ATENÇÃO: esta é uma continuação de outros artigos. Não leiam este artigo antes de ler os anteriores:
O próximo – e último – mecanismo de um ingrediente aprovado como quasi-drug no Japão é relativamente simples: aceleração da renovação celular da pele. O ingrediente aprovado como uma quasi-drug no Japão e que seria capaz de fazer isso chama-se Adenosine Monophosphate Disodium Salt (não costumo traduzir os nomes, e sim usá-los como comumente serão encontrados nas listas de ingredientes dos produtos). Foi sugerido a que a aplicação tópica deste ingrediente pode estimular a renovação celular , que tende a ficar mais lenta à medida que envelhecemos, de forma segura. (Arch Dermatol Res. 2008 Oct;300(9):485-93. Epub 2008 Aug 30.). Diz-se que a aplicação tópica de monofosfato de adenosina preveniria o acúmulo de melanina por acelerar a renovação celular. Um estudo demonstrou que a aplicação de 3% deste ingrediente é efetiva para melhorar o aspecto de desordens hiperpigmentares, como melasma. (Int J Mol Sci. 2010; 11(6): 2566–2575.).
Não vou citar nenhum produto com adenosina monofosfato porque não encontrei nenhum que parece ter 3% desta substância.
De qualquer modo, qualquer ácido com potencial para “esfoliar” a pele, em geral, poderia proporcioanar um efeito similar. Não é porque o ingrediente X não foi aprovado como qausi-drug no Japão que este ingrediente, necessariamente, não seja efetivo e/ou seguro. Pode ser que o motivo seja apenas que nenhuma empresa ainda requereu a aprovação do ingrediente X.
Mas muito cuidado: vejo muitas pessoas, na ânsia de ver as manchas clarearem, irritarem a pele com uma aplicação “excessiva” de “ácidos esfoliantes” ou até esfoliantes físicos. De acordo com muitos dermatologistas, qualquer coisa que seja “agressiva” para a pele pode piorar o melasma. Portanto, salvo sob orientação do dermatologista, não esfoliaria minha pele com algo que não fosse “suave”.
Bom, a série sobre os ingredientes clareadores de manchas aprovados no Japão, em um primeiro momento, acaba aqui.
Como vocês perceberam, foram aprovados diversos ingredientes e produtos. Como escolho quais usar, com tantas opções?
Cosméticos (ou cosmecêuticos, dermocosméticos, como queiram chamar) não costumam ser coisas suportadas por muitos – e bons – estudos. Em se tratando de medicamentos, muitas vezes (embora nem sempre) existem amplos estudos comparando o medicamento X com o Y e o placebo. Já com cosméticos, isso não ocorre. Não existe publicado, por exemplo, nenhum grande estudo – ou até pequeno – comparando um clareador da Shiseido a um da Lancôme. Pessoas céticas, o que é o meu caso, têm de se contentar com duas coisas na hora de realizar escolhas:
1 – Evidências indiretas: não conheço nenhum estudo publicado em um periódico acadêmico, por exemplo, sobre o Lancôme Bright Expert Dark Spot Corrector. No entanto, o produto contém um pouco de ácido elágico. E sei que, como mostrei aqui, foi publicado um pequeno estudo sobre o ácido elágico mostrando que o mesmo pode ajudar a prevenir que a pele escureça. Logo, existe uma evidência indireta de que o produto pode ajudar.
2 – Lógica: nem todo raciocínio que é baseado em lógica está correto. Na verdade, muitos não estão. Ainda assim, a chance de um racicínio baseado em lógica estar correto tende a ser maior que a de um raciocínio não baseado em lógica. Dito isso, procuro fazer escolhas baseado em raciocínio lógico. Exemplo: vamos supor que o produto X tenha apenas ascorbyl glucoside. Já o produto Y tem ascorbyl glucoside e arbutin. Logo, pela lógica, considerando que o produto Y tem dois ingredientes que atuariam por dois mecanismos diferentes, tendo a achar que o produto Y possa proporcionar um resultado melhor que o X. E acabo comprando o Y.
Muitos pesquisadores têm opinião parecida. Um exemplo é este da Kanebo – visto que as manchas e a síntese de melanina ocorrem por vários mecanismos diferentes, é mais lógico pensar que produtos que atuem contra as manchas também por diversos mecanismos diferentes poderiam proporcionar melhores resultados:
Dr. Minoru Sasaki.
