Sobre os Testes em Animais Realizados pela Indústria Cosmética

Muita gente me pergunta se as empresas de cosméticos asiáticas realizam testes em animais. Não realizam mais nem menos que as ocidentais. Como há muita desinformação sobre o assunto, resolvi criar um post sobre os testes em animais realizados pela indústria cosmética de um modo geral.

Eu sei que o post ficou grande. Não é possível comentar sobre o assunto escrevendo pouco. Mas acreditem, o original que escrevi estava muito maior. Não descaerto escrever uma parte II sobre este assunto.

1 – Quais são os segmentos da indústria que realizam testes em animais?

De forma indireta, todos. De forma direta, uma boa parte. Alguns exemplos: a indústria de alimentos para seres humanos usa conservantes e diversos outros aditivos que foram ou são testados em animais. A indústria de alimentação animal também realiza diversos testes em animais. Um exemplo de marca que testa em animais é a Mars, fabricante de Pedigree, Whiskas etc. Clicar aqui para mais informações sobre os testes realizados pela Mars.

A indústria bélica, a de medicamentos, automotiva, química etc. etc. etc. Todas elas realizam testes em animais.

A tinta usada no mouse do computador que você está usando teve/tem muitos componentes testados em animais.  Aliás, por isso mesmo não entendo vegan que tem computador em casa. São coisas contraditórias. Grosso modo, a “filosofia” dos vegans é não usar qualquer coisa com componentes de origem animal ou que tenha sido testada em animais. Logo, um vegan de verdade não usaria computador, uma vez que nos computadores há diversos materiais com componentes testados em animais.

Se você for a uma feira e comprar tomates, os componentes dos agrotóxicos contidos neles foram testados em animais. “Mas só compro tomate orgânico”. Pois saiba que o próprio tomate já foi testado – e continua sendo  - testado em animais. Se hoje nós formos digitar “tomato + mice”  no Pubmed, encontraremos quase 2500 artigos publicados. Isso envolvendo apenas um animal (camundongo) e apenas um alimento (tomate).

A indústria cosmética é apenas mais uma, entre milhares de outras, que realiza testes em animais.

2 – Por que a indústria cosmética realiza testes em animais?

Certamente, não é porque gosta! Testes em animais são muitos caros, burocráticos e horríveis para a imagem das empresas. Geralmente, a indústria cosmética testa em animais por dois motivos:

A – Às vezes ela desenvolve uma substância nova ou quer usar algum extrato vegetal novo, com efeitos ainda desconhecidos pela ciência. Nesse caso, costuma ser obrigatório (às vezes até pela legislação de vários países) que sejam feitos testes em animais antes dos testes em seres humanos;

B – Porque muitas empresas de cosméticos investem em ciência de base nas áreas médicas e biomédicas. Se a gente for pesquisar no Pubmed, vai encontrar diversos trabalhos publicados por empresas como L’oréal, Shiseido, Kao Corporation e muitas outras sobre, por exemplo, melanoma, que é um câncer considerado muito perigoso. Muitos dos estudos sobre o melanoma seriam impossíveis sem o uso de animais, já que não há nenhum modelo artificial (in vitro) que reproduza toda a complexidade do organismo dos animais. Só um exemplo… Obviamente, quem é contra os testes em animais costuma estar com as melhores intenções possíveis. Só psicopatas querem ver os animais sofrer. Mas aí está um porquê não é interessante impedir que a indústria cosmética (ou qualquer outra) realize testes em animais. Já não é investido muito dinheiro pelo governo para a pesquisa de doenças, se até a indústria privada for proibida…

Já testes para avaliar, por exemplo, a irritação ocular causada por um xampu, são raramente feito em animais hoje em dia. Porque existem alternativas. Produtos acabados  não costumam mais ser testados faz bastante tempo. As empresas, em geral, só testam em animais para quando realmente não há alternativas.

3  - E quando não há alternativa?

Em muitos casos. Como já expliquei na pergunta anterior, quando se quer investir em ciência de base, o uso de animais costuma ser uma necessidade. Além disso, quando se quer estudar o ação de uma substância nova (ou um extrato vegetal, o que seja), também não costumam haver alternativas para todos os testes necessários.

Em 2010, especialistas da União Europeia, sem conflitos de interesses, publicaram uma lista de testes necessários a indústria cosmética para os quais ainda não há alternativas ao uso de animais.

Toxicidade por dose repetida: de acordo com o relatório, nenhuma alternativa completa ao uso de testes em animais para este tipo de teste surgirá nos próximos anos. É uma área extremamente difícil para se desenvolver alternativas  aos testes em animais. Testes in vitro (em modelos artificiais), porém, podem ajudar a reduzir a quantidade de animais necessária atualmente. Reduzir, não eliminar;

Sensibilização cutânea: para isso, os especialistas estão otimistas. Os especialistas do relatório afirmaram que entre 2017 e 2019 provavelmente irão surgir alternativas que poderão substituir completamente o uso de animais em testes de sensibilidade cutânea. Essa data só não leva em consideração o tempo para que os testes sejam aceitos pela ECVAM (Europe Centre for the Validation of Alternative Methods);

Carcinogenicidade: esta é uma área tão difícil para desenvolver-se alternativas aos testes em animais que os pesquisadores nem arriscaram uma data para que surjam alternativas.

“Although a timeline for full replacement cannot be developed, clearly the timeline is expected to extend well past 2013,”  alegaram os especialistas.

Toxicocinética: os especialistas acreditam que se for feito um esforço extremo (em outras palavras), o que inclui uma enorme quantidade de cientistas dando o melhor de casa um e muito, mas muito dinheiro mesmo, poderão surgir alternativas para substituir testes de toxicocinética entre 5 e 7 anos.

Agora pergunta: falida do jeito que a União Europeia está, vocês acham que há dinheiro para isto?

Trecho do relatório:

“Given best working conditions, including resources in money and manpower it could be predicted that an integrated approach linking the results from in vitro/in silico methods with physiologically based toxicokinetics in order to characterise different steps involved in toxicokinetics would be available within 5 to 7 years whereby the development of in vitro methods for renal excretion and absorption via the inhalation route are the rate limiting steps.”

Toxicidade reprodutiva: alternativas para o fim total do uso em animais de testes de toxicidade reprodutiva provavelmente não surgirão antes dos próximos 10 anos, afirmam os especialistas.

Conclusão: muitas alternativas aos testes em animais podem surgir nos próximos anos. Mas alternativas para TODOS os testes necessários, é improvável que surja nas próximas décadas.

Para quem quiser ler o relatório, clicar aqui.

4 – Quais seriam as consequencias de vender cosméticos com substâncias que não passaram por estes testes?

Muitas. Todas terríveis. Os cosméticos poderiam causar desde problemas aos fetos das gestantes, passando por câncer e até causar a morte. Voltaríamos a produzir cosméticos como durante o Império Romano.

Recentemente, os historiadores descobriram que os cosméticos produzidos na Roma antiga eram relativamente similares aos de hoje. Porém, obviamente, eles não passavam por todos os testes a quais são submetidos atualmente. E por isso causaram diversos problemas à saúde dos usuários. Os formuladores da época usaram por muito tempo chumbo (acetato de chumbo) nos produtos. O resultado é que uma boa parte da população teve problemas de saúde por isso (vocês sabem: intoxicação por chumbo pode causar inúmeros problemas graves à saúde, até morte). Ao observar os efeitos negativos de chumbo, os formuladores passaram a usar óxido de estanho nas fórmulas dos cosméticos. Até que isso ocorresse, no entando, várias pessoas foram expostas ao perigoso chumbo. Se os formuladores da época tivessem previamente testado o chumbo em animais, a saúde dos romanos não teria sido colocada em risco.

Para quem tem curiosidade sobre o assunto, clicar aqui.

Não é cosmético, mas dou um exemplo mais recente: no fim da década de 50 foi desenvolvida a talidomida. Na época o medicamento foi testado apenas em ratos, que são pouco sensíveis à tolidomida e por isso o medicamento pareceu ser seguro a todos. Resultado: várias gestantes que tomaram o medicamento tiveram bebês que nasceram deformados em decorrência do uso de talidomida. Hoje em dia a gente vê pessoas sem, por exemplo, parte dos braços por causa da talidomida. Se tivessem testado em mais espécies de animais, como coelhos (mais sensíveis à talidomida do que os ratos) e em animais prenhes, isso teria sido evitado.

Clicar aqui para ler mais sobre o assunto.

5 – Mas há empresas que alegam não testar em animais. Como isso é possível?

Sim, há (caso da maioria). É muito fácil testar em animais, alegar que não testa em animais e ainda por cima NÃO estar mentindo. Explico: Provavelmente vários de vocês já assistiram ao comercial da Folha, aquele que diz que é possível contar um monte mentiras dizendo só a verdade. Para quem nunca assistiu, aqui está:

Empresas que alegam não testar em animais podem fazer o seguinte:

A – Pagar para que outros laboratórios façam os testes; isto é, terceirizá-los;

B – Fundar institutos de pesquisa. Não é a empresa que está fazendo os testes, é o instituto de pesquisa X…

C – As matérias primas compradas podem ter sido previamente testadas em animais pelos fornecedores;

D – Usar substâncias que já foram testadas pelos cientistas em alguma outra ocasião. TODAS as empresas que conheço e alegam não testar em animais fazem isso. NÃO HÁ EXCEÇÃO! 100% delas fazem isso!

Vamos a um exemplo…

Earth Friendly Baby Organic Shampoo & Bodywash

Crédito da imagem: Drugstore.

Alegações:

“This product is not tested on animals which we know you would not want at all. Vegan”

O produto não foi testado em animais mesmo. Nem conheço empresas de cosméticos que ainda testem os produtos acabados em animais. Surpreso eu ficaria se tivesse sido testado. De forma alguma eles estão mentindo.

Ok., o produto, não. Mas e os ingredientes?

A lista de ingredientes:

Water, Cocamidopropyl Betaine (coconut), Sodium Lauroyl Lactylate (coconut), Decyl Glucoside (corn), Glycerine (vegetable), Phenoxyethanol, Cocamide MEA (vegetable), Lavandula Angustifolia (Lavender) Oil, Anthemis Nobilis (Roman Chamomile) Flower Oil, Glycine Soja (Soybean), Tussilago Farfara (Coltsfoot), Urtica Dioica (Nettle), Salvia Officinalis (Sage) Leaf, Salvia Sclarea (Clary Sage) Oil, Rosmarinus Officinalis (Rosemary) (Organic), Citrus Grandis (Grapefruit) Oil, Aloe Vera (Aloe Barbadensis) Gel, Xanthan Gum (vegetable), Citrus Aurantium Dulcis (Orange), Citric Acid, Limonene (essential oil)

Escolhi um ingrediente aleatoriamente: o phenoxyethanol. Digitei no Pubmed “phenoxiethanol” e “mice”. Resultado: surgiram vários estudos sobre o phenoxiethanol realizado em animais. Como este (Eur J Med Res. 2004 Sep 29;9(9):449-54).

Mais um ingrediente para exemplificar: Rosmarinus Officinalis (alecrim). Surgiram quase 50 estudos com extrato de alecrim feito em ratos. Como este (J Ethnopharmacol. 2010 Sep 15;131(2):443-50. Epub 2010 Jul 13).

Conclusão: o produto final não foi testado em animais. Mas muitos dos ingredientes usados (se não todos) foram. Tudo bem, não foi testado por funcionários da empresa. Mas foi testado por outros cientistas. E a empresa escolheu um ingrediente que foi testado em animais (claro, ela não iria colocar os consumidores em risco). Assim é fácil, né?!

