Um Breve Panorama do Que Existe no Japão para Clarear Manchas – Parte II

ATENÇÃO: esta é uma continuação deste artigo. Por favor, não leiam este artigo antes de ler o artigo que está no link.

Como já havia explicado na parte I, a principal estratégia para clarear as hiperpigmentações é tentar inibir a síntese de melanina. E para tentar inibir a síntese de melanina, há vários “caminhos” possíveis. Muitas vezes estes “caminhos” são usados em conjunto em um só produto ou em vários produtos de uma só linha. Voltem ao primeiro artigo e releiam o último quadro que coloquei lá, com as estratégias e ingredientes mais usados no Japão ao combate às manchas.

Ok. Quem já leu não precisa voltar, coloco aqui novamente:

Fonte: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2920561/

INIBIÇÃO DA ATIVIDADE DA TIROSINASE, por:

A) Ação-antioxante —> visto que reações oxidativas estão envolvidas na síntese da melanina, acredita-se que o uso de antioxidantes possa ajudar a clarear as manchas ou prevenir que elas escureçam.

Com esta finalidade, os ingredientes mais usados no Japão são os derivados de vitamina C e a própria vitamina C (Int J Mol Sci. 2010; 11(6): 2566–2575.). Quase todos os derivados de vitamina C existentes no mundo e que são usados em cosméticos foram desenvolvidos pelos japoneses.

Já escrevi artigos sobre dois: ascorbyl glucoside (AA2G) e magnesium ascorbyl phosphate (VP-PMG).

Um pequeno estudo clínico mostrou que uma fórmula com 10% de magnesium ascorbyl phosphate é eficiente para reduzir a hiperpigmentação em algumas pessoas. (J Am Acad Dermatol. 1996 Jan;34(1):29-33.).

É muito, muito difícil encontrar um cosmético no mercado com mais de 3% de VC-PMG. A única forma que vejo de se usar algo com pelo menos 10% de VC-PMG, que eu saiba, é “apelando” ao MAP-15 Regenerator, da americana Dermatologica, que tem 15% de magnesium ascorbyl phosphate.*

Crédito da imagem: http://www.dermstore.com

Um outro estudo – realizando no Japão – com um serum clareador da Dior contendo 3% de magnesium ascorbyl phosphate (os japoneses adoram Dior; e eu também), mostrou que um serum testado da marca também pode proporcionar um efeito clareador após seis semanas de uso. O estudo envolveu um número ridículo de voluntários: 15. Mas considerando que foi independente, que as avaliações foram realizadas com métodos objetivos e os outros estudos in vitroin vivo sobre o assunto, talvez não seja um número tão ridículo assim. Vale lembrar que não se exige de um cosmético o mesmo nível de evidência científica que se exige de um medicamento.

Já em relação ao asorbyl glocoside, um estudo realizado pela Shiseido mostrou que exerce uma atividade biológica por um tempo maior do que o magnesium ascorbyl phosphate. (J Nutr Sci Vitaminol (Tokyo). 1998 Jun;44(3):345-59.)

Outro estudo mostrou que a aplicação de 2% deste derivado de vitamina C acelera o desaparecimento da hiperpigmentação induzida pelos raios UV-B. (Int J Mol Sci. 2010; 11(6): 2566–2575.).

Embora eu acredite que muitos produtos no mercado tenham por volta de 2% de ascorbyl glocoside, poucas empresas informam a quantidade usada. Mas uma forma de ter certeza de que você está aplicando um produto com no mínimo 2% de ascorbyl glucoside é usando o Innisfree Eco Science White C Powder Ampoule, que tem 17.6% de ascorbyl glucoside.

Tá. Mas qual o melhor derivado de vitamina C?

“Melhor” é um termo que vai depender de muitas variáveis, como a sensibilidade pessoal de cada pessoa. E para responder com mais precisão, eu teria de ter lido alguma revisão na literatura científica sobre o assunto, o que infelizmente acho que não existe. De qualquer forma, considerando os estudos que li e alegações dos fabricantes, tendo a achar que o derivado de vitamina C mais interessante, em geral, é o ascorbyl glucoside. Os formuladores de cosméticos parecem achar o mesmo, uma vez que este é o derivado de vitamina C que venho encontrado na maioria das marcas, sejam as ocidentais ou asiáticas.

Pessoalmente, no entanto, como já discutido nos posts aqui colocados em links, prefiro a vitamina C propriamente dita (ácido ascórbico). Os motivos já foram apontados nos posts dos links. Por outro lado, não é todo mundo que tolera o ácido ascórbico. Se esse fosse o meu caso, eu optaria por um derivado de vitamina C, já que eles costumam ser formulados em um pH próximo ao do manto hidrolipídico da pele; por isso tendem a irritar menos a pele do que o ácido ascórbico.

O que esperar de vitamina C e seus derivados, de um modo geral? Eu usaria (uso) como coadjuvantes, como um “bônus” em relação a outros ingredientes e produtos.