Sendo assim, pessoalmente, gosto de misturar vários produtos ou usar um produto contendo vários ingredientes diferentes para combater minhas manchas. Há algum tempo, por exemplo, estava usando o Kanebo Blanchir Superior White Deep Night Conditioner II, que contém Rhododenol e atuaria pela inibição da atividade da tirosinase; o Curél Whitening Moisture Face Milk, que contém extrato de camomila e preveniria hiperpigmentação pela ação anti-inflamatória; e um medicamento prescrito pela minha dermatologista (ela sabia que estava usando outros produtos) e que “acelera” a renovação celular. Logo, estava combatendo as manchas por pelo menos três “caminhos” diferentes.
Como praticamente não tenho mais manchas, atualmente só uso a linha Astalift, da Fujifilm. Como prevenção. Quem acompanha meu blog sabe que resenhei diversos produtos da Astalift… Embora a linha da Astalift que eu esteja usando não seja especificamente clareadora, os produtos contêm derivados de vitamina C (que podem ajudar a clarear, como já mostrado nesta série sobre clareadores japoneses) e astaxantina. Astaxantina talvez ajude a clarear manchas e/ou prevenir que elas escureçam porque a Fujifilm demonstrou que é um excelente antioxidante e tambén que pode ajudar a inibir a produção de citocinas pró-inflamatórias, que estão envolvidas no surgimento das manchas. (Fonte). A linha que estou usando não tem uma proposta voltada especificamente ao clareamento, mas acredito que também ajude.
O que esperar de todos estes produtos/ingredientes citados? Um resultado bastante discreto, já que não são medicamentos. São produtos de venda livre. Significando que têm de ter um perfil de segurança muito elevado e, consequentemente, não costumam proporcionar um resultado realmente expressivo.
Este é o “antes e depois” que a Fujifilm mostra como resultado do uso de um serum clareador da marca após 4 semanas de uso:
Crédito da imagem: http://www.fujifilm.com/
Vejam que após quatro semanas de uso do serum da marca a mancha ficou ligeiramente menor e mais clara, o que já é feito grande para um produto que não é um medicamento.
O que é animador é que cada vez mais vem se descobrindo coisas sobre a síntese de melanina e o surgimento das manchas. Pesquisadores da Shiseido, por exemplo, demonstraram em 2004 que a melanina presente em certas manchas pode ser formada fora dos melanócitos . O trabalho publicado pela empresa ganhou bastante destaque e foi publicado no Journal of Investigative Dermatology, que é o periódico acadêmico com maior impacto na área. Esta descoberta levou ao desenvolvimento de um derivado de vitamina C que não teria um efeito clareador apenas pela ação antioxidante. Mais detalhes:
“Abstracts de Trabalhos Apresentados no 23º Congresso do IFSCC
24-27 outubro 2004
Orlando FL, Estados UnidosUm Novo Mecanismo de Pigmentação Induzido por UVA fora do Melanócito
Kiyoshi Sato, Takayuki Ono, Kazuhisa Maeda, Masato Hatao – Shiseido Research CenterUma baixa dose de radiação ultravioleta (UVA) causa escurecimento imediato e temporário da pele de sujeitos cujos tipos de pele podem ser classificados como II a IV. O mecanismo de pigmentação induzido por UVA é considerado diferente do da radiação ultravioleta B (UVB) porque a pigmentação induzido por UVB mostrou acúmulo de melanina nos queratinócitos que circundam a membrana basal. Levantamos a hipótese de que as substâncias podem ser melanizadas após o acúmulo de radiação UVA nos queratinócitos. Nossas experiências, usando sobrenadantes de cultura de melanócitos, provaram que os melanócitos liberaram substâncias para o meio de cultura, as quais foram polimerizadas para melanina pela UVA. Tais substâncias foram extraídas com acetato de etila e identificadas como sendo ácido 5,6-di-hidroxindol-2-carboxílico (DHICA), 5,6-di-hidroxindol (DHI) e seus derivados. Essas substâncias sintetizadas quimicamente mostraram que formam facilmente material semelhante à melanina por radiação UVA, numa solução tamponada. Em co-cultura com melanócitos, os queratinócitos captaram para seu interior esses monômeros melanogênicos, e foram escurecidos pela radiação UVA. Esses achados sugerem que um dos mecanismos relacionados com a pigmentação por UVA é que os monômeros melanogênicos produzidos pelos melanócitos são transferidos para queratinócitos e polimerizados para melanina nos queratinócitos por radiação UVA. Com base em nossos achados, a melanização do DHICA por UVA foi usada como índice para triar ingredientes pela capacidade de inibir pigmentação induzida por UVA. Constatou-se que um derivado da vitamina C, o ácido etil-ascórbico, inibiu a melanização do DHICA e pode ser uma droga candidata e antipigmentação induzida por UVA.”
