”

Fonte e continuação do post dela: http://saladamedica.wordpress.com/2010/10/10/o-tomate-a-prostata-dele-e-a-nossa-pele/

Eis a receita:

Já fiz várias vezes e realmente gostei. É rápida e todos os ingredientes são encontrados facilmente.

Certamente alguns estão se perguntando: “mas e o bacon”? Com bom senso, salvo se você tem algum problema de saúde, não é necessário privar-se de nenhum alimento. Qualquer alimento (até salada!) pode ser saudável ou não. Vai depender da quantidade ingerida e de condições específicas de saúde de cada um. Eu, por exemplo, não tenho qualquer problema com sobrepeso, colesterol alto etc. Para mim, portanto, não há nenhum problema em relação ao consumo de bacon – se for consumido com moderação, como tudo na vida!

Suplementos que Prometem Evitar Manchas – Será que Funcionam?

Primeiramente, lembro que, em geral, não costumo levar a sério o mercado de suplementos. E os principais motivos estão aqui. Muito marketing, muita bobagem e pouca ciência.

Mas vou comentar especificamente sobre os suplementos que prometem evitar manchas, altamente populares na Ásia – principalmente no Japão. No Japão e em outros países da Ásia, as pessoas que querem evitar manchas não costumam usar “apenas” milhares de cosméticos para clareá-las e caprichar na proteção solar (não contando apenas com o protetor, e sim com outras “armas”, como roupas).

Como já comentei em posts anteriores, hidroquinona é altamente restrita no Japão e em outros países da Ásia. Isso faz com que os asiáticos estejam sempre buscando outras possíveis alternativas ou promessas, como os suplementos.

A maioria destes suplementos contém cisteína (ou derivados dela) e diversos antioxidantes, como vitamina C e extratos de uva, oliva etc.

Alguns dos mais famosos são os da Shiseido, que vende vários suplementos, até em forma de suco, com esta proposta, e Fancl.

Um exemplo de suplemento da Fancl é o White Advance:

Crédito da imagem: http://www.fancl.com.sg/product_detail.asp?p_id=200

Composição completa e outras informações.

E exemplo de suplemento da Shiseido é o Benefique White+

Crédito da imagem: http://www.shiseido.co.jp/

Este suplemento da Shiseido, que eu saiba, não tem site oficial em inglês. Mas pesquisando com a ajuda do Google vocês encontram milhares de sites com a composição deles.

Existe alguma ciência suportando a promessa destes suplementos? Pouca, mas até que sim.

Este estudo (Biofactors. 2004;21(1-4):415-8.) analisou a ação de um suplemento com L-cisteína e vitaminas C e E em animais (porquinhos da índia, não foi um estudo invasivo ou que tenha causado algum sofrimento aos animais).

O resultado foi, bem grosso modo, que aparelhos de imagem mostraram que a luminosidade da pele dos porquinhos da índia aumentou após algumas semanas de uso do suplemento. Além disso, foi observada uma redução do conteúdo de melanina das células dos animais que “tomaram” o suplemento.

O bom é que o estudo foi feito in vitro e in vivo, foi controlado e foram usados métodos objetivos para analisar os resultados. Mas não preciso nem dizer que, embora certos animais sejam bons modelos para prever o que pode ocorrer com os seres humanos, o ideal é que também existissem estudos feitos em seres humanos, certo?! Isso é evidente, já que o produto é destinado a seres humanos. Talvez estes estudos sejam publicados no futuro. Ou talvez até as empresas tenham feito estudos e não os tenham publicados, por, repetindo o “talvez”, os resultados não serem bons.

Como já comentei, além do derivado de cisteína e vitamina C, estes suplementos têm vários outros antioxidantes. Vem crescendo as evidências de que certos antioxidantes, que podem ser obtidos por meio da alimentação, são importantes para ajudar a proteger a pele contra os raios UV, o que poderia evitar manchas:

“The photoprotective effects of antioxidants are not observed only when applied topically. Oral antioxidants have been demonstrated to offer significant photoprotection. (…)

Additionally, several open- and closed-label studies have demonstrated the effects of oral antioxidants as a monotherapy in the treatment of melasma. These include oral pycnogenol (pine tree-bark extract) and a combination therapy.

The  combination therapy included procyanidin and vitamins A, C and E. In this double-blind placebo-controlled study of women with melasma, monotherapy with the oral antioxidant resulted
in improvement in MASI scores at 8 weeks when compared to placebo pill.

(…)

Research on photoprotection continues to grow, and
new technologies provide innovative ways to improve protection (…).”

Fonte: http://skinandaging.com/supplements/pdf/SunCare%20NO%20passage_lr.pdf

Conclusão:

1 – Existe alguma evidência científica, sim, suportando as alegações destes suplementos. Mas por enquanto são fracas e ainda não são suficientes para convencer uma pessoa cética, o que é meu caso.