A Natura alega que não testa em animais:

“(…) desde dezembro de 2003, nossos produtos não são testados em animais ou em tecidos de animais criados exclusivamente para pesquisa. Em dezembro de 2006, eliminamos também por completo estes testes em todas as etapas de pesquisa e avaliação de matérias-primas desenvolvidas exclusivamente para a Natura seja internamente como em parceiros externos. (…)”.

Ok. Não está mentindo. Ela realmente não usa tecidos de animais que foram criados exclusivamente para pesquisa. Mas dá prêmio a estudos que foram feitos em pele de porco obtidas em frigoríficos. hohohohohoho Qual é a diferença, na prática?

Leiam a reportagem:

Método inovador avalia a penetração de cosméticos na pele humana com membrana da orelha de porco, obtida em frigoríficos

Só foram alguns exemplos.

Felizmente, existem empresas de cosméticos realmente transparentes. E por isso não negam os testes. Pelo contrário, avisam claramente que testam em animais. Mesmo sabendo que perdem milhares de clientes por isso e poderiam fazer como as outras. É o caso, por exemplo, da Procter & Gamble (fabricante de Pantene, Hipoglós, Olay, Gillette, DDF Skincare, Head & Shoulders, Koleston, Vick, Pampers, Oral-B, Naturella, Frédéric Fekkai e diversas outras), Unilever (fabricante de Dove, Hellmann’s,  Ades, Seda, Tigi etc.) e Shiseido.

O que a Procter & Gamble alega:

“Sometimes, to ensure that materials are safe and effective, we must conduct research that involves animals. This is a last resort. We consider such research only after every other reasonable option has been exhausted. The vast majority of our tests do not use animals and our ultimate goal is to completely eliminate animal testing.

P&G firmly believes that ending animal research is beneficial for consumers, animal welfare, and industry. Wherever possible, we use computer models, synthetic materials, clinical studies, published scientific studies, and comments from consumers about products they use.

P&G’s product lines are diverse. We sell more than 250 brands. These brands are subject to different legal/regulatory oversight. As a result, our Animal Research policy for the Health Care business is similar to, but distinct from our policy for consumer products such as cosmetics and cleaning products.

We are also committed to helping pets live better and longer lives, and our nutritional research programs for pets are designed to do just that. This represents a third area in which we have a policy to guide our development of nutritional programs specifically for cats and dogs.

Today, more than 99% of our safety assessments are accomplished without the use of additional safety testing with animals. We reapply existing information and make extensive use of non-animal methods to determine safety. P&G is working with many partners and lawmakers globally to continue to advance science and technology in this area.

(…)”

Fonte: http://www.pg.com/en_US/sustainability/point_of_view/animal_welfare.shtml

Vejam que a empresa alega já ter eliminado aproximadamente 99% dos testes em animais. Mas 100% é impossível e muito provavelmente será pelas próximas décadas.

Shiseido:

“Shiseido does not test its cosmetic products on animals, under any circumstances. As for cosmetic ingredients, we do not conduct animal testing save for exceptional cases where it is required by law, or where there are absolutely no other alternative methods to animal testing, and therefore unavoidable to guarantee product safety*1 .

(…)

*1 Guarantee of Product Safety

If all alternative methods to animal testing were completed to confirm the safety of cosmetic ingredients, no animal testing would be required. However, at the current scientific level, not all alternative methods have been established or authorized, and in order to guarantee customer safety and security, there are now cases * in which safety tests involving animal testing are necessary according to either the law or product safety assurances.

In cases where we have no choice but to conduct animal testing, our testing plans are strictly examined by the “Animal Testing Council” that is set up in-house, to check whether they conform with the 3Rs principles (Reduction = reduction of the number of animals used; Refinement = alleviation or minimization of pain and discomfort; and Replacement = switching to non-animal testing) contained in the guidelines of the Science Council of Japan.

Fonte: http://www.asia.shiseido.com/about/specialty/approaches/animaltesting.htm

Unilever:

“Our Policy

Unilever is committed to the elimination of animal testing. We are equally committed to consumer health and safety, and to the safety of our workforce and the environment. We do not test finished products on animals unless demanded by the regulatory authorities in the few countries where this is the law. In such cases, we try to convince the local authorities to change the law.  Where some testing of ingredients is required by law or currently unavoidable, we aim to minimise the number of animals used.

In pursuit of these goals, Unilever on the one hand applies strict internal control procedures to ensure that animal testing is only carried out when no alternatives are available, and on the other hand, invests in developing and applying alternative approaches to replace animal testing in safety assessments for consumer products.

By adopting this dual approach, we advance the elimination of animal testing and reduce the number of tests to the absolute minimum. We provide transparency both in the use of animals and in the progress made in developing alternative approaches.

(…)”

Fonte: http://www.unilever.com/sustainability/consumer/testing/

Já ia esquecendo: Johnson & Johnson é outra empresa que tem posição clara sobre o assundo. Clicar aqui para quem quer ler a posição da empresa.

6 – O que vem sendo feito para que surjam mais alternativas aos testes em animais?

Muita coisa. A Procter & Gamble, por exemplo, alega já ter investido quase 300 milhões de dólares em pesquisas e desenvolvido mais de 50 métodos alternativos. Clicar aqui para ler mais. Já a Shiseido, desde a década de 90 já publicou mais de uma dezena de estudos importantes e premiados sobre o assunto. Como vocês podem ler clicando aqui, recentemente ela se uniu à Kao Corporation (concorrentes se unindo em prol de uma boa causa) para fazer ainda mais pesquisas sobre o assunto. Unilever e Johnson & Johnson também estão fazendo muitos esforços. Entrem nos sites das respectivas marcas para mais detalhes.

A ironia é que justamente as empresas que assumem testar em animais são as que mais investem em pesquisas para o desenvolvimento de testes alternativos. Já as empresas que não assumem os testes, em comparação, parecem praticamente não investir nesta área.

7 – Quero contribuir para que surjam mais testes alternativos. O que posso fazer?

A – Aceitar que sejam feitos testes em animais (quando não há alternativas). Para que pesquisas sobre métodos alternativos sejam feitas, é necessário usar animais. Se é desenvolvido um método alternativo, o resultado deste método terá de ser comparado com o resultado de um teste feito em animais…

B – Doar dinheiro a instituições que pesquisem o assunto. Posso passar uma lista para quem quiser.

Como já mostrei, escolher produtos de marcas que supostamente não testam em animais não irá causar nenhum impacto.

8 – Como são feitos os testes?

Antes de os testes serem realizados, as pesquisas costumam ter de ser aprovadas por comitês de ética. E os animais são tratados da melhor forma possível. Recebem cuidados veterinários e são criados em um abiente com condições ideais. Não só porque as empresas querem tratar os animais assim, mas também porque se eles estiverem estressados, com alguma doença ou problema prévio, os resultados dos testes não seram válidos. Além disso, a maioria das empresas segue o chamado “princípios dos 3 Rs”:

Reposição: as empresas substituem as pesquisas feitas em animais por testes alternativos sempre que possível;
Redução: as empresas reduzem ao máximo a quantidade de animais envolvidos;
Refinamento: o impacto dos testes ao bem-estar dos animais é minimizado ao máximo possível. Eles são, por exemplo, anestesiados durante os testes (caso o teste possa causar alguma dor) e eutanasiados para evitar sofrimento, quando necessário.

9  - Aceito que, por exemplo, sejam usados animais para testes de medicamentos. Mas a indústria cosmética não produz produtos muito fúteis para que eu aceite que ela faça testes em animais?

Como já expliquei, a indústria cosmética, hoje em dia, não costuma mais testar produtos acabados (um xampu, por exemplo) em animais. Ela só testa em casos extremos, quando quer estudar alguma matéria prima. E – em boa parte das vezes – os testes são feitos porque muitas empresas de cosméticos fazem pesquisa de base (pesquisas essas que podem levar ao entendimento melhor ou tratamentos de diversas doenças graves). E como uma leitora lembrou, a ciência é muito interligada. Não é porque, por exemplo, um engenheiro descobre algo, que o que ele descobriu terá implicações, necessariamente, apenas na Engenharia em si. Pode ter em diversas outras áreas, como na Medicina. O mesmo ocorre com a indústria cosmética. Se uma empresa de cosméticos descobre algo, pode ser que esta descoberta seja útil a várias outras áreas que não só a de cosméticos.

Além disso, eu não consideraria cremes dentais (sim, são considerados cosméticos), limpadores e protetores solares como algo fútil. Em muitos casos, os hidratantes também não poderiam ser considerado fúteis. Quem tem dermatite atópica, uma doença que pode afetar muito a qualidade de vida do portador, sabe que o uso de hidratantes é muito importante para evitar crises da doença.

10 – Mesmo depois de ler tudo o que você escreveu, continuo contra os testes. Já que tudo o que a gente compra tem substâncias que foram testadas em animais, vou largar tudo e ir morar com os índios em alguma aldeia no meio da Selva Amazônica.

Não resolverá nada. Muitas plantas que os índios consomem foram testadas antes em animais por eles mesmos. Antes de os  índios consumirem a planta X, é comum eles colocarem esta planta X para o animal Y comer e observar se ela é venenosa ao animal ou não.

Leitura recomendada:

“Sem animais, não há pesquisa científica na área de saúde”.

Site criado pelo Governo Federal para esclarecer a importância dos testes em animais.

Why Animal Experimentation Matters: The Use of Animals in Medical Research (livro).

ATUALIZAÇÃO (26/04/2012): 

1 – O FDA lançou uma nova recomendação: grosso modo, que cosméticos contendo “nanotecnologia” sejam testado in vivo (em animais) antes de serem testados clinicamente em seres humanos. Uma empresa de cosméticos que use nanopartículas (por exemplo: de dióxido de titânio usado em protetores solares) que não tenha sido testadas em animais, está claramente deixando de seguir uma recomendação do FDA, o que talvez coloque os seres humanos em risco.

Mais informações: http://www.nano.gov/

2 – Muita gente me perguntando por que não realizar testes científicos em prisioneiros. Alguns dos motivos:

a) Porque a população carcerária é muito, mas muito menor do que a necessária para se realizar testes científicos;

b) Mesmo que fosse suficientemente grande, não há como obter linhas isogênicas usando seres-humanos;

c) Hitler já tentou isto. Mas após as atrocidades cometidas contra seres humanos durante a Segunda Guerra Mundial, estabeleceu-se o Código de Nuremberg. Alguns dos princípios do mesmo:

“1. O consentimento voluntário do ser humano é absolutamente essencial. Isso significa que a pessoa envolvida deve ser legalmente capacitada para dar o seu consentimento; tal pessoa deve exercer o seu direito livre de escolha, sem intervenção de qualquer desses elementos: força, fraude, mentira, coação, astúcia ou outra forma de restrição ou coerção posterior; e deve ter conhecimento e compreensão suficientes do assunto em questão para tomar sua decisão. Esse último aspecto requer que sejam explicadas à pessoa a natureza, duração e propósito do experimento; os métodos que o conduzirão; as incoveniências e riscos esperados; os eventuais efeitos que o experimento possa ter sobre a saúde do participante. O dever e a responsabilidade de garantir a qualidade do consentimento recaem sobre o pesquisador que inicia, dirige ou gerencia o experimento. São deveres e responsabilidades que não podem ser delegados a outrem impunemente.”

“3. O experimento deve ser baseado em resultados de experimentação animal e no conhecimento da evolução da doença ou outros problemas em estudo, e os resultados conhecidos previamente devem justificar a experimentação.”

120 respostas para Sobre os Testes em Animais Realizados pela Indústria Cosmética

  1. Adorei o post, Pedro. Pena que você cortou 70% hehehe

  2. Post excelente! Obrigada pelas informações, e uma parte II seria muito interessante.

  3. Eu já tive muitos ímpetos de parar de consumir produtos testados em animais, mas sempre volto na tecla dos medicamentos, do avanço da ciência, e da hipocrisia, como vc citou. Eu já imaginava esse tipo de coisa que vc confirmou – terceirização do teste, ou utilização de produtos já testados. Realmente não faz sentido. Mais uma vez, adorei o post!