B) Uso de quelantes —> o uso de quelantes no clareamento das manchas é feito com o objetivo de “sequestrar” os íons de cobre. A atividade da enzima tirosinase é dependente de cobre. Se o cobre for “privado” por algum outro “agente”, não há como ocorrer a formação da melanina.

Dois ingredientes são usados no Japão para tal finalidade: ácido kójico e ácido elágico.

O ácido kójico pode ser derivado da fermentação do saquê ; e em estudos clínicos o uso de 1% de ácido kójico demonstrou ser efetivo para tratar desordens da pigmentação – como melasma, hiperpigmentação pós-infalamaória, “manchas solares” etc. (Int J Mol Sci. 2010; 11(6): 2566–2575.).

Particularmente gosto muito de produtos com ácido kójico, por motivos que comentarei no futuro. A Nicki do Futurederm entrou em mais detalhes sobre o ácido kójico, mostrando suas vantagens e desvantagens, aqui.

Um problema em relação ao ácido kójico, como mostrei neste post, é que tende a ser muito instável.

Só compraria produtos contendo ácido kójico oriundos de empresas que me passam muita segurança. E uma destas empresas é a japonesa Kosé Corporation, que oferece, por exemplo, o Cosme Decorte Whitelogist Spost Concentration EW.

Crédito da imagem: http://www.cosmedecorte.com/

Este serum, alegando ter um “sistema de liberação” que faz o produto “penetrar profundamente”, conta com ácido kójico e diversos outros ingrediente que podem ter ação antioxidante, como extrato de semente de café.

Apesar de ter textura bastante leve, promete hidratar mesmo as áreas mais ressecadas da pele.

Como é um produto muito famoso, vocês irão encontrar diversas resenhas em inglês sobre o mesmo. Amostras podem ser compradas na Cosme-de e/ou Bobodave.

Infelizmente é bem caro (por volta de US$100), já que faz parte de uma linha bem high end da Kosé, mas uma opção ligeiramente mais em conta é o Infinity Realizing White XX.

Crédito da imagem: http://www.kose.co.jp/

É um serum leve e fresco e de boa espalhabilidade, bom para quem mora em clima quente e úmido.

Não sei onde comprá-lo, mas talvez possa ser encomendado na Ichibankao.

Também confio muito no La Roche Posay Biomedic Pigment Control, claro, mas infelizmente tem mais álcool do que minha pele tolera. E considero sua textura desconfortavelmente pegajosa.

Outro ingrediente que atua de modo similar ao ácido kójico é o ácido elágico, um polifenol naturalmente encontrado no romã.

Um estudo demonstrou que a aplicação de um creme contendo 0.5% de ácido elágico foi efetivo para tratar a hiperpigmentação causada pelos raios UV-B. (Int J Mol Sci. 2010; 11(6): 2566–2575.).

Apesar de o ácido elágico para uso cosmético ter sido obtido por uma empresa japonesa (como de praxe) (Int J Mol Sci. 2010; 11(6): 2566–2575.), não vejo muito este ingrediente em produtos japoneses.

De qualquer modo, um produto interessante contendo ácido elágico é o Kiehl’s Photo-Age High Potency Spot Treatment.

Crédito da imagem: Kiehl’s.

Até o momento eu usaria este produto e o ácido elágico apenas como um “coadjuvante”. Pelo que li até o momento, não me pareceu que seja uma substância com grande potencial para o clareamento. Pelo menos não se usada sozinha.

Aguardem a Parte III. Ainda tem muito, muito assunto pela frente.

*necessita confirmação da própria empresa.

Twitter do blog: @easttowestsc

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16 respostas para Um Breve Panorama do Que Existe no Japão para Clarear Manchas – Parte II

  1. Assim como o ác ascórbico, tem derivados do ácido kójico bastante estáveis e eficientes… já que ele é “chatinho”. Será que os derivados são japoneses? rs
    A Melora lista até o EDTA (complexante de metal básico) como princípio ativo no creme despigmentante deles, e isso acaba aumentando a vida útil do protagonista (ác. kójico).

    • A “alternativa” mais estável ao ácido kójico seria o ácido kójico dipalmitato, mas não encontrei nenhum estudo independente sobre o mesmo (nem com conflitos de interesses, para ser sincero). E, ao contrário do ácido kójico, também achei seu peso molecular muito alto para que eu imagine que o mesmo penetre de modo eficar na pele.

  2. Pedro na maioria das fórmulas manipuladas eu vejo a associação de kójico + arbutin + glicólico, cada ácido não atua em um pH diferente? qual o melhor pH para o ácido kíjico? obg!

  3. Turbo Booster C Powder funciona mesmo?dá luz?uso o biomedic da La Roche

  4. essa é a linha da Dermatológica pra clareamento:
    http://www.dermalogica.com/us/html/products.html?type=product_system&id=ChromaWhite+TRx%C2%AE
    tenho manchas devido a um atropelamento,já fiz laser,usei hidroquinona,enfim,muita coisa.
    não acredito q exista algo q apague de vez as manchas;no máximo uma melhora e sim,ácido retinóico ajuda em tudo.não tenho uma pele de 44 anos,mas de 35…sério

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