2 – Considerando que todos estes ingredientes (ou ingredientes similares) são encontrados em alimentos do dia a dia, pessoalmente tenho minhas dúvidas se vale a relação custo benefício destes suplementos. Alguns exemplos:

Cisteína: alimentos ricos em proteínas (lembrem-se: é um aminoácido. Aminoácido foram proteínas), como carnes, leite e seus derivados e aveia. (1)

Procianidinas (encontradas no Shiseido Benefique White+): uva. (2)

Astaxantina (encontradas no Shiseido Benefique White+ e em suplementos da Fujifilm/Astalift): salmão, camarão e crustáceos em geral. (3)

Hidroxitirosol (encontrado no Fancl White Advance): azeite de oliva extra-virgem. (4)

Vitamina C (encontrada em ambos os suplementos citados anteriormante): até crianças sabem. Frutas cítricas são muito ricas em vitamina C. Muitas vezes costumam ter até bem mais do que o necessário. (5)

Referências: 1, 2, 3, 4, 5.

3 – Ainda assim, se alguém quiser comprar, estes suplementos alimentares podem ser encontrados na Mihoko Shop e diversas outras lojas. O citado da Fancl é bem barato, já o citado da Shiseido é extramamente caro.

P.s: embora sejam apenas suplementos alimentares, obviamente de venda livre, pessoalmente não os tomaria antes de consultar um médico e/ou nutricionista (levem toda a composição anotada).

Twitter do blog: @easttowestsc

Chá Verde – Parte II

Esta é uma continuação da parte I sobre chá verde.

Perguntas e respostas:

1) Pode ser bebido com leite? O leite reduz os benefícios do chá verde?

Por questões culturais, aqui no Brasil não se tem o hábito de tomar chá com leite. Mas vocês provavelmente sabem: na Grã-Bretanha é muito comum o chá ser misturado ao leite. Em muitos lugares do mundo, como Hong Kong – por influência durante a colonização inglesa – idem! O Hong Kong-style milk tea é muito famoso lá e bebido frequentemente por quase todo mundo lá.

Na verdade: tanto na Grã-Bretanha quanto em Honk Kong o que é mais tomado com leite é o chá preto. Mas ambos são feitos com a mesma planta e provavelmente contêm propriedades parecidas.

Tomar com leite é uma boa forma para quem acha o sabor do chá muito amargo. Se for feito com leite desnatado, a bebida terá poucas calorias e ainda por cima passará a ser uma fonte de cálcio, o que costuma ser muito importante às mulheres (a todos, claro, mas muitas vezes as mulheres precisam mais ainda).

Quanto aos benefícios do chá verde se tomado com leite, leio muito que o leite reduz a absorção dos polifenóis do chá. Porém, os estudos que encontrei mostraram justamente o contrário: que o leite não reduz a absorção dos polifenóis do chá!

Bioavailability of catechins from tea: the effect of milk. (Eur J Clin Nutr. 1998 May;52(5):356-9.)

Plasma and lipoprotein levels of tea catechins following repetead tea consumption. (Proc Soc Exp Biol Med. 1999 Apr;220(4):203-9.)

A single dose of tea with or without milk increases plasma antioxidant activity in humans. (Eur J Clin Nutr. 2000 Jan;54(1):87-92.)

Addition of milk does not affect the absorption of flavonols from tea in man. (Free Radic Res. 2001 Mar;34(3):297-300.)

Effect of milk and brewing method on black tea catechin bioaccessibility. (J Agric Food Chem. 2011 Jul 27;59(14):7752-8. Epub 2011 Jun 28.)

A maioria dos estudos foram patrocinados pela Unilever. Se alguém encontrou estudos mostrando o contrário, favor citá-los.

2) Estas bebidas prontas com chá verde teriam ume feito antioxidante menor do que o chá verde recém preparado?

Este estudo (J Agric Food Chem. 2001 Jan;49(1):477-82.), feito pela Universidade Chinesa de Hong Kong. sugere que, talvez, sim. Mas vai depender muito do modo de como é produzido, de como é estocado, de outros ingredientes da fórmula… E não é que a bebida pronta não tenha nenhum efeito; é que, talvez, tenha um efeito menor.

3) E em pó solúvel?

Não encontrei nada sobre isso. Mas acho razoável pensar que sim, que talvez a forma em pó solúvel  contenha menos antioxidantes.

4) Guardar o chá verde para beber depois também pode reduzir o efeito antixiodante da bebida?

Muito possivelmente, sim!

Formas de beber chá verde.