    • Paula, eu também. No início, há alguns anos, mandava e-mails às empresas perguntando se elas testavam… A maioria respondia que não, aí eu usava. Mas depois fui vendo que não era bem assim.

  4. Palmas, palmas! Viva a racionalidade versus a histeria coletiva sem sentido.

  5. Melhor post que leio em muito tempo, parabés!
    http://pitadabeauty.blogspot.com

  6. Pedro,
    Oportuno esclarecimento.
    Cláudia

  7. Pedro
    Gostei da sua abordagem sobre o tema.
    Também acho que muitas pessoas agem de forma hipócrita e principalmente desinformada.
    Muitos que dizem ser contra os testes em animais, não hesitam em saboreá-los. Adoram um patê de fois gras.
    Eu sou completamente contra a crueldade para com os animais e procuro fazer o que está ao meu alcance. Mas entendo que os testes são necessários para o bem estar e/ou cura de doenças dos seres humanos, ou será que os testes em humanos seriam bem aceitos?

    • Querida Caludia,
      ser “completamente contra a crueldade dos animais” e ainda sim justificar o cruel abuso deles em laboratorios, nó minimo não faz sentido nenhum. Não existe qualquer prova até hoje de que esses testes são necessários. O sistema imunologico dos animais não responde da mesma forma que dos seres humanos. Alías, esses testes existem porque as pessoas comem porcaria, usam porcaria e combinação de tudo isso pode causar um terceiro estrago no orgnanismo cujo os efeitos são testados em animais sem a menor necessidade. As doenças são causas primeiro das escolhas de produtos de consumo que acidulam o sangue do corpo deixando-o propicio a diversos tipos de doenças.
      Para mim qualquer animal é sagrado e qualquer crime.. é crime. E crime não se justifica. Qualquer justificativa é simplesmente pelo fato do ego humano querer manter seu estilo de vida e escolhas sem se sentir culpado pelo que faz.
      ( Pausa para Reflexão )

      • “Não existe qualquer prova até hoje de que esses testes são necessários.”

        Como assim? Acho que não leste meu artigo. Citei várias.

        “As doenças são causas primeiro das escolhas de produtos de consumo que acidulam o sangue do corpo deixando-o propicio a diversos tipos de doenças.”

        Existem doenças, por exemplo, de origem genética. Dependendo da doença, podes ter melhor alimentação do mundo, viver no ambiente menos poluído possível e ainda assim vais tê-la.

  8. adorei o post, já por diversas vezes tentei explicar isso a várias pessoas e parece que nunca me fiz entender. aguardo a parte II.

  9. Pedro leio seu blog desde o começo mas hoje resolvi comentar. Seu post foi esclarecedor e muito bem escrito. Sou carnívora (onívora é d+ pois não como de tudo rss)e odeio crueldade com os animais sim. Não sou hipócrita e como você comentou no post só quem sofre certas doenças é que sabe a importância dos testes de novas substâncias. Minha mãe sofre com dermatite atópica e minha sobrinha também, para elas hidratante é remédio. Espero pela segunda parte.

  10. Amei o post!
    Muito esclarecedor!

  11. Eu sempre achei meio hipócrita esses discursos extremistas contra empresas que assumem fazer testes em animais, mas às vezes é difícil fazê-las ter uma visão mais ampla. Nenhum órgão como a Anvisa/FDA vai liberar o uso de substâncias que não tenham sido testados em animais antes (considerando nosso desenvolvimento tecnológico atual que não permite isso), se a empresa amiguinha dos animais não testa, é meio óbvio que alguém testou e a empresa é muita grata a essa pessoa.
    Quem trabalha com pesquisa está acostumado a saber que, mesmo que você faça uma pesquisa com um objetivo específico, os resultados que você obtém muitas vezes são surpreendentes e podem ser aplicados em coisas que você nem imaginava. Então, acho complicado falar que tal pesquisa foi feita por um motivo fútil, mesmo que a finalidade dela seja desenvolvimento de cosméticos.
    Para a maioria das pessoas, base é uma coisa fútil, mas para o coitado que tem vitiligo e sofre discriminação diariamente, essa maquiagem fútil também pode ser um fator de melhoria na vida para essa pessoa.

  12. otimo post! eu tbm era muito preocupado com testes em animais, eu acho que as organizações de defesa dos animais deveriam falar isso antes de causar histeria coletiva e levando desinformação,
    agora gostaria de saber sua opinião sobre os testes que o dr.kligman fazia em humanos, eu li uma matéria em uma revista dizendo que o modo que ele conduziu os testes foi completamente anti-ético(ate eu fiquei chocado com o que eu lí, mesmo o dr.kligman sendo o “pai” do acido retinoico)
    mas depois de ler seu post acho que quem escreveu a matéria sobre o dr.kligman pode ter sido muito sensacionalista, gostaria de saber sua opinião sobre isso?

  13. amo seu posts… acompanho desde o tumblr! parabéns!! não sou de comentar (shame on me), mas esse post ficou incrivel! parabéns novamente, principalmente por se tratar de um assunto tão profundo e foi, na minha opinião,muito bem abordado… hipocrisia não dá!
    bjs

  14. Todas essas informações são verdadeiras e muito úteis, mas não podemos lavar nossas mãos para tudo e não fazer nada só porque algumas coisas não “podemos” escapar. Por isso não acho um argumento válido dizer que um vegano é contraditório por usar um mouse cuja a tinta foi testada e tem produtos de animais. O ideal seria não usar mesmo. Mas isso não significa que não devemos fazer nada então para diminuir ao menos o holocausto dos animais. Uma preocupação de cada vez. Afinal, o mundo gira ao redor das escolhas que nós os consumidores fazemos, com produtos de beleza e consumo que escolhemos usar.

    • Então, Anakyll. Justamente por isso que uma das partes do meu post é sobre o que pode ser feito para que se reduza a necessidade de usar (ou até eliminar, algum dia) animais em pesquisas. E uma delas é doar dinheiro a instituições que pesquisem isso. Estas pesquisas para procurar alternativas aos testes em animais são muito caras, e os govervenos não liberam muito dinheiro para isto. Na verdade, já não é liberado muito dinheiro nem para a pesquisa de doenças, quanto mais para a pesquisa de novos métodos de pesquisa.

      • Anarkyll, eh isso ai. Infelizmente, ainda, nao e possivel nos abstermos de todo e qualquer uso de produtos cujo fabrico tenha se valido de teste em animais, mas dai a dizer hipocrita aquele que busca minimizar esse uso ao limite do que se consegue eh tendencioso. Nao fazer nada, ou, melhor dizendo, fazer/comprar produtos, principalmente os dispensaveis, dessas empresas eh ser conivente com a pratica deles.
        As postagens que alegam hipocrisia porque se usa produtos testados em animais eh tendenciosa a retirar a responsabilidade e possibilidade de reflexao social sobre o assunto. Algo como, ja que nao da para fazer nada, vamos usar que nao tem problema. E nao eh o caso. Ademais, ha muitos fatores a serem considerados nesses testes, inclusive quando se fala em produtos estritamente de beleza, como maquiagem, de alguma forma justificaria?

      • Mas está se fazendo muita coisa. Como expliquei, toda empresa que assume testar em animais reduz ao máximo possível o uso deles. Sem falar nos bilhões que já foram, continuam e serão investidos para se descobrir mais alternativas.

        “Ademais, ha muitos fatores a serem considerados nesses testes, inclusive quando se fala em produtos estritamente de beleza, como maquiagem, de alguma forma justificaria?”

        Como também já expliquei, faz muito tempo que osméticos prontos não são mais testados em animais por praticamente nenhuma empresa do mundo. O que se costuma testar são substâncias novas, ainda não bem conhecidas pela ciência. E em ciência não existe isto de fazer uma pesquisa que vai ter aplicação apenas em cosméticos, por exemplo. Tudo está interligado. Uma pesquisa que uma empresa de cosméticos está fazendo sobre nanotecnologia, pode ser útil para uma empresa farmacêutica melhorar tratamentos contra o câncer, exemplificando.

        Tudo isso foi explicado no meu artigo…

  15. Adorei seu post.
    Muito esclarecedor.

  16. Olá, conheci ontem seu blog por esse post, sou leiga nesse assunto mas me interesso por ele, por isso gostaria que vc me esclarecesse algumas dúvidas
    1 o seu conhecimento sobre essas informações vem de estudos ou de pesquisas na internet? pois pesquisando na internet é possivel achar estudos que dizem o quão importante é a pesquisa com animais, mas também o quão falhos eles podem ser. vc mesmo citou um, sobre a talidomida, que mesmo tendo sido testado em animais foi falho.
    2 quando vc cita artigos encontrados no Pubmed eles são necessariamente falando de pesquisas bem sucedidas, por exemplo, 2500 estudos do tomate em ratos que contribuem para resultados positivos?
    3 se 100% das empresas que alegam não testar em animais tem os comeponentes dos produtos testados de outra forma porque o PETA teria uma listagem em seu site e um selo cruelty free para empresas que não testam se na verdade de forma indireta os testes são feitos? porque se vc sabe dessa informação o PETA com certeza também sabe. o que ele ganharia classificando empresas cruelty free sendo que indiretamente elas não são (pelo que eu sei o peta não classifica uma empresa que terceiriza teste em animais como cruelty free)
    4 vc diz que empresas como unilever e p&g assumem testar em animais, porém usando a filosofia dos 3 Rs, mas existem empresas que testam indiscriminadamente? e se sim como podemos diferenciar as empresas que realmente estão preocupadas em diminuir e eliminar tais testes?
    5 esse é só um comentario, acho que vc foi muito infeliz dizendo sobre ser contraditorio veganos terem computador em casa. uma coisa é a pessoa opitar por não consumir produtos de origem animal, pois existem alternativas, uma pessoa pode ser saudavel e não consumir produtos de origem animal como alimento, mas da forma que vc fala seria impossivel viver no mundo em que vivemos sem utilizar computador, transporte (publico ou privado) por exemplo, pois pra isso não existe alternativa. se uma pessoa come carne e aceita testes em animais quer dizer que não tem problema matar um cachorro a pancadas se de qualquer forma ela está matando um animal, direta ou indiretamente? uma coisa é fazer a sua parte para que animais não sofram, a outra é achar que o mundo vai mudar completamente porque vc virou vegano
    e só pra constar, eu não sou vegana e nem vegetariana, sou só uma pessoa interessada no assunto e que é contra crueldade, seja ela qual for. e quero que vc entenda que isso não é um ataque contra as informações que vc postou, e sim um real interesse em saber a verdade sobre esse assunto, obrigada

    • Olá, Carol.

      1 – De estudos. E muitos foram citados indiretamente no post. (Acessar o link que está na parte em que traduzo e resumo a opinião dos cientistas da União Europeia, o link do site do Governo Ferderal esclarecendo a importância dos testes em animais etc. (nestes links são citados dezenas de estudos que podes acessar). Dezenas de outros foram citados no livro que sugeri aqui e por aí vai. Sim, citei a talidomida, que foi testada pouco em animais. Só foi citada em apenas uma espécie, por isso as pessoa foram colocadas em risco. Se tivesse sido mais testada, isso provavelmente não teria ocorrido. E testes em animais são apenas uma das etapas dos testes necessários para colocar um medicamento, ingrediente novo ou seja lá o que for no mercado. Depois que eles são testados em animais, eles são testados em seres humanos (já que nenhum animal é 100% igual ao ser humano). Nenhum cientista diz que os testes em animais são 100% eficientes para prever o que ocorrerá com o ser humano. Porém, é o que existe de mais parecido com o ser humano, não existindo, em muitos casos, outra alternativa. Não são 100% eficazes e podem falhar (como qualquer outra coisa), mas é o que existe de mais próximo disso.

