Quem nunca tomou e/ou comeu vinho, Yakult, molho shoyu, vinagre, pão, iogurtes e tantos outros alimentos? Como todo mundo provavelmente sabe, o que há em comum entre eles é que são alimentos produzidos por meio do processo de fermentação. No processo de fermentação, microorganismos “amigos” (podem ser fungos ou bactérias, depende do que se deseja e do tipo de alimento a ser fermentado) modificam o sabor dos alimentos. Além disso, o processo de fermentação aumenta o prazo de validade dos alimentos fermentados (Microbiology of Fermented Foods).
O que pouca gente sabe é que, na Ásia, o processo de fermentação também é usado para produzir não só alimentos e bebidas, mas cosméticos.
Uma das principais marcas de cosméticos com extratos fermentados, a SUM:37, da LG, alega que o processo de fermentação proporcionaria as seguintes vantagens em relação aos extratos vegetais não fermentados: aumentaria quantidade de “substâncias ativas” e “quebraria” determinas moléculas a um tamanho que elas poderiam penetrar na pele de forma mais profunda e rápida.
Sum:37: embalagens lindas e geniais, como de praxe em marcas sul-coreanas. Crédito da imagem: LG.
Não estou certo, mas os estudos que encontrei sugerem que fermentar certos vegetais pode ser interessante para a pele, sim.
De modo geral, este estudo (Nat Prod Commun. 2010 Aug;5(8):1277-82.) mostra que extratos vegetais fermentados podem ser menos citotóxicos do que os não fermentados, sugerindo que, talvez, sejam mais seguros para a pele.
Cada extrato vegetal fermentado pode ter um efeito. Não tenho como entrar em detalhes sobre cada um deles porque só a LG usa por volta de quarenta. Este post será apenas sobre dois: o que acho mais interessante, o de soja, e o mais famoso: o de sake, que é uma espécie de cachaça japonesa oriunda da fermentação do arroz.
Soja
Este estudo publicado pela japonesa Yakult mostrou que leite de soja fermentado por Bifidobacterium, rico em duas isoflavonas (genisteína e daídezina), provocou mudanças reológicas e fisiológicas tanto na pele de ratos quanto na de humanos.
Na pele dos ratos, a aplicação durante seis semanas de leite de soja fermentado aumentou a elasticidade da mesma, hidratou, aumentou a espessura e ainda o conteúdo de ácido hialurônico. Ratos são considerados modelos relativamente bons para prever o que ocorreria nos seres humanos…
Já na pele humana, o estudo mostrou que a aplicação durante três meses de um gel contendo 10% de leite fermentado de soja significativamente diminuiu a perda de elasticidade da pele.
Vale destacar que alguns estudos vêm mostrando que a aplicação tópica da isoflavona genisteína, seja extraída de extratos fermentados ou não, podem ter algum efeito “rejuvenescedor” e até ajudar a proteger a pele dos raios UV. Mais detalhes e referências aqui. Isso aumenta as evidências sugerindo que cosméticos com extratos fermentados de soja realmente podem ter propriedades interessantes.
Este (J Appl Microbiol. 2009 Feb;106(2):459-66.), publicado por pesquisadores da USP de Ribeirão Preto, mostrou que extrato de soja fermentado por fungos adquire uma ação antioxidante melhorada, o que pode ser útil para ajudar a prevenir a pele contra os efeitos negativos do sol.
A sul coreana Amore Pacific também estuda os efeitos que extratos fermentados de soja podem proporcionar à pele. Este estudo (Bioorg Med Chem Lett. 2010 Feb 1;20(3):1162-4. Epub 2009 Dec 6.), patrocinado pela empresa, concluiu que certas isoflavonas encontradas em pasta fermentada de soja podem ser importantes inibidores da produção de melanina, significando que cosméticos com soja fermentada podem ajudar a clarear manchas, a uniformizar o tom da pele.
Já este (Phytother Res. 2011 Dec 9. doi: 10.1002/ptr.3682.), sugeriu que extrato fermentado de soja pode ser tão efetivo quanto o ácido kójico (talvez sem as desvantagens do mesmo: causar dermatite de contato em um número considerável de pessoas, baixa estabilidade, entre outros problemas). Há mais estudos publicados pela empresa sobre extratos fermentados de soja, estou citando apenas alguns exemplos.
A marca da Amore Pacific que conta com extrato fermentado de soja é a Hyosiah.
Crédito da imagem: http://en.amorepacific.com/
Infelizmente a Hyosiah, também chamada de Hyosia, não tem site em inglês. Mas estou muito interessado na emulsão hidratante da linha, no creme para a área dos olhos e um serum que, além do extrato fermentado de soja, conta com niacinamida.
Sake
Um dos produtos do processo de fermentar arroz para produzir sake é o ácido kójico. Há evidências convincentes de que ácido kójico pode ajudar a clarear manchas da pele. Aqui vocês podem ler um pouco sobre esta substância. Mas a história não para por aí…
A anedota por trás do extrato de sake (estas anedotas são super importantes para efeitos de marketing rs) conta que cientistas japoneses perceberam que as mulheres que trabalhavam com as mãos na produção de sake apresentavam rosto com rugas, mas mãos macias e joviais. Então o extrato responsável por este feito teria sido descoberto e isolado, ganhando o nome de Pitera – e sendo usado na SK-II, uma marca da Procter & Gamble.
Crédito da imagem: http://www.sk-ii.com.au
De acordo com a Procter & Gamble, Pitera seria rica em aminoácidos, vitaminas etc., o que proporcionaria efeitos muito desejados na pele.
Pode ser. Mas não encontrei estudos convincentes sobre o extrato de Pitera. De qualquer modo, Pitera é apenas um dos ingredientes usados nos cosméticos da excelente SK-II. A marca tem produtos contendo niacinamida, ácido salicílico, retinóides etc. Acho fantástica. Pena que é muito cara, mas mesmo assim quero experimentar agumas coisas da SK-II, que também é vendida em vários países do ocidente, como Estados Unidos.
Apesar de a SK-II ser da americana Procter & Gamble, na prática é uma marca japonesa. Entro em mais detalhes sobre isso no futuro, quando for resenhar alguma coisa deles.

