A clássica: preparando o chá em casa. Há milhares de marcas, desde populares e baratas até marcas muito caras. Os populares são encontrados em supermercados. Já os mais caros só costumam ser encontrados em casas de produtos asiáticos, em casas de chá ou em sites como a asiashop.com.br

Dos populares e vendidos em supermercado, meu preferido é o Yamamotoyama em pacote (sai mais em conta do que o em saquinho)

Chá Verde

Crédito da imagem: Yamamotoyama

Ou em saquinho “orgânico”:

Chá Verde Orgânico (Saches)

 

Crédito da imagem: Yamamotoyama

Formas mais práticas: em pó solúvel, como Nescafé.

Um deles é este, da japonesa Maruka:

Já vem adoçado (o que acho ruim), mas é bem pouco. É muito prático para fazer bebidas geladas. Atenção: vem um pó absorvente dentro dele, acho que de sílica. Obviamente, este pó não é comestível, ok?! É encontrado em casas de produtos asiáticos, em sites como a Asia Shop e muitas vezes até em supermercados.

Outra opção são os chá verdes instantâneos da Bioslim (Herbarium), que vêm em vários sabores, como guaraná:

Crédito da imagem: Guiasuplementacao

Também são muito práticos para preparar bebidas geladas e gostosas de uma forma fácil. São encontrados em farmácias e supermercados. Mais em supermercados.

Já destas bebidas prontas, como a Feel Good, pessoalmente não gostei. Achei todas bizarramente doces. E nem sei se contêm muito extrato de chá verde na fórmula.

Observação: como já comentei mais ou menos na parte I, acho interessante que o chá verde seja substituido, por exemplo, por refrigerante. Como um alimento, uma bebida…  Mas não encontrei evidências de que o consumo de chá verde seria tão benéfico a ponto de justificar que se tome suplementos dele (existem vários). Obviamente, há várias outras coisas possivelmente benéficas para se tomar no dia a dia. Estou citando o chá verde mais porque meu blog é sobre coisas originárias da Ásia e mais porque a bebida talvez possa oferecer algum benefício à pele e a quem quer perder peso, não porque seria uma bebida milagrosa…

Aguardem a parte III!

Chá Verde (Parte I)

201110 AmorePacific Halla Green Tea Fields

Acima: plantação de chá verde da Amore Pacific – na Coreia do Sul. Crédito da imagem: Amore Pacific.

Se tem uma coisa que simboliza bem a Ásia, principalmente China e Japão – Japão mais ainda – é o chá verde! Chá verde no Japão é tomado da mesma forma que café aqui. Talvez mais ainda. Lá há “tudo” de chá verde: suco, refrigerente,  sorvete, cosméticos etc. etc. etc.

Há até Coca Cola sabor chá verde e com catequinas (flavonóides antioxidantes presentes naturalmente no chá):

Crédito da imagem: Coca Cola

Todos os anos são publicados centenas de estudos sobre o chá verde. Alguns destes estudos sugerem que o consumo de chá verde pode ajudar a prevenir certas doenças. No site americano do From the National Institutes of HealthNational Institutes of Health, há uma lista das evidências (ou falta delas) relacionando o consumo de chá verde com a prevenção ou combate de diversos problemas de saúde. Clicar aqui para ler.

Mas vou me resumir a citar o que duas fontes sérias alegam sobre o consumo de chá verde e perda de peso:

Revisão da Universidade de Maryland:

Weight loss

Clinical studies suggest that green tea extract may boost metabolism and help burn fat. One study confirmed that the combination of green tea and caffeine improved weight loss and maintenance in overweight and moderately obese individuals. Some researchers speculate that substances in green tea known as polyphenols, specifically the catechins, are responsible for the herb’s fat-burning effect.

 Revisão do NIH:

Insufficient evidence to rate effectiveness for…
  • Weight loss. Taking a specific green tea extract (EGCG) seems to help moderately overweight people lose weight. But green tea doesn’t help people keep the weight off.
O que penso das revisões acima: embora, de acordo com o NIH, não há evidências suficientes para dizer que o consumo de chá verde realmente ajuda a perder peso, há ALGUMA evidência, sim, sugerindo isso. Logo, já que de forma ou de outra a gente gosta de beber alguma coisa, por que não optar por chá verde em substituição a outros chás ou sucos ricos em calorias?

Por exemplo: para quem não quer ganhar peso, em vez de tomar, por exemplo, um copo de suco de laranja ou refrigerante, que tem aproximadamente 100 calorias para cada 200 ml, por que não optar pelo chá verde, que, além de ter praticamente zero de calorias, TALVEZ ainda ajude a perder peso? Suco de chá verde é uma delícia (sério, juro).

Como fazer: basta fazer um chá concentrado a gosto, diluir em água (uns dois litros), adicionar um pouco de suco de limão também a gosto (para quem não quer consumir muitas calorias, não recomendo outras frutas porque podem ser bastanta calóricas) e, se desejar, adoçante. Beber bem gelado, claro.