      2 – O que você considera positivo? Positivo em que sentido? Para quê?

      3 – Boa pergunta. Mas não sei a repsosta. Vai ver que é por isso que não conheço nenhum cientista de destaque que leve o PETA a sério. Talvez por vontade de viver em um mundo mais fantasioso, mais distante da realidade. Obviamente, não estou dizendo que é o caso do PETA, mas isto é comum em crenças, seitas, religiões etc: negar a realidade. Meu post não foi baseado em uma crença ou desejo pessoal (se tivesse sido baseado em um desejo pessoal, eu teria escrito um post alegando que os testes em animais não são necessários). A infornmação está aí para todos que não querem fugir da realidade. Basta pegar uma embalagem de cosmético de marca que alega não testar em animais. Escolher um ingrediente. E procurar estudos feitos em enimais (ainda que não pela própria empresa) envolvendo este ingrediente.

      4 – Acho muito difícil que exista. Porque testes em animais são muito caros, ruim para a imagem das empresas e ninguém gosta de fazê-los. Portanto, por que testariam “indiscriminadamente”? Além disso, em qualquer país desenvolvido, que eu saiba, há leis que impediriam isto.

      5 – Grosso modo, a filosofia dos vegans é não usar nada que seja de origem ou que tenha sido testado em animais. Se eles estão usando computadores, eles estão contrariando suas próprias “regras”.

  17. Obrigada pela atenção e pelos esclarecimentos (e desculpe por tantas questões, como eu disse não entendo nada do assunto a não ser coisas que leio por aqui)

  18. Gostei muito do post. Quando se fala sobre o assunto, normalmente se cai na apelação de mostrar apenas fotos de sofrimento dos animais (em fotos antigas, diga-se), sem fazer uma análise de toda a situação. É claro que testar em animais não é o ideal, e como foi dito, só um psicopata acha bom o sofrimento dos bichinhos, mas é preciso compreender que em alguns casos é necessário, ainda. Gostei muito da parte que fala sobre as empresas sinceras, que trabalham para diminuir o uso de animais em teste e também para diminuir o sofrimento dos animais. Pq de hipocrisia já chega né.
    Acho que todo mundo deveria ler isso antes de formar uma opinião precipitada sobre o assunto.

  19. mafalda ferreira

    O post estava bom, mas nem tudo o que dz pode ser verdade. Quanto aos animais serem bem tratados, nao e bem assim! Basta pesquisar sobre animal testing e vera que os videos sao deprimentes, horriveis e nao revelam qualquer compaixao. Alias, procure no site da peta (com bastante credibilidade) um video onde e mostrada uma mulher a bater num cao, num gato, a recusar lhes qualquer carinho quando eles pedem, um macaco aterrorizado e com medo do proprio medo( porque bateram lhe a seguir so por causa do medo que ele tinha! Estavam lhe a enfiar um tubo no nariz!!). quanto a muitos argumentos que usa, ja sao demais nao!? A falar nas ervas dos indios, nao compare ver se um animal morre ao comer a planta x, ou ver milhores de animais serem torturados anualmente em nome de (muitas ves da futilidade). Por isso, continuo a ser cruelty-free!

    • “(…) Alias, procure no site da peta (com bastante credibilidade) um video onde e mostrada uma mulher a bater num cao, num gato, a recusar lhes qualquer carinho quando eles pedem (…)”

      Não entendi nada. A mulher bate no cão ou no gato? De qualquer forma, o que é que isto tem a ver com os testes feitos pela indústria?

      Mostre-me alguma prova/evidência de que animais são mal tratados por grandes empresas, que eu acredito.

  20. Parabéns pelo post, há tempos não lia nada tão sensato sobre pesquisa em animais!!

  21. Claudio Godoy

    Prezado Pedro,

    A questão de fundo no que diz respeito à exploração de seres sencientes que não pertencem à nossa espécie é muito simples. Por que os consideramos sem pestanejar como meros objetos descartáveis à disposição das finalidades humanas e ao mesmo tempo em hipótese alguma permitiríamos o uso meramente instrumental de seres humanos com severas deficiências cognitivas? Afinal, os órgãos destes últimos poderiam ser a única alternativa para salvar a vida de um ser humano produtivo e com plena posse de suas faculdades mentais. Para quem preza o conhecimento científico, não fica muito bem apelar para o princípio da sacralidade da vida humana. Ou seres humanos são sujeitos de direito por terem almas?

    Todos os seres humanos, com a exceção de alguns casos de anencefalia ou de estado vegetativo, têm o direito de serem considerados como fins em si mesmos única e exclusivamente por serem sencientes, e não por serem racionais. Logo, todos os seres sencientes também deveriam ser tratados do mesmo modo.

    Por fim, como o seu próprio texto indica, você seria terminantemente contrário aos testes in vivo se houvessem alternativas satisfatórias. Seguindo o mesmo raciocínio, por que não adotaria de imediato uma dieta isenta de produtos de origem animal, que é perfeitamente saudável e segura?

    • “Por que os consideramos sem pestanejar como meros objetos descartáveis à disposição das finalidades humanas e ao mesmo tempo em hipótese alguma permitiríamos o uso meramente instrumental de seres humanos com severas deficiências cognitivas?”

      Porque os primeiros não são da mesma espécie, os segundos não. “Especismo?”. Não. Instinto de preservação da espécie.

      “Afinal, os órgãos destes últimos poderiam ser a única alternativa para salvar a vida de um ser humano produtivo e com plena posse de suas faculdades mentais. Para quem preza o conhecimento científico, não fica muito bem apelar para o princípio da sacralidade da vida humana. Ou seres humanos são sujeitos de direito por terem almas?”

      Quem apelou para isso? Que alma?

      “Seguindo o mesmo raciocínio, por que não adotaria de imediato uma dieta isenta de produtos de origem animal, que é perfeitamente saudável e segura?”

      Pode ser perfeitamente saudével e segura, mas não é, necessariamente (o mesmo vale para dieta com alimentos de origem animal). Mas muitos adotam… E posso ver algumas vantagens nisso.. E os que não adotam, os motivos podem ser vários: não poder se dar ao luxo de dispensar carne aniaml (será que quem está em um campo de concentração da Coreia do Norte se preocupa em não matar um rato para poder não morrer de fome?), paladar etc.

      • Claudio Godoy

        Prezado Pedro,

        Agradeço pela pronta resposta. Vamos à tréplica.

        Se o critério para considerarmos um indivíduo como sujeito de direito for o da senciência, ele deve ser aplicado a todos os que possuem esta característica, sob pena de discriminação. No caso em tela, especismo puro e simples.

        Embora todos os animais sociais precisem cooperar com alguns membros de sua própria espécie para sobreviver, ainda assim ainda existe muita violência intra-específica entre bandos rivais. Não existe na natureza um instinto de preservação de uma espécie como um todo. E mesmo se existisse, não deveríamos nos inspirar na “natureza” para pautar o nosso comportamento ético, incorrendo na falácia naturalista.

        Talvez eu tenha me antecipado indevidamente ao fazer uma pequena brincadeira com a justificativa que muitos seres humanos usam para nos distinguir moralmente dos outros seres sencientes, mas não existe nenhuma justificativa racional para que todos os seres humanos sejam sujeitos de direito sem considerar os outros seres sencientes como tais.

        Por fim, qualquer pessoa que não esteja confinada em um campo de concentração norte-coreano, vivendo no Ártico ou em uma ilha deserta, como presumo ser o nosso caso, pode se tornar vegana sem maiores problemas. Obviamente, qualquer dieta desequilibrada pode ser prejudicial. E, em termos éticos, nosso prazer jamais deveria constar na equação se a sua satisfação só for possível com a exploração alheia.

  22. Muito sensato o artigo.

  23. Interessante… Alguns pontos chamam mais atenção:

    1) Esperar que uma empresa não “D – Us[e] substâncias que já foram testadas pelos cientistas em alguma outra ocasião” para que determinado produto não seja considerado testado; ou alegar que as plantas que “os índios consomem foram testadas antes em animais por eles mesmos”*, tem uma (falta de) lógica parecida com:
    “Para eu poder me assumir realmente contra a escravidão, eu não deveria usufruir de nenhuma cidade, estrada, construção… que tenha sido construída por escravos.”
    * aliás, que fontes mostram isso com relação aos índios? De que índios fala?

    2) Engraçado a “leitura recomendada” chegar logo depois da famosa propaganda da Folha: as três são completamente tendenciosas para o lado dos testes – por lobbies, pressão dos anunciantes, interesses particulares… Seria interessante incluir algo mais próximo da neutralidade, ou mesmo “o outro lado”.

    • “1) Esperar que uma empresa não “D – Us[e] substâncias que já foram testadas pelos cientistas em alguma outra ocasião” para que determinado produto não seja considerado testado; ou alegar que as plantas que “os índios consomem foram testadas antes em animais por eles mesmos”*, tem uma (falta de) lógica parecida com:
      “Para eu poder me assumir realmente contra a escravidão, eu não deveria usufruir de nenhuma cidade, estrada, construção… que tenha sido construída por escravos.”

      Não, não tem. Primeiro porque estás comparando banana a maçã. Estou me referindo a outros animais, não a seres humanos. Segundo porque as construções poderiam ser construídas sem trabalho escravo.

      Além disso, as pesquisas em animais são importantes para beneficiar os próprios animais. Pesquisas em animais permitiram o desenvolvimento de várias vacinas e tratamentos contra raiva, parasitas, doenças diversas…

      “aliás, que fontes mostram isso com relação aos índios? De que índios fala?”

      Isso é algo tão conhecido que eu pensei que nem precisaria citar uma fonte. Mais aí vai um exemplo:

      “(…) potência do veneneo seria testada por exemplo, contando o número de saltos que um sapo daria depois de ser flechado. Certas tribos mantinham verdadeiro monopólio sobre a produção de curare, que representava uma fonte de riqueza. (…)”

      http://www.redetec.org.br/inventabrasil/curare.htm

      “2) Engraçado a “leitura recomendada” chegar logo depois da famosa propaganda da Folha: as três são completamente tendenciosas para o lado dos testes – por lobbies, pressão dos anunciantes, interesses particulares… Seria interessante incluir algo mais próximo da neutralidade, ou mesmo “o outro lado”.

      Pelo contrário. Onde tem anunciantes, por exemplo, no site do Governo Federal para defender os testes em animais?

  24. Vamos fazer o que está ao nosso alcance. Se podemos escolher entre uma empresa que não testa seu produto final e outra que testa vamos escolher a primeira. Não tem que pensar tipo “Ah, foda-se, não posso resolver todos os problemas do mundo então vou comprar qualquer coisa!”. Realmente não podemos mudar o mundo, mas podemos fazer muito para ajudar os animais, é só querer e não se acomodar. Ah, e ser vegano não quer dizer abolir todos os produtos de origem animal da sua vida (pois isso é praticamente impossível), e sim abolir o máximo possível de produtos que venham dos bichinhos. O que é veganismo?
    Leia em http://www.veganismo.org.br/p/veganismo.html
    ” Veganismo é um estilo de vida em respeito aos animais. Um vegan não come alimentos de origem animal – carnes de todas as cores e tipos – ou que contenham qualquer resíduo: leites, queijos, salsichas, ovos, mel, banha, manteiga, etc. Também não veste roupas ou sapatos feitos de animais: couro, seda, lã, etc. EVITA o uso de cosméticos e medicamentos testados em animais ou que contenham componentes animais na formulação: sabonetes feitos de glicerina animal, maquiagem contendo mel, etc. Profissionalmente, não trabalha com exploração animal, seja vivo ou morto. O vegano leva sua vida normalmente, com a diferença de pensar antes nos animais em todas as escolhas. E faz isso unicamente em respeito a eles. É fácil ser vegan! “

    • Obrigado, floreseamores. Como está no meu artigo, citei formas de se tentar diminuir o uso de animais. Mas usar, por exemplo, computador, que pode ter componentes de origem em animais ou materiais testados direta ou indiretamente neles, não é algo realmente necessário. Muitas pessoas vivem perfeitamente bem sem computadores. Portanto, isso iria contra o ideal dos vegans.