Fonte: Cosmeticsonline.
Outras estratégias usadas pelas japonesas:
Prevenção, prevenção e prevenção: acho que está bem claro para todos os que acompanham o meu blog que uma das principais estratégias das japonesas para prevenir e combater as manchas é a prevenção por meio da proteção solar – feita de forma disciplinada. Muitas vezes, até protetores infantis e para bebês têm substâncias “complementares” para prevenir manchas, como derivados de vitamina C e extrato de romã, que pode ser rico em ácido elágico;
Suplementos prometendo evitar manchas: já discuti o assunto aqui.
Monitorar as manchas por métodos objetivos: uma coisa bem legal é que em muitas lojas japonesas há aparelhos de imagem que mostram detalhes sobre a pele dos clientes. Geralmente isso é oferecido de graça. O cliente pode comprar um produto e retornar algumas semanas após o uso do mesmo para saber se o produto está funcionando ou não. Já aqui, estes aparelhos – como o Visia – só costumam estar disponíveis em clínicas de alguns dermatologistas. Geralmente a um preço bastante alto. Até APP eles criaram para monitorar as manchas. Monitorar as manchas por métodos objetivos é interessante porque a nossa memória não é lá muito boa. Podemos nos enganar e pensar que um cosmético que está proporcionando bons resultados não está funcionando e vice-versa. Com fotos para comparar, não precisamos contar apenas com a nossa memória.
Twitter do blog: @easttowestsc

Realmente muito interessante (e instigante) essa hipótese de que poderia haver uma pigmentação Induzido por radiação ultra-violeta A pelo “lado de fora” do Melanócito, uma vez que UVA é constante e independe de altitude, variação sazonal, ou genética. (então esse escurecimento se daria diretamente na epiderme??)
Por fim acho muito difícil e duvidoso que seja desenvolvido alguma droga de uso oral ou intravenosa para fins de clareamento por “inatividade” de melanócitos, uma vez que os mesmos se encontram distribuídos em lugares distintos como retina e até no SNC. Dessa forma os cosmecêuticos ou as quasi drug ainda são de longe a melhor alternativa (depois da prevenção claro).
q produtos vc usou para manchas Pedro?
A resposta está no texto, Paola.
tô perdida,me desculpe
Pedro,
Já estou esperando pelo livro.
Beijos,
Cláudia
Haha Eu tenho até medo se um dia eu tiver vontade de escrever um livro. Em se tratando de tamanho, viraria uma bíblia.
Pedro, você sabe qual o percentual de vitamina c no eco science powder da innisfree? É vitamina c pura?
Oi, Tati. A resposta está no artigo que escrevi sobre o produto:
http://easttowestskincare.com/2012/06/15/alternativa-interessante-ao-philosophy-turbo-booster-c-powder/
Ah, tá! Desculpe a ignorância mas…60% de vitamina c seria mais que o percentual de vit c no CE ferulic? Ou depende da quantidade do pó a ser aplicado? Venho usando o produto a dois meses e gostei muito dos efeitos na pele. Misturo com retexturing. Dai estou na duvida se recompro ele ou o ce ferulic…Obrigada mais uma vez!
O produto tem 60% de vitamina C + quase 20% de um derivado de vitamina C, o CE Ferulic tem 15% de vitamina C. Então, dependendo da proporção que tu usares do pó na mistura, a quantidade de vitamina C obtida pode ser maior que no CE Ferulic, sim. Mas mais vitamina C, necessariamente, não é melhor…
Pedro, parabéns pelo site! Tenho uma dúvida: minha dermatologista receitou o Dual Clear SC Emulsion da Ada Tina (Alfa-arbutin 7%, Tirosinase Inhibitor Factor: Inibição da enzima tirosinase, Endotelin-1 Inhibitor Factor e Lipo-ascorbil). Você conhece algum produto que seja equivalente a esse? Ou o produto que você considera melhor para clareamento de manchas? O preço dele é muito caro para 15ml. Obrigado
Não conheço produto similar, Livia. E infelizmente também teria como citar um “melhor”, já que isso vai depender do caso e eu não deveria interferir na prescrição do tua dermatologista. Uma sugestão é pedires a ela uma alternativa mais em conta.
Oi Pedro. Estou pensando em incluir na minha rotina produtos para prevenção de manchas. Não tenho qualquer mancha na pele no momento, sendo assim, usar produtos específicos para manchas numa pele saudável poderia ter algum efeito adverso?
Desconheço qualquer indicação formal. Eu mesmo uso como prevenção.
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