Eu prefiro sem adoçante ou açúcar porque não gosto de coisas doces. Mas para quem vai usar adoçante, há várias opções. Uma delas é o aspartame, que tem gosto similar ao do açúcar. Para quem, por uma questão “filosófica” (é só “filosófica” mesmo, do ponto de vista científico não faz sentido), há uma opção natural: estévia (o gosto residual é meio amargo).

Só para deixar mais clara a questão do natural X artificial: não existe nenhum relação entre uma substância ser natural ou não e sua segurança. Há susbtâncias artificiais que são seguras mesmo se ingeridas em grandes quantidades. Por outro lado, há substâncias naturais que podem ser mortais mesmo se ingeridas em doses baixas. E vice-versa. Esta ideia de que o que é natural é mais seguro do que é artificial é explorada por profissionais de marketing, não por cientistas. Falando especificamente sobre os adoçantes naturais X artificiais, vejamos o que a nutricionista diz:

Voltando a comentar especificamente sobre o chá verde, outra forma de consumi-lo é como chá, óbvio! Tem gente que não gosta, por ser levemente amargo. Mas café também é… Acho que é só questão de hábito, com o tempo pode ser que a pessoa comece a gostar. Os gaúchos é que não estranharão muito, já que o sabor dele é relativamente parecido ao do chimarrão.

Chá verde e a pele: no Futurederm, o blog da Nicki Zevola, há um artigo sobre isto. Vejamos parte  do que ela escreveu:

“(…)

Consuming green or black tea may also make you age more slowly:  According to numerous studies, including one in Cancer Research, green tea consumption reduces the amount of UVB-induced skin damage induced upon UV exposure.

(…)

Uma coisa interessante a se destacar é que, de acordo com a ONU, Japão tem a maior expectativa do mundo; e Hong Kong a segunda. O que estes dois lugares têm em comum? Além de acesso a bons serviços de saúde, evidentemente, o grande consumo de chá verde. Será que o consumo de chá verde não ajuda a contribuir pela grande expectativa de vida nestes dois lugares? Penso que não é uma ideia estúpida suspeitar que sim! A expectativa de vida no Japão é de quase 82,6 anos – sendo que lá é relativamente comum ver centenários lúcidos e conseguindo cumprir tarefas básicas do dia a dia. Hong Kong (República da China), também faz bonito, tendo expectativa de vida de 82, 2 anos.

Conlusão: eu tomo chá verde porque gosto. Mas parece que esta bebida pode oferecer alguns benefícios além de somente agradar ao paladar.

P.s:

1- Chá verde, preto ou branco são feitas da mesma planta, a Camellia sinensis. O que muda é o método de produção. A maior parte dos estudos divulgados são sobre o chá verde.

2 – Em outro post comentarei sobre os meus preferidos.

Ácido Hialurônico – O Que Pode (E Não Pode) Fazer Pela Pele

Não há como fazer um blog sobre cosméticos de marcas asiáticas sem falar de ácido hialurônico. Os japoneses têm uma certa “obsessão” por ácido hialurônico. Não só usam em cremes, como também em suplementos alimentares; sendo alguns restaurantes colocam até na comida, como mostrei nest post. Mas a “obsessão” deles por ácido hialurônico vai muito além de “modismos”, a maioria dos estudos sobre ácido hialurônico que encontro são publicados por cientistas japoneses. A Kanebo, por exemplo, uma marca de cosméticos japonesa, tem vários estudos publicados sobre o ácido hialurônico até nos periódicos científicos de maior impacto na área. A Shiseido, por sua vez, foi a primeira empresa do mundo a produzir ácido hialurônico de origem não animal, na décade de 80, o que evita alergias.

Hoje em dia, ácido hialurônico (e seus derivados) estão em praticamente todos os cosméticos hidratantes e “rejuvenescedores” de grandes marcas. Não só porque esta substância realmente tem propriedades interessantes, mas também porque funciona muito bem de uma perspectiva de marketing.

E por que funciona bem do ponto de vista de marketing?

Porque médicos usam ácido hialurônico (na forma injetável) para preencher rugas e aumentar o volume dos lábios. Isso faz com que o consumidor não cético pense que ele terá o mesmo resultado usando cremes com ácido hialurônico. Mas não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ácido hialurônico, aplicado em forma de cosméticos, não penetra bem na pele, fica apenas na superfície da mesma ajudando a manter a hidratação. Já os médicos injetam “profundamente” esta substância; logo, o resultado será muito diferente.

Outra ideia errada que muitos têm sobre ácido hialurônico é que, por ter a palavra “ácido” no nome, esta substância esfoliaria/renovaria a pele. Também não tem nada a ver uma coisa com a outra. Ácido hialurônico só é chamado de ácido porque em relação à água pura (pH 7) a substância tem um pH menor em solução. Mas para a pele em si, o ácido hialurônico é por volta de neutro. E mesmo que fosse ácido para a pele, não significaria, necessariamente, que ele iria esfoliar.

Mas afinal, o que é ácido hialurônico?