      • ClaudioGodoy

        Como o uso de animais não-humanos como objetos é onipresente em nossa sociedade, todo e qualquer objeto que poderia perfeitamente ser produzido sem este uso acaba sendo afetado por esta ubiqüidade.

        Vamos imaginar que eu fosse um proprietário de escravos no sul dos Estados Unidos em um contexto histórico onde tal prática fosse plenamente aceita. Acidentalmente, tenho acesso aos discursos de abolicionistas no Parlamento Inglês e acabo por me convencer da injustiça inerente à escravidão, por mais bem tratados que tenham sido os meus escravos até então. Conclusão: resolvo alforriar todos os meus escravos e passo a defender insistentemente a abolição da escravidão junto aos meus vizinhos proprietários de escravos.

        Nem preciso dizer que me tornarei um pária nesta sociedade escravocrata por mexer com interesses e com uma ideologia profundamente arraigados. A esmagadora maioria das pessoas ficará genuinamente ultrajada com as minhas idéias e não faltarão exclamações vociferantes do gênero ‘você está colocando os negros no mesmo patamar do que nós’. Sem contar os interesses econômicos que estariam em jogo e a perda de inúmeros privilégios que tal idéia poderia acarretar. Desdenhosamente, alguns poderiam argumentar que, para manter a minha coerência, eu terei que abrir mão de praticamente todas as mercadorias produzidas por esta sociedade e deixar de me locomover por todas as estradas, pois a esmagadora maioria dos bens e serviços desta sociedade é fruto da mão de obra servil. No limite, seria incitado a me suicidar, pois eu jamais seria quem eu sou se não fossem pelos benefícios da escravidão.

        Como todas estas mercadorias e estradas poderiam muito bem prescindir da mão de obra servil para que fossem respectivamente produzidas e construídas, obviamente não tenho a menor obrigação de me isolar e viver na selva, mas sim a de procurar persuadir os meus pares com argumentos racionais do porquê a escravidão é injusta. O que levaria tempo e muito esforço de minha parte, pois todas as instituições desta sociedade necessariamente estão impregnadas da ideologia de que os negros foram ‘feitos’ para servir aos brancos. E é obvio que, quando a escravidão fosse finalmente abolida, também não teríamos a obrigação de destruir todas as estradas e todos os produtos advindos da escravidão. Seria tão absurdo quanto alguém propor a demolição das pirâmides do Egito pelo fato delas terem sido construídas sem que fossem observadas leis trabalhistas minimamente civilizadas.

        Um outro exemplo, para que mora em São Paulo ou no Paraná como você, é o do extermínio da população nativa pelos bandeirantes. Se estes valorosos pioneiros não tivessem conquistado os seus territórios a ferro e fogo, não estaríamos morando aqui para contar a história. E é claro que o fato de morar nestas regiões e, conseqüentemente, de sermos beneficiários de suas ações, não nos torna cúmplices de suas atrocidades passadas. Não preciso me mudar para o centro da Groenlândia ou me suicidar como prova incontestável do meu repúdio ao genocídio.

        Agora, podem existir benefícios que seriam impossíveis de se obter sem a exploração de seres sencientes de outras espécies que não a nossa? Sem dúvida. Do mesmo modo que estamos perdendo inúmeros benefícios pelo fato de considerarmos inaceitável toda e qualquer vivissecção humana para começo de conversa. Já pensou na possibilidade de Hitler ter vencido a Segunda Guerra Mundial? Seria bastante provável que as técnicas cirúrgicas fossem muito mais eficientes do que as que atualmente dispomos. Sem contar que não haveria fila de transplantes de órgãos. Não seria um mundo ideal, pelo menos para quem tivesse a fortuna de ser ariano?

        Mais uma vez batendo na mesma tecla, a questão essencial em toda esta discussão é a seguinte: qual é a característica moralmente relevante que TODOS os seres humanos possuem para serem dignos de respeito e jamais poderem ser usados como objetos que NENHUM outro ser senciente possui?

        E a resposta evidentemente será: NENHUMA. Todos os indivíduos sencientes devem ser respeitados independentemente de características como cor, sexo, inteligência, ESPÉCIE e grau de afeição que despertam nos outros.

      • Ok., Claudio, pode ser que um dia a humanidade “involua”, por assim dizer, e passe a considerar que não fazer testes genéticos em moscas (como deves saber, moscas são os principais animais usados em genética desde o começo do século passado) é mais importante do que fazer para tentar buscar cura/tratamentos de doenças que acomentem os seres-humanos. Mas isso parece estar longe de ocorrer. Faça uma pesquisa com, por exemplo, crianças com câncer. Chutaria que uns 99% seriam a favor dos testes em animais para pesquisar as respectivas doenças que elas tenham.

      • Cláudio Godoy

        Prezado Pedro,

        Corrija-me se estou enganado, mas imagino que a ausência da opção “responder” em sua última resposta às minhas colocações significa que talvez você não queira prosseguir com esta discussão. O blog é seu e você tem o direito de fazer o que bem entender, mas gostaria de reafirmar que as questões de fundo sempre devem ter precedência sobre as de ordem logística e tecnocrática. Não tirando a importância dessas últimas é claro, que você desenvolve com maestria.

        Ainda não há consenso científico se os insetos são sencientes, mas uma falácia do apelo à emoção recorrente no discurso especista sempre acaba batendo na falsa dicotomia das nossas criancinhas queridas e rosadinhas versus estas repelentes criaturas pertencentes à ordem dos insetos. Funciona como uma espécie de cortina de fumaça para desviar da discussão o que fazemos com roedores e outros seres tão sencientes como nós em nome da ciência, mesmo que este uso só se justifique para lançar mais um tipo de batom no mercado, testar armamentos ou acrescentar mais um título acadêmico ao currículo de alguém mais iluminado do que a ralé sentimentaloide e abraçadora de coelhinhos fofos.

        É evidente que, se as nossas colheitas ou a nossa saúde forem ameaçadas por estes ubíquas criaturinhas de seis pernas, temos todo o direito de tomar as medidas que se fizerem necessárias, do mesmo modo que é legítimo fazer o mesmo com indivíduos de nossa própria espécie caso nossa integridade física esteja em jogo. Mas se fosse comprovada a senciência destes organismos, seria legítimo, em termos racionais, usá-las instrumentalmente, sendo que o critério da senciência é o mesmo que usamos para proibirmos o uso de seres humanos como objetos descartáveis?

        Sem medo de continuar a bater na mesma tecla, sugiro àqueles que realmente se importam com a abolição do uso de seres sencientes em pesquisas in vivo por uma questão de respeito a estes indivíduos, e não por uma mera questão de maximização de lucros ou de relações públicas, que eliminem de uma vez por todas todos os frutos da exploração de sencientes que podem ser prontamente substituídos nos dias de hoje, a começar pelas suas refeições. Só a partir de então este discurso sobre minimização da vivissecção e males necessários (sempre sofridos por aqueles que não pertencem ao nosso clube) soará menos hipócrita.

      • Não tirei botão nenhum, tu que não deves ter encontrado. Aliás, nem teria como eu tirar, que eu saiba. O que eu poderia ter feito seria rejeitar algum comentário teu, o que não ocorreu.

        “Mas se fosse comprovada a senciência destes organismos, seria legítimo, em termos racionais, usá-las instrumentalmente, sendo que o critério da senciência é o mesmo que usamos para proibirmos o uso de seres humanos como objetos descartáveis?”

        Sim. Porque não testar em animais em detrimento de seres-humanos demonstra uma atitude anti-humana.

  25. Excelente texto, mas que ao meu ver, como mencionado em um comentário, pende para um lado, deixando de mostrar o outro.

    Decerto que, lendo as respostas aos comentários, pude notar mais explicações, mas que ainda reforça o mesmo posicionamento.

    1. Considerando as alternativas, se hoje há é porque justamente há pessoas que são contra e pressionam empresas que façam isso. Além disso, não somente pessoas, mas pesquisas, como bem explicado por você (pesquisas para alternativas). Neste sentido, boicotar e ser contra realiza efeito.

    2. Dizer que as grandes empresas tratam bem os animais é relativo. O que deve-se pensar sobre tratar bem? Há vídeos que circulam pela internet, este é um exemplo – http://www.youtube.com/watch?v=XpSQ1g84Bb0
    (Você pode procurar na internet que esta notícia é verdadeira).

    3. Os testes da indústria de cosméticos são exclusivamente para gerar hpóteses para analisarem o mal que o ingrediente pode causar em humanos. Sendo assim, é inexato a afirmação que são feitos para encontrarem curas para os animais utilizados. Até porque estas pesquisas não levam em consideração a saúde ou vida do animal (digo no sentido de preservar ambos).
    Quando há alguma pesquisa que verifica mecanismos biológicos, possivelmente os animais tem que serem sacrificados. Desta forma não há como compreender que as pesquisas tratam bem os mesmos. Claro que entendo que sacrificar um é melhor que sacrificar mil, mas sabemos que não é para esse fim as pesquisas (a não ser as pessoas que pesquisam a preservação de animais).
    Além disso, não é porque os animais foram usados que significam que eles eram parte de uma descoberta, nem que tinham que eram parte do processo. Há pesquisas que mostram que não há evidências que suportem a afirmação de utilizarem os mesmos.
    “Uma revisão das revisões de ensaios em animais e resultados em humanos descobriram que em 20 dessas análises, apenas dois concluíram que os testes em animais foram consistentes com as descobertas humanas ou haviam contribuído significativamente para o desenvolvimento de novos tratamentos. Systematic Reviews of Animal Experiments Demonstrate Poor Human Clinical and Toxicological Utility. ATLA 2007; 35, 641–659.” (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18186670)

    Uma revisão de 76 importantes testes em animais para drogas terapêuticas em humanos descobriu que, apesar de todos os estudos em animais mostrarem que o medicamento em questão trabalhou com segurança, apenas 55% foram então repetidos em humanos e destes, um terço foram encontrados produziu resultados conflitantes para o que havia sido relatado nos estudos em animais, ou seja, os tratamentos não eram realmente eficazes. Os autores concluíram que “os pacientes e médicos devem manter a cautela ao extrapolar os resultados de pesquisas com animais de destaque ao cuidado da doença humana”.
    Translation of research evidence from animals to humans. Journal of the American Medical Association 2006; 296, 1731-2. (http://jama.ama-assn.org/content/296/14/1731.full.pdf+html)

    4. Há pesquisas demonstrando os efeitos de uma dieta vegana nos benefícios (e muito superiores a uma dieta onívora) à saúde. Há pesquisas demonstrando os efeitos dos vegetais na proteção de câncer, na diminuição de incidência de doenças e até mesmo anulando o efeito genético de doenças cardiovasculares. O posicionamento da Associação Dietética Americana demonstra que em diabéticos que realizaram uma dieta vegana houve o dobro da redução de peso e níveis de colesterol (entre outros benefícios que não lembro no momento) comparado a uma dieta onívora. Não se pode dizer que há como anular todos as doenças genéticas, mas pesquisas mostram que há como atenuar através da alimentação.

    5. O posicionamento dos veganos é abolir tudo derivado da exploração animal, mas está fortemente atrelado à imagem da alimentação. Mas como você mencionou em uma parte do texto sobre as pesquisas, não há como abolir tudo de uma vez. Não há como analisar de forma pontual algo que necessita de mudanças sistêmicas. Do mesmo modo que a alimentação do mundo não é vegetariana e nem será da noite pro dia, mas será ampliada conforme o passar das décadas. O mesmo serve para os produtos que hoje um vegano utiliza e que venha de exploração animal. Ainda que possa soar “hipócrita”, o termo VEGANO é cabível àqueles que já caminharam uma parte para esta transformação.
    O comentário de veganos viverem sem computador é um exemplo de analisar um problema geral de forma pontual. Lembremos que na sociedade e nas posições de trabalho que cada um se encontra, é necessário tomar algumas posições que em alguns casos não dá pra exercer em plena liberdade a escolha que cada um quer.

    Enfim, é difícil gerar uma mudança em uma ideologia tão antiga. É necessário gerar conflitos para chegar ao senso da verdade. Acho que as atitudes tomadas contra empresas, as pressões exercidas no âmbito social e outros, assim como o incentivo às pesquisas de alternativas mencionadas por você, resultaram e resultarão em mudanças gradativas na sociedade e costumes. E estas atitudes devem ser apoiadas para que a mudança não ocorra muito devagar.

    • “1. Considerando as alternativas, se hoje há é porque justamente há pessoas que são contra e pressionam empresas que façam isso. Além disso, não somente pessoas, mas pesquisas, como bem explicado por você (pesquisas para alternativas). Neste sentido, boicotar e ser contra realiza efeito.”

      Em parte, sim. Mas em parte por motivação das próprias empresas e cientistas que testam mesmo. Como escrevi, ninguém gosta de testar em animais. Além disso, testes em animais são extremamente caros. O sonho de todo o cientista seria ter testes in vitro que permitissem substituir todos os testes realizados em animais. Você acha que um pequeno laboratório tem condições de testar em animais?

      “2. Dizer que as grandes empresas tratam bem os animais é relativo. O que deve-se pensar sobre tratar bem? Há vídeos que circulam pela internet, este é um exemplo – http://www.youtube.com/watch?v=XpSQ1g84Bb0
      (Você pode procurar na internet que esta notícia é verdadeira).”

      Já procurei diversas vezes e nunca encontrei o nome da empresa, muito menos que seria uma empresa de cosméticos. De qualquer forma, o nome não vem ao caso. Acredito que possa ser verdade, sim. Mas isso não invalida a necessidade de serem feitos testes feitos em animais. Nem que, se é verdade, deve ser uma exceção. Há, por exemplo, trabalho escravo. Não significando que trabalho seja desnecessário ou que a maioria das empresas não segam leis trabalhistas.

      “3. Os testes da indústria de cosméticos são exclusivamente para gerar hpóteses para analisarem o mal que o ingrediente pode causar em humanos. Sendo assim, é inexato a afirmação que são feitos para encontrarem curas para os animais utilizados. Até porque estas pesquisas não levam em consideração a saúde ou vida do animal (digo no sentido de preservar ambos).”

      Errado. São para testar hipóteses, quem gera a hipótese é o pesquisador. E podem ser para testar a eficácia. Como expliquei, muitas empresas de cosméticos investem em ciência de base, o que gera conhecimento para o tratamento de diversas doenças.

      ““Uma revisão das revisões de ensaios em animais e resultados em humanos descobriram que em 20 dessas análises, apenas dois concluíram que os testes em animais foram consistentes com as descobertas humanas ou haviam contribuído significativamente para o desenvolvimento de novos tratamentos. Systematic Reviews of Animal Experiments Demonstrate Poor Human Clinical and Toxicological Utility. ATLA 2007; 35, 641–659.” (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/18186670)”

      Que tal citar uma pesquisa sem conflitos de interesses? Você já viu por quem foi publicada tal pesquisa? Uma ONG de proteção ao animal… Uma pesquisa sem conflitos de interesses mostra resultados diferentes. Um pequeno exemplo, entre milhares:

      [Contribution of animal experimentation to pharmacology].

      http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20669540

      “Uma revisão de 76 importantes testes em animais para drogas terapêuticas em humanos descobriu que, apesar de todos os estudos em animais mostrarem que o medicamento em questão trabalhou com segurança, apenas 55% foram então repetidos em humanos e destes, um terço foram encontrados produziu resultados conflitantes para o que havia sido relatado nos estudos em animais, ou seja, os tratamentos não eram realmente eficazes. Os autores concluíram que “os pacientes e médicos devem manter a cautela ao extrapolar os resultados de pesquisas com animais de destaque ao cuidado da doença humana”.
      Translation of research evidence from animals to humans. Journal of the American Medical Association 2006; 296, 1731-2. (http://jama.ama-assn.org/content/296/14/1731.full.pdf+html)”

      Ninguém disse que animais são modelos perfeitos. Não há nenhuma novidade nisso. Mas você conhece modelos que apresentem resultados melhores? Aliás, justamente pelo fato de que animais não são modelos perfeitos, é que eles são apenas uma das etapas de diversos testes. Após um medicamento ter sido testado in vitro (estou generalizando e sendo superficial), é testado em animais. Após ser testado em animais, é testado em um pequeno grupo de seres humanos. Depois em um grupo maior. E assim por diante. Como também já escrevi, após a Segunda Guerra Mundial ficou estabelecido que seres humanos não poderiam ser cobaias, devendo um medicamento ser previamente testado em animais.

      “4. Há pesquisas demonstrando os efeitos de uma dieta vegana nos benefícios (e muito superiores a uma dieta onívora) à saúde. Há pesquisas demonstrando os efeitos dos vegetais na proteção de câncer, na diminuição de incidência de doenças e até mesmo anulando o efeito genético de doenças cardiovasculares. O posicionamento da Associação Dietética Americana demonstra que em diabéticos que realizaram uma dieta vegana houve o dobro da redução de peso e níveis de colesterol (entre outros benefícios que não lembro no momento) comparado a uma dieta onívora. Não se pode dizer que há como anular todos as doenças genéticas, mas pesquisas mostram que há como atenuar através da alimentação.”"

      Qualquer dieta pode ser saudável ou não, seja com carne ou não. Vai depender de dezenas de fatores. De como está sendo feita esta dieta, do indivíduo etc. Há pesquisas, por exemplo, mostrando que dietas veganas podem causar deficiência de vitamina B12: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/22493163 Mas não citei isso porque a culpa não estaria na dieta vegana em si, mas em ela ser “mal feita”. O mesmo vale para alguma pesquisa mostrando algo negativo sobre o consumo de carne.

      Ah, sobre ideologia: ideologia tem quem nega os avanços da ciência em virtude de crenças pessoais.

      • “Já procurei diversas vezes e nunca encontrei o nome da empresa, muito menos que seria uma empresa de cosméticos. De qualquer forma, o nome não vem ao caso. Acredito que possa ser verdade, sim.”

        Esse foi apenas um vídeo, dentre outros que circulam pela internet.

        “Mas isso não invalida a necessidade de serem feitos testes feitos em animais. Nem que, se é verdade, deve ser uma exceção.”
        “Ninguém disse que animais são modelos perfeitos. Não há nenhuma novidade nisso. Mas você conhece modelos que apresentem resultados melhores? Aliás, justamente pelo fato de que animais não são modelos perfeitos, é que eles são apenas uma das etapas de diversos testes. Após um medicamento ter sido testado in vitro (estou generalizando e sendo superficial), é testado em animais. Após ser testado em animais, é testado em um pequeno grupo de seres humanos. Depois em um grupo maior. E assim por diante.”
        “Como também já escrevi, após a Segunda Guerra Mundial ficou estabelecido que seres humanos não poderiam ser cobaias, devendo um medicamento ser previamente testado em animais.”

        Bom, o fato de não invalidar não quer dizer que o antigo critério seja válido, assim como o que foi determinado após a Segunda Guerra Mundial não é passível de ser a verdade atualmente apenas por existir. Como mencionei, uma ideia nova é passível de gerar conflito até que se encontre a verdade entre as duas. Há disparidades no que concerne sobre as pesquisas em animais, que estão ocasionando a mudança de opiniões dos pesquisadores, como você mencionou em procurar alternativas e ser mais caro os testes em animais. Hoje há procura por modelos sem animais, mas não quer dizer que os mesmos sejam necessários. ‘Não é porque os animais foram usados que significam que eles eram parte de uma descoberta, nem que tinham que ser parte do processo.’ E é claro que ainda há pessoas que afirmem serem necessários os testes, como há os que não afirmam.

        Coloquei um artigo com conflito de interesses, mas desta vez coloco outros (e comentários de pesquisas) que mostram a ineficácia ou a promoção de estudos que não utilizam os animais.

        Safety of medicine and the use of animals in research – http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736%2811%2961669-3/fulltext

        Why animal studies are often poor predictors of human reactions to exposure – http://jrsm.rsmjournals.com/content/102/3/120.long (este é legal porque mostra uma lacuna grande nos testes em animais, mas não está invalidando os testes).

        Experimentation on humans and nonhumans – http://www.springerlink.com/content/pn5624172h123x67/ (este é um modelo teórico)

        Replacing animal experiments: choices, chances and challenges – http://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/bies.20628/abstract

        Animal experiments “represent outdated science” – http://www.nature.com/nm/journal/v14/n3/full/nm0308-239b.html (comentário)

        Ethical and Scientific Considerations Regarding Animal Testing and Research – http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0024059 (este é interessante pela conclusão: While it is important to acknowledge limitations to non-animal methods remain, recent developments demonstrate that these limitations should be viewed as rousing challenges rather than insurmountable obstacles. Although discussion of these issues can be difficult, progress is most likely to occur through an ethically consistent, evidence-based approach.)

        Animal testing: call for open, scientific debate – http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736%2804%2917264-4/fulltext (comentário)

        “Qualquer dieta pode ser saudável ou não, seja com carne ou não. Vai depender de dezenas de fatores. De como está sendo feita esta dieta, do indivíduo etc. Há pesquisas, por exemplo, mostrando que dietas veganas podem causar deficiência de vitamina B12. Mas não citei isso porque a culpa não estaria na dieta vegana em si, mas em ela ser “mal feita”. O mesmo vale para alguma pesquisa mostrando algo negativo sobre o consumo de carne.”

        Aqui há um equívoco de sua parte. As dietas vegetarianas produzem mais benefícios que uma dieta onívora. As pesquisas sobre vegetais crucíferos e incidência de câncer foi feita com dieta vegetariana não padronizada e ainda assim diminuiu a incidência. Já a dieta vegetariana não padronizada anulou o efeito genético de uma doença cardiovascular. E há pesquisas que mostram que, mesmo uma dieta com carne planejada, ainda há maior risco que uma dieta vegetariana ou vegana. Como citei no posicionamento da Associação Dietética Americana. Existem muitas pesquisas longitudinais demonstrando isso. Uma pesquisa que mostra que a carne não reflete negativamente na saúde foi a realizada com uma pequena porção de carne sem gordura alguma.
        A dieta vegetariana e/ou vegana bem planejada terá maior benefício que uma dieta onívora, a não ser que a quantidade de carne esteja limitada ao da pesquisa mencionada acima e sem gordura alguma (até o presente momento é esta a projeção de uma dieta onívora saudável).

      • Obrigado por citar os artigos, praticamente todos eles vieram para confirmar exatamente tudo o que escrevi. Conclusão deste que citaste, por exemplo:

        ” While it is important to acknowledge limitations to non-animal methods remain, recent developments demonstrate that these limitations should be viewed as rousing challenges rather than insurmountable obstacles.”