É um polissacarídeo (açúcar) encontrado naturalmente em muitos animais – o que inclui os seres humanos. Mais detalhadamente, é uma substância que, junto com água, forma uma espécie de gel e está presente principalmente nos olhos, pele, líquido sinovial (líquido que lubrifica as articulações do nosso corpo e de vários outros animais) e no cordão umbilical dos mamíferos – além de na crista dos galos. O ácido hialurônico é alta hidrofílico (absorve água) – o que, na prática, em se tratando de cosméticos, significa que funciona como um ótimo hidratante para a pele. Fala-se até que apenas 1g de ácido hialurônico é capaz de absorver até 6 litros de água.

A indústria cosmética usa diversos tipos de ácido hialurônico. Os mais comuns:

1 – Sodium Hyaluronate, podendo ser:

a) De “alto” peso molecular: é a forma mais comum encontrada em cosméticos. Não penetra na pele, fica na superfície ajundando a manter a hidratação. Há milhares e milhares de cremes no mercado com este tipo de ácido hialurônico.

b) De “baixo” peso molecular: parece, de acordo com um estudo, que este tipo de ácido hialurônico também teria alguma ação antioxidante.

Como saber se o sodium hyaluronate da fórmula é de alto ou médio peso molecular? Isso não vem especificado nos ingredientes. Ao ler a lista de ingredientes, vocês irão encontrar apenas “sodium hyaluronate”. O único modo de saber é se o fabricante mencionar isto na descrição do produto.

2 – Hydrolized Hyaluronic Acid: seria um ácido hialurônico de “baixíssimo” peso molecular.

Um exemplo de produto contendo Hydrolized Hyaluronic Acid é o Vichy Liftactiv  Retinol HA Night (aliás, pessoalmente, adorei a fórmula do produto – e é encontrado no Brasil!).

LiftActiv Retinol HA Night Total Wrinkle Plumping Care - Moisturizers

Crédito da imagem: Vichy

Outro é toda a linha Wrinke Correxion, da Roc (que também tem retinol e, na minha opinião, é excelente):

Crédito da imagem: beautyclub.co.nz

Existe um estudo publicado por pesquisadores europeus (J Drugs Dermatol. 2011;10(9):990-1000.), que pode ser lido aqui, mostrando que todas as formas de ácido hialurônico hidratam a pele – melhorando a elasticidade da mesma – de forma superior à emulsão placebo (sem ácido hialurônico). Mas a emulsão que apresentou maior redução de linhas finas foi a com ácido hialurônico de peso molecular muito baixo.

O problema do estudo? Não foi usado na emulsão placebo glicerina ou outro ingrediente umectante. Logo, pelo estudo, conclui-se que sim, cremes com ácido hialurônico realmente hidratam melhor a pele do que cremes sem ácido hialurônico. Porém, fica-se sem saber se estes cremes com ácido hialurônico hidratam melhor do que cremes com a boa e velha glicerina. Sinceramente? Um desabafo rápido: não sei este tipo de estudo, assim “mal planejado”, é feito propositalmente ou por dificuldade de raciocínio.

3) Sodium Acetyl Hyaluronate: esse derivado de ácido hialurônico foi desenvolvido pela Shiseido. Não vou entrar em detalhes para evitar que o post fique muito “técnico”. Mas a Shiseido alega que este derivado de ácido hialurônico tem o dobro de capacidade de absorver a água do que o ácido hialurônico e que  também é menos pegajoso. Como a Shiseido vende este derivado de ácido hialurônico para qualquer empresa que queira comprá-lo, algumas vezes vocês não encontrarão o Sodium Aceytl Hyaluronate apenas nos produtos da Shiseido, mas também em produtos de outras marcas. Para saber tudo o que a Shiseido alega sobee o Sodium Acetyl Hyaluronate, clicar aqui.

Alguns exemplos de produtos com este derivado de ácido hialurônico (só são são alguns exemplos mesmo, porque há centenas):

BENEFIANCE WrinkleResist24 Intensive Eye Contour Cream

Crédito da imagem: Shiseido

BIO-PERFORMANCE Advanced Super Revitalizing Cream

Crédito da imagem: Shiseido

Todos os produtos da linha Bio-Performance fazem um enrome sucesso mundo afora! É muito difícil encontrar alguma opinião negativa sobre eles. E com o produto destaque não é diferente. A marca alega que ele é formulado por meio de uma nova tecnologia de emulsificação. A Shiseido até enviou dois cientistas delas ao Brasil para divulgar aos dermatologistas, durante um congresso de dermatologia que ocorreu aqui no Brasil,  o que seria este novo método para fazer emulsões. Mas ainda não li praticamente nada sobre isso, talvez no futuro comentarei. Bom, um dos melhores formuladores de cosméticos que conheço, falou para mim que, por melhor que seja a tecnologia empregada, os resultados não são grandes a ponto de o consumidor notar a diferença entre uma emulsão produzida de um jeito e de outro. Será? Acredito nele, mas como disse, ainda não li nada sobre isso.