        Praticamente a mesma coisa que escrevi no artigo e nos comentários; isto é: ainda há limitações para testes que não usam animais, mas avanços recentes estão diminuindo esta necessidade. E pode ser que um dia, sei lá, daqui a uns 100 anos, nenhum teste em animal seja necessário. Aliás, em geral, para se pesquisar alternativas aos testes em animais é preciso usar animais ou derivados do animais (veja o estudo que a Natura patrocinou, por exemplo). Tens alguma sugestão de como se pesquisar alternativas aos testes em animais sem usar animais?

        “Aqui há um equívoco de sua parte. As dietas vegetarianas produzem mais benefícios que uma dieta onívora. As pesquisas sobre vegetais crucíferos e incidência de câncer foi feita com dieta vegetariana não padronizada e ainda assim diminuiu a incidência. Já a dieta vegetariana não padronizada anulou o efeito genético de uma doença cardiovascular. E há pesquisas que mostram que, mesmo uma dieta com carne planejada, ainda há maior risco que uma dieta vegetariana ou vegana. Como citei no posicionamento da Associação Dietética Americana. Existem muitas pesquisas longitudinais demonstrando isso. Uma pesquisa que mostra que a carne não reflete negativamente na saúde foi a realizada com uma pequena porção de carne sem gordura alguma.
        A dieta vegetariana e/ou vegana bem planejada terá maior benefício que uma dieta onívora, a não ser que a quantidade de carne esteja limitada ao da pesquisa mencionada acima e sem gordura alguma (até o presente momento é esta a projeção de uma dieta onívora saudável).”

        Mostre-me um estudo bem conduzido que mudo na mesma hora de opinião. O que chamo de estudo bem conduzido? Principalmente que leve em consideração o estilo de vida tanto do grupo com dieta vegetariana quanto do grupo que se alimenta com carne. Por exemplo, é provável que os vegetarianos tenham outros hábitos que influenciam nos resultados: prática de atividade física, um melhor cuidado com outros hábitos de saúde etc. A hora em que eu ver um estudo excluindo (ou considerando) todas estas variáveis que podem influenciar os resultados, mudo de ideia.

        Aliás, gostaria de ver um estudo comparando uma dieta estritamente vegetariana a Dieta do Mediterrâneo, que é suportada por diversas evidências científicas e consiste no consumo de frutos do mar uma ou duas vezes por semana: http://www.mayoclinic.com/health/mediterranean-diet/CL00011

  26. Joana Cibrão

    Discordo completamente, o uso de animais devia ser banido completamente na área da saude,beleza vestuario etc..nao só pelas condiçoes miseráveis que vivem e são tratados,impossivel fiscalizar todas as empresas..e porque muitos deles não podem levar anestesia para a obtençao do resultado de um certo teste e acabam morrendo e pior usam meios mais rentáveis para o fazer e assim mais horrendos.E se o homem quer testar algo, deve testar num terraqueo igual a ele e não num ser mais fraco,inocente e que nem sequer se pode defender.Se virmos as coisas noutra perspectiva, talvez se as pessoas dessem mais valor aos principios e respeitassem mais os animais e pensassem menos nelas proprias,menos ambiciosas, nao tomavam esse passo, inibir o avanço da evoluçao, talvez seria mais benefico para a humanidade..já que os atentados contra os animais(vertebrados,nao-vertebrados) para fins de alimentaçao e vestuario só tem trazido complicaçoes sérias na sua saude.para alem de que está continuamente a estragar o nosso ecossistema.Sou contra os testes, se querem experimentar algo novo, o suposto objectivo da experimentaçao nao justifica o sofrimento de seres inocentes, apenas por dinheiro.

    [youtube http://www.youtube.com/watch?v=vPtrekRyTMA&w=420&h=315%5D

  27. “Praticamente a mesma coisa que escrevi no artigo e nos comentários; isto é: ainda há limitações para testes que não usam animais, mas avanços recentes estão diminuindo esta necessidade. E pode ser que um dia, sei lá, daqui a uns 100 anos, nenhum teste em animal seja necessário. Aliás, em geral, para se pesquisar alternativas aos testes em animais é preciso usar animais ou derivados do animais (veja o estudo que a Natura patrocinou, por exemplo). Tens alguma sugestão de como se pesquisar alternativas aos testes em animais sem usar animais?”

    Pois bem, não venho ser contra a sua afirmação, pois já entendi em todoseu artigo que é justamente isto que você está apontando. E o que venho propondo é justamente uma nova ideia: ‘Não é porque os animais foram usados que significam que eles eram parte de uma descoberta, nem que tinham que ser parte do processo.’
    Não tenho sugestão de pesquisas, não tenho ideia nem tenho noção exata de como propor um modelo de pesquisa, mas creio que existem pesquisadores que devem saber ou teorizar melhor, como a pesquisa que coloquei anteriormente:
    Experimentation on humans and nonhumans – http://www.springerlink.com/content/pn5624172h123x67/ (este é um modelo teórico)

    Animal testing: call for open, scientific debate – http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736%2804%2917264-4/fulltext (comentário. Parte dele: “How do you explain away the protease inhibitors, which came to market with no animal testing?”)

    E sobre pesquisas bem conduzidas, surio estas aqui:

    Does a vegetarian diet reduce the occurrence of diabetes? – http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1646264/?tool=pubmed
    (“The associations observed between diabetes and meat consumption were apparently not due to confounding by over- or under-weight, other selected dietary factors, or physical activity. All of the associations between meat consumption and diabetes were stronger in males than in females.”)

    Biochemical and neurohormonal responses to the introduction of a lacto-ovovegetarian diet – http://journals.lww.com/jhypertension/Abstract/1993/08000/Biochemical_and_neurohormonal_responses_to_the.12.aspx
    (este estudo é interessante porque colocou onívoros em uma dieta lacto-vegetariana)

    Nutrient intake, blood pressure, serum and urinary prostaglandins and serum thromboxane B2 in a controlled trial with a lacto-ovo-vegetarian diet. – http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=Nutrient%20intake%2C%20blood%20pressure%2C%20serum%20and%20urinary%20prostaglandins%20and%20serum%20thromboxane%20B2%20in%20a%20controlled%20trial%20with%20a%20ovo-lacto-vegetarian%20diet
    (mesma coisa do estudo anterior)

    The Oxford Vegetarian Study: an overview – http://www.ajcn.org/content/70/3/525S.long

    Boa dieta anula gene que causa doenças do coração. Tendência genética para doença cardiovascular pode ser revertida com o consumo de vegetais – http://www.estadao.com.br/noticias/vida,boa-dieta-anula-gene-que-causa-doencas-do-coracao,791687,0.htm?reload=y (esta é uma notícia, mas o artigo segue abaixo)

    The Effect of Chromosome 9p21 Variants on Cardiovascular Disease May Be Modified by Dietary Intake: Evidence from a Case/Control and a Prospective Study – http://www.plosmedicine.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pmed.1001106
    (esse não é um estudo sobre dieta vegetariana, mas sobre a quantidade de vegetais na dieta)

    Cardiovascular Genetics: A News Round-Up – http://circgenetics.ahajournals.org/content/5/1/148.long
    (esse é um comentário sobre o estudo acima, mostrando limitações, mas interessante as afirmações)

    Posição da Associação Dietética Americana (ADA) sobre dietas vegetarianas – http://www.vegetarianismo.com.br/sitio/index.php?option=com_content&task=view&id=291&Itemid=67
    (coloquei este porque está em português. é só o posicionamento resumindo bem o que há de verdadeiro sobre a dieta vegetariana)

    • “Não tenho sugestão de pesquisas, não tenho ideia nem tenho noção exata de como propor um modelo de pesquisa, mas creio que existem pesquisadores que devem saber ou teorizar melhor, como a pesquisa que coloquei anteriormente:
      Experimentation on humans and nonhumans – http://www.springerlink.com/content/pn5624172h123x67/ (este é um modelo teórico)

      Animal testing: call for open, scientific debate – http://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736%2804%2917264-4/fulltext (comentário. Parte dele: “How do you explain away the protease inhibitors, which came to market with no animal testing?”)”

      Pois é. Não apresentaste nada concreto. Assim fica fácil criticar quem faz testes em animais.

      Tens que selecionar melhor os estudos mostrados, porque eles estão mostrando exatamente o contrário das tuas conclusões. Talvez só tenhas lido os resumos deles, mas eu li inteiros.

      O primeiro:

      “Does a vegetarian diet reduce the occurrence of diabetes? – http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC1646264/?tool=pubmed

      Problemas:

      1 – Não teve grupo controle. Por que não dividiram os adventistas em dois grupos, um vegetarino e um não, e então compararam os resultados?

      2 – A definição de “vegetariano” do estudo é quem consome carne menos que uma vez por semana. Ora, então pode ter sido considerado “vegetariano” quem consome carne 3 vezes ao mês. Para mim, isso não é ser vegetarino.

      Conclusão: este estudo mostrou não só que a dieta vegetariana não é, necessariamente superior, também mostrou exatamente o contrário do que queres: consumo moderado de carne pode ser perfeitamente saudável.

      “Biochemical and neurohormonal responses to the introduction of a lacto-ovovegetarian diet – http://journals.lww.com/jhypertension/Abstract/1993/08000/Biochemical_and_neurohormonal_responses_to_the.12.aspx

      Dieta ovo, lacto, vegetariana é bem diferente de uma dieta vegan. Tem ovo e leite animal, uma dieta vegan, não. Mais uma vez, o estudo que tu citaste mostrou o contrário do que queres dizer: que é possível ter uma dieta saudável com derivados animais.

      “Nutrient intake, blood pressure, serum and urinary prostaglandins and serum thromboxane B2 in a controlled trial with a lacto-ovo-vegetarian diet. – http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=Nutrient%20intake%2C%20blood%20pressure%2C%20serum%20and%20urinary%20prostaglandins%20and%20serum%20thromboxane%20B2%20in%20a%20controlled%20trial%20with%20a%20ovo-lacto-vegetarian%20diet

      Novamente: dieta com ovo e leite. Isso não é uma dieta vegan.

      “The Oxford Vegetarian Study: an overview – http://www.ajcn.org/content/70/3/525S.long“”

      Este estudo é BEM melhor do que os que citaste anteriormente. Por ele, eu diria que há uma pequena evidência de que uma dieta vegetariana pode ser mais saudável, em geral. Ainda assim, há alguns problemas:

      1 – Mesmo no grupo vegetariano, uma parte consumiu derivados de animais algumas vezes por mês;

      2 – O estudo não comparou vegetarianos a quem consome carne moderadamente e uma grande quantidade de vegetais;

      3 – O estudo não analisou a taxa de mortalidade entre os dois grupos para todas as principais doenças;

      4 – O estudo também mostrou alguns problemas entre o grupo vegetariano, como deficiência de iodo (muito embora isso seria fácil de resolver, bastaria suplementar).

      “Boa dieta anula gene que causa doenças do coração. Tendência genética para doença cardiovascular pode ser revertida com o consumo de vegetais – http://www.estadao.com.br/noticias/vida,boa-dieta-anula-gene-que-causa-doencas-do-coracao,791687,0.htm?reload=y (esta é uma notícia, mas o artigo segue abaixo)”

      Dieta rica em vegetais… Isso é bem diferente de uma dieta vegan. A minha, por exemplo, é composta por uma variedade e quantidade maior de vegetais do que a da grande maioria da população brasileiras. Mas isso não significa que eu seja vegan. Ninguém aqui escreveu algo contra consumo abundante de vegetais, não vejo sentido para citar este artigo.

      “Cardiovascular Genetics: A News Round-Up – http://circgenetics.ahajournals.org/content/5/1/148.long

      Idem comentário anterior.