(Tanto a linha Benefiance quanto a Bio-Performance é vendida no Brasil).

Quase toda a linha da Clé de Peau (a marca mais cara da Shiseido) também usa este derivado de ácido hialurônico. Usei vários produtos da Clé de Peau e comentarei sobre eles em breve.

E como há cosméticos excelentes em TODAS as faixas de preço (em se tratando de cosmético, a realidade é esta: preço não costuma ter relação com o resultado), a Hada Labo, uma marca que faz um enorme sucesso no Japão, também oferece produtos com este derivado de ácido hialurônico. Comprei vários produtos da Hada Labo. Posts sobre eles virão, uma vez que os produtos realmente parecem excelentes! Só para ter uma ideia, a cada 4 segundos é vendido um tônico da marca no japão:

Crédito da imagem: Hada Labo/Rohto

4) Hydroxypropyltrimonium Hyaluronate

É vendido sob o nome de Hyaloveil-P por uma empresa de matérias primas japonesa. O fabricante alega que não é facilmente removido nem se exaguado. Pode ser encontrado, por exemplo, no Zirh Drenched Ultra Hydrating Moisturizer (Zirh é uma marca masculina da Procter & Gamble vendida nos Estados Unidos):

DRENCHED

Crédito da imagem: Zirh/Procter & Gamble

Também pode ser encontrado no Hada-Labo Gokujun Hyaluronic Foaming Wash

極潤® ヒアルロン泡洗顔

Crédito da imagem: Hada-Labo/Rohto

5) Hyaluronic Filling Spheres: também é um produto da Basf. O que o fabricante alega é o seguinte:

Mais alegações, em português:

http://www.midelt.com.br/produtos_mostra.php?id=35

Vocês não irão encontrar o nome “Filling Spheres hyaluronic” nos ingredientes, mas sim os seguintes ingredientes:  Ethylhexyl Palmitate / Silica Dimethyl Silylate / Butylene Glycol / Sodium Hyaluronate. Se a composição do produto tiver todos estes ingredientes, muito possivelmente há Hyaluronic Filling Spheres nela. Um exemplo é o Murad Acne & Wrinkle Reducer, vendido na Sephora americana.

E ácido hialurônico em cápsulas, para tomar?

Não consegui encontrer qualquer evidência de que possa oferecer algum benefício à pele. Ácido hialurônico é digerido assim como qualquer outro açúcar, nem faz muito sentido pensar que sua ingestão traria algum benefício.

Se mesmo assim você quer tomar ácido hialurônico, você não precisará de suplementos. É só fazer, por exemplo, um receita típica da culinária alemã: caldo com joelho de porco. Não é glamuroso, mas sua sopa terá um monte de ácido hialurônico!

O que parece importante para manter a taxa ideal de ácido hialurônico na pele é evitar dietas com alto teor de gorduras. Este estudo (Mol Nutr Food Res. 2010 May;54 Suppl 1:S53-61.) feito pela Universide de Tóquio (Japão e sua obsessão por ácido hialurônico mais uma vez haha) mostrou que dieta rica em gordura diminuiu a quantidade ácido hialurônico na pele dos ratos que a consumiram.

Já que os cremes com ácido hialurônico apenas hidratam e não há evidências de que ingerir ácido hialurônico proporcione benefícios à pele, não há como estimular a pele a produzir ácido hialurônico?

Bom, a Dra. Leslie Baumann, dermatologista americana, recomenda suplementos  alimentares de glucosamina. Ela diz que há evidência de que estes suplementos estimulam a produção de ácido hialurônico, o que poderia ser benéfico à pele. Ler aqui. Pessoalmente, porém, sou muito cético e achei as evidências fracas. Por isso não tomo.

Talvez sim. Este estudo (Skin Pharmacol Appl Skin Physiol. 2003 Mar-Apr;16(2):108-16.),  financiado pela Yakult – Japão de novo – mostrou que a aplicação de Bifidobacterium (um gênero de bactéria encontrado na flora intestinal dos seres humanos) estimula a pele a produzir ácido hialurônico tanto in vitro quanto in vivo. Dois produtos com uma concentração particularmente alta de Bifidobacterium são

1) Lancôme Génifique Serum e o Estée Lauder Advanced Night Repair Serum

Crédito da imagem: Lancôme

Estée Lauder Advanced Night Repair Serum

Advanced Night Repair

Crédito da imagem: Estée Lauder

Estou dizendo que o estudo citado me convenceu? Não. (Até porque um único estudo realizado em ratos não consegue me convencer mesmo). Mas não deixa de ser interessante. Certos ácidos receitados por dermatologistas é que parecem ser eficientes para estimular a pele a produzir ácido hialurônico. Aliás, assistam a este vídeo da editora do excelente blog Salada Médica:

Conclusão: não há nenhuma evidência de que usar cremes com ácido hiaurônico e seus derivados possa fazer maravilhas pela pele. O que se sabe é que funciona como um excelente hidratante.

Mais referências:

http://www.sg.shiseido.com/bioperformance/#/Innovations/

http://www.shiseido-europe.com/mm/mm/skincare/wrinkleresist-24/specific-care/concentrated-anti-wrinkle-eye-cream.htm

http://www.specialchem4cosmetics.com/tds/ha-quat/engelhard-basf/14281/index.aspx

http://www.webmd.com/vitamins-supplements/ingredientmono-1062-HYALURONIC%20ACID.aspx?activeIngredientId=1062&activeIngredientName=HYALURONIC%20ACID

Colágeno!

Suplementos de colágeno, geralmente na forma de pó, são uma “febre” em países como o Japão, Coreia do Sul, Hong Kong e muitos outros. Lá, é possível encontrar não só colágeno puro, mas também em praticamente tudo o que se come e bebe no dia a dia. Como vocês podem ver clicando aqui, em Cingapura, por exemplo, até Nescafé – sim, Nescafé - contém colágeno.

No Japão, este mercado é tão desenvolvido, que há até restaurantes que adicionam colágeno e ácido hialurônico (aliás, vou escrever sobre ácido hialurônico em breve – é impossível escrever um blog sobre curiosidades da Ásia sem comentar sobre ácido hialurônico) aos pratos e bebidas. Um dos mais famosos é o Collagen Shabu-Shabu, que fica em Tóquio. Assistam para “conhecer” um restaurantes destes (aquele gel que a moça colocou no copo é de colágeno e ácido hialurônico):

A moda também está ganhando o ocidente. Este empresário inglês, por exemplo, após ter visitado o Japão, teve a ideia de abrir um restaurante similar em Londres:

Até aqui no Brasil, a empresária Cristina Arcangeli também decidiu vender alimentos com colágeno após ter visitado o Japão. Disse ela ao caderno de economia e negócios do Estadão:

“Ao entrar em uma farmácia, vi em uma gôndola balas e bebidas com propriedades cosméticas. Fiquei encantada com esse conceito de alimentos que cuidam da beleza de dentro para fora.

Ok., que suplementos com colágeno têm forte importância econômica, está claro. Mas e para a pele? Infelizmente, a resposta é diferente.

Primeiro, vamos rever o que aprendemos nas aulas de biologia do Ensino Médio: o colágeno é uma proteína. E proteínas são formadas por aminoácidos. Fazendo uma comparação bem tosca, se um muro fosse uma proteína, seus tijolos seriam aminoácidos. Quando a gente ingere uma proteína, o organismo “desmonta” esta proteína em aminoácidos. Estes aminoácidos, posteriormente, serão usados para construir novas proteínas, de acordo com a necessidade do organismo. (Alerta: se consumidos em excesso, podem até fazer a pessoa ganhar peso). Logo, se toda a proteína que a gente ingere é digerida e quebrada em aminoácidos, não é lógico pensar que ingerir especificamente colágeno irá repor o colágeno perdido pela pela. Pela lógica, qualquer proteína contida nos alimentos faria praticamente o mesmo efeito que o colágeno; isto é, seria quebrada em aminoácidos e estes aminoácidos posteriormente seriam usados de acordo com a necessidade de cada organismo.

Mas como uma falácia de pensamento é achar que tudo o que tem lógica, necessariamente, está correto, fui procurar o que existe de estudo sobre o assunto para ver se os estudos vão a favor ou contra a lógica.

O primeiro estudo que encontrei foi este, realizado por pesquisadores da Universidade de Agricultura e Tecnologia de Tóquio. O estudo foi feito em ratos. Resumindo, os ratos do grupo que “tomaram” um tipo específico de colágeno tiveram um aumento de 17% do conteúdo de colágeno na pele comparado com os ratos do grupo controle; isto é, que não “tomaram” colágeno.

Algo importante a destacar é que, em parte, o estudo foi feito por pesquisadores de uma empresa que vende colágeno. Hum… Alguém acha mesmo que o resultado seria diferente?

O outro, este aqui, realizado por pesquisadores de uma universidade chinesa, também mostrou benefícios na pele dos ratos que foram “suplementados com colágeno. Aparentemente, foi sem conflitos de interesses, o que é bom.

Por fim, encontrei este realizado por pesquisadores do Departamento de Biologia Celular e do Desenvolvimento da USP. Assim como os dois estudos anteriores, o estudo da USP também foi feito em ratos e também mostrou diferenças positivas na pele dos ratos que “tomaram” colágeno. O que achei interessante neste estudo é que os ratos do grupo controle (que não tomaram colágeno) também receberam uma dieta com uma quantidade relativamente alta de proteínas. Portanto, tentou-se eliminar a chance de que os resultados positivos do grupo que “tomou” colágeno seria apenas por estarem consumindo uma maior quantidade de proteínas de uma forma geral – e não por estarem consumindo especificamente colágeno.

Conclusão: fiquei surpreso porque pensei que não encontraria NENHUM estudo sobre o assunto. Por outro lado, os estudos que encontrei foram feitos apenas em animais. Logo, só por estes escassos estudos não se pode concluir que suplemento de colágeno proporciona algum benefício à pele humana. Uma ideia mais sensata do que tomar suplemento de colágeno, é ter uma boa alimentação e evitar danificar o colágeno da pele (procurando, por exemplo, não se expor exageradamente ao sol). Até que surjam estudos melhores (se alguém conhece, favor colocar nos comentários), na minha opinião, suplementos de colágeno parecem ser mais “perfumaria”.

P.s:

1 – E colágeno em cremes? Por não ter a capacidade de penetrar na pele, no máximo ajuda a manter a hidratação da mesma, já que age na superfície como um umectante, assim como quaisquer outras proteínas.

2 – Eu tomo um suplemento alimentar da Shiseido chamando The Collagen – mas não é por causa do colágeno. Comentarei sobre o produto no futuro.

3 – Imagino que uma forma melhor de gastar dinheiro do que comprar suplemento alimentar de colágeno, é procurar um dermatologista para fazer tratamentos que estimulem a pele a produzir colágeno.

Goji berry – a próxima fruta da moda (e o post de amanhã)

Todo ano um alimento diferente entra na moda. Uma hora é chá verde, outra hora é açaí e por aí vai. Alguns deles, como o chá verde, realmente são suportados por evidências científicas relativamente boas para diversos fins. Muitos, porém, são mais marketing do qualquer outra coisa.

O alimento que está entrando na moda atualmente, chama-se Goji Berry, uma frutinha originária do norte da China (logo, tudo a ver com o tema do meu blog).

Já em 2009, a Mintel, uma famosa empresa de marketing (leiam bem: marketing) havia previsto que esta fruta seria “trend”. E estava correta!

Ao digitar “Goji Berry” no campo de busca da Sephora americana, apareceram 24 produtos. Como vocês podem verificar aqui. Os itens vão desde glosses da marca Smashbox, passando por produtos que prometem “acalmar” a pele do Dr. Murad até um suquinho de beber do Dr. Brandt.

Como marketing, sem dúvida, Goji Berry é um fenômeno. Mas do ponto de vista científico? Vou ser o estraga prazer: não encontrei nada interessante para contar a vocês. Fazendo uma busca no PubMed, encontrei apenas dois estudos tentanto mostrar que Goji Berry poderia ser benéfica à pele:

Mice drinking goji berry juice (Lycium barbarum) are protected from UV radiation-induced skin damage via antioxidant pathways.

Um… Os ratos que beberam suco de goji berry ficaram com a pele mais resistente ao raios solares. Fico feliz por eles. No entanto, se a gente for pesquisar, vai encontrar centenas de estudos publicados que alimentos muito mais comuns a nós, como chocolate, também poderiam ajudar a pele a ficar mais resistente contra os raios solares, devido a suas propriedades antioxidantes.

Lycium barbarum glycoconjugates: effect on human skin and cultured dermal fibroblasts.

Resumidamente, este estudo mostrou que extrato de Goji berry aplicado em fibroblastos (células presentes na pele), estimulou a produção de colágeno. Que importância tem este estudo? Praticamente nenhuma! Além de vários outros motivos que tornaria o artigo enfadonho se eu os citasse aqui, o estudo foi feito in vitro; isto é, fora de sistemas vivos. Traduzindo: pegaram células da pele, colocaram em placa de petri (ou em um tubo de ensaio, em um pote de sorvete vazio, que seja…) e por cima jogaram suco de Goji berry para “ver no que que dava”. Embora, obviamente, muitos estudos in vitro também tenham valor, eles devem ser vistos apenas como “ponto de partida”. Isso porque os resultados in vivo podem ser completamente diferentes dos resultados in vitro. Ah, mais uma coisa: o estudo foi feito por uma empresa que desenvolve produtos de fontes naturais. Vocês acham que o resultado poderia ter sido diferente?

Conclusão: eu tenho alguma coisa contra Goji berry? De forma alguma! A fruta parece ser uma delícia. E, como toda fruta, é rica em vitaminas e outros nutrientes importantes. Existe algum motivo para pagar caro por produtos com Goji berry, principalmente cosméticos? Enquanto não publicarem estudos melhores, não!

No post de amanhã: Shiseido White Lucent Brightening Moisturizing Gel W. Já aviso que o produto pertence à linha global da marca, portanto, é fácil de encontrar.

Crédito da primeira imagem: The Guardian.