      “A posição da American Dietetic Association (Associação Dietética Americana) e da Dietitians of Canada (Nutricionistas do Canadá) é que dietas vegetarianas corretamente planejadas são saudáveis, adequadas em termos nutricionais e trazem benefícios para a saúde na prevenção e no tratamento de determinadas doenças.”

      Exatamente o que escrevi. Nunca escrevi que uma dieta vegetariana não pode ser saudável. Pelo contrário, se releres meus comentários anteriores, escrevi que qualquer dieta pode ser saudável ou não.

      Se procurares, vais encontrar milhares de estudos mostrando que a Dieta do Mediterrâneo, que é composta pelo consumo de peixes pelo menos 2x por semana e carne vermelha algumas vezes por mês, também tende a oferecer diversos benefícios à saúde:

      http://www.mayoclinic.com/health/mediterranean-diet/CL00011

      http://www.nlm.nih.gov/medlineplus/ency/patientinstructions/000110.htm

      Toda pirâmide nutricional, como a de Harvard, por exemplo, sugere o consumo de carne animal. Quem fez estas pirâmides muito provavelmente analisou todos os estudos publicados possíveis, todas as reviões etc. Se eles chegaram a conclusão de que o consumo de carne, em determinadas quantidades (assim como o de vegetais e de qualquer outra coisa na vida) é saudável e benéfico, por que eu, que não analisei os estudos como eles, chegaria a conclusões diferentes?

      http://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/what-should-you-eat/pyramid/

      • Tudo bem que comecei falando de alimentação vegana, mas depois mencionei alimentação vegetariana. Por isso que coloquei estudos com alimentação vegetariana. A alimentação vegana foi para justificar o posicionamento dos veganos. Fiz um equívoco ao mencionar os benefícios da dieta (errata).

        Os estudos que mencionei de ovo-lactos demonstram que, apesar de conter algo de animal, APESAR de tanto o grupo com alimentação com carne e alimentação ovo-lacto terem reduzido alguns índices pesquisados, a dieta ovo-lacto teve a diminuição maior.
        Há muitos estudos no posicionamento da Associação Dietética Americana que coloquei aqui. Na parte de doenças há algumas explicações que demonstram os efeitos benéficos e maiores que uma dieta onívora, seja de uma alimentação ovo-lacto, seja de uma vegana. Mas concordo que ainda são necessários estudos comparando a dieta vegetariana a uma dieta com consumo moderado de carne, ou consumo moderado de carne e alto de vegetais. Além disso, é necessário separar os estudos que definem vegetariano como alguém que come carne pelo menos uma vez por semana. Somente assim é possível saber qual a verdadeira diferença (se é que há).

        Achei duas pesquisas que falam sobre dietas vegetarianas. Uma delas fala sobre as dietas veganas.
        Health effects of vegan diets – http://www.ajcn.org/content/89/5/1627S.long

        Vegetarian diets: what do we know of their effects on common chronic diseases? – http://www.ajcn.org/content/89/5/1607S.long (esse é mais explicativo porque divide as linhas de dieta vegetarianas. Essa conclusão é interessante: “As suggested by the British work, it is also likely that there are other ways to similarly decrease mortality (the health-conscious nonvegetarians) aside from a dietary habit that is fully vegetarian.”)

        “Pois é. Não apresentaste nada concreto. Assim fica fácil criticar quem faz testes em animais.”

        Mas preciso ser um pesquisador da área de testes em animais ou ciência da saúde para criticar um ponto de vista sob o prisma da ética? Tudo que estou fazendo é argumentando sobre pontos de vista. Se vejo que um animal não deve sofrer para a minha saúde ou avanço evolutivo, é porque creio que há como desenvolver pesquisas sem o sofrimento deles, e que em nenhum momento eles eram necessários. Se todos os esforços feitos para estas pesquisas fossem direcionados para pesquisas sem testes em animais (seja testes in vitro, programas de computador para gerar equações próximas da funcionalidade humana, ou até mesmo em seres humanos, entre outros), creio já teríamos melhorado muito também e de forma ética. Esse pensamento não critica a evolução tecnológica e científica alcançada, ela abraça esta evolução, mas analisa sob a parte ética, moral. E por fim, vem somente a adicionar.

        Desculpe-me, mas somente hoje li esta parte de um comentário seu lá em cima:
        “Ah, sobre ideologia: ideologia tem quem nega os avanços da ciência em virtude de crenças pessoais.”

        Ideologia é muito diferente do que você escreveu. E não há negação da ciência em momento algum, há apenas busca da verdade através das argumentações.

      • “Mas preciso ser um pesquisador da área de testes em animais ou ciência da saúde para criticar um ponto de vista sob o prisma da ética?”.

        Não. Mas é que criticar parece ser mais fácil…

        “Se todos os esforços feitos para estas pesquisas fossem direcionados para pesquisas sem testes em animais (seja testes in vitro, programas de computador para gerar equações próximas da funcionalidade humana, ou até mesmo em seres humanos, entre outros), creio já teríamos melhorado muito também e de forma ética. Esse pensamento não critica a evolução tecnológica e científica alcançada, ela abraça esta evolução, mas analisa sob a parte ética, moral. E por fim, vem somente a adicionar.”

        Mas é justamente isso que é feito hoje em dia. Em geral, só são realizados testes quando realmente não há alternativas.

  28. Cláudio Godoy

    “Não tirei botão nenhum, tu que não deves ter encontrado. Aliás, nem teria como eu tirar, que eu saiba. O que eu poderia ter feito seria rejeitar algum comentário teu, o que não ocorreu.”

    Peço desculpas por ter me ocorrido a ideia leviana de que você não estaria mais disposto a debater. Pelo que pude comprovar nesta página, você responde prontamente a todos os comentários. No entanto, a opção responder ainda não se encontra ao lado do seu último comentário em nossa discussão.

    “Sim. Porque não testar em animais em detrimento de seres-humanos demonstra uma atitude anti-humana.”

    Seguindo a sua tese de que indivíduos de outras espécies podem ser usados como objetos descartáveis para a sobrevivência de nossa espécie, não haveria razão para não sacrificarmos alguns seres humanos em benefício da humanidade, já que o que estaria em jogo seria a espécie como um todo e não indivíduos considerados isoladamente. Afinal, quantos seres humanos poderiam ser salvos com a doação de órgãos de apenas um único indivíduo com severas limitações cognitivas a ponto de não ser capaz sequer de recorrer à linguagem simbólica?

    A alegação de que esta seria uma atitude anti-humana denota circularidade, caso não se reconheça que os seres humanos são sujeitos de direito apenas pelo fato de serem capazes de desfrutar da vida, independentemente de suas limitações intelectuais. Ou seja, humanos teriam direitos porque são humanos.

    A pergunta correta a se fazer, ainda não respondida, seria por que todos os seres humanos, independentemente de sua capacidade cognitiva, teriam o direito de não serem usados como meros objetos e os outros seres sencientes não?

    • “Ou seja, humanos teriam direitos porque são humanos.”

      Exatos, somos a espécie que melhor conseguiu superar os obstáculos da natureza – e não há nada de errado nisso, pelo contrário, é ótimo.

      “A pergunta correta a se fazer, ainda não respondida, seria por que todos os seres humanos, independentemente de sua capacidade cognitiva, teriam o direito de não serem usados como meros objetos e os outros seres sencientes não?”

      Justamente porque somos seres humanos. Se as moscas das frutas tivessem se desenvolvido da mesma forma intelectual que os seres humanos, provavelmente também estariam defendendo sua própria espécie em detrimento a outras.

      Aliás, se o critério é ser senciente ou não, então está praticamente resolvido o problema, porque na grande maioria dos testes os animais são anestesiados, tornando-se, durante o procedimento, não sencientes. E se o critério não for este, então não sobraria justificativa ética nem para se usar plantas.

      • Cláudio Godoy

        “Exatos, somos a espécie que melhor conseguiu superar os obstáculos da natureza – e não há nada de errado nisso, pelo contrário, é ótimo.”

        Seguindo este raciocínio, se fôssemos o povo que melhor conseguiu superar os obstáculos da natureza, não haveria nada de errado em escravizar os povos mais atrasados. Não seria ótimo?

        “Justamente porque somos seres humanos. Se as moscas das frutas tivessem se desenvolvido da mesma forma intelectual que os seres humanos, provavelmente também estariam defendendo sua própria espécie em detrimento a outras.”

        Quem sabe as drosófilas seriam eticamente menos atrasadas do que nós e se recusariam terminantemente a brincar com os genes HOX dos seres humanos. Mesmo se pudessem se beneficiar muito criando uma perna no lugar de um nariz de uma cobaia humana. Não devemos subestimá-las.

        “Aliás, se o critério é ser senciente ou não, então está praticamente resolvido o problema, porque na grande maioria dos testes os animais são anestesiados, tornando-se, durante o procedimento, não sencientes. E se o critério não for este, então não sobraria justificativa ética nem para se usar plantas.”

        Então por que não usamos seres humanos nestes testes, já que o único problema ético seria o de anestesiá-los adequadamente?

        O critério da senciência se aplica tanto à obrigação de não causar sofrimento quanto ao dever de respeitar a vida alheia. Mesmo se matarmos um ser senciente de modo totalmente indolor, ainda assim o privaremos de todas as suas experiências futuras.

      • “Seguindo este raciocínio, se fôssemos o povo que melhor conseguiu superar os obstáculos da natureza, não haveria nada de errado em escravizar os povos mais atrasados. Não seria ótimo?”

        Ocorre que os seres-humanos, em geral, não dão a mesma importância aos animais que dariam aos seres-humanos. Então, não. Não seria ótimo. Justamento por humanismo.

        “Quem sabe as drosófilas seriam eticamente menos atrasadas do que nós e se recusariam terminantemente a brincar com os genes HOX dos seres humanos.”

        Não existe “ética atrasada” e “ética adiantada”. Ética não é algo em que se vai fazendo um “upgrade”. Cada época tem sua própria noção/conceito de ética. Atualmente, apenas poucas pessoas acham ético não usar animais para testes em detrimento de seres-humanos.

        “Então por que não usamos seres humanos nestes testes, já que o único problema ético seria o de anestesiá-los adequadamente?”. Já respondido. Porque a maioria dos cientista são humanistas.

      • Cláudio Godoy

        Prezado Pedro,

        Tenho a leve impressão de que todos meus argumentos estão andando em círculos, mas neste comentário vou fazer um esforço para que eles sejam melhor compreendidos.

        Os humanistas contrariam alguns dos próprios princípios fundamentais nos quais baseiam a sua ideologia de que todo ser humano, independentemente de suas capacidades, é o único organismo que é um fim em si mesmo e todo o resto só serve para satisfazer estes fins.

        Veja o caso do princípio da igualdade, tão caro para que não discriminemos seres humanos em virtude do seu sexo, da cor de sua pele, de seu atraso tecnológico ou de seu retardamento mental. Ao estabelecermos um critério para a plena posse dos direitos mais fundamentais, devemos segui-los à risca, sob pena de violação deste princípio.

        Se todos os seres humanos possuem o direito fundamental de não serem usados como meros objetos para finalidades alheias e o critério a ser seguido for o da racionalidade, logicamente todos os seres humanos que não se enquadrarem neste critério deixarão de ter este direito.

        Estou com o palpite de que você não concordaria com tamanha monstruosidade, justamente porque o critério que todos humanistas empregam para considerar qualquer ser humano como sujeito de direitos é o da senciência pura e simples. Só que, ao eleger este critério, dão um golpe de misericórdia no próprio cerne de sua ideologia se não estiverem dispostos a violar o princípio da igualdade, pois a existência de indivíduos sencientes pertencentes a outras espécies faz com que o especismo seja análogo aos tão abomináveis racismo e sexismo, que você certamente chamaria de ideologias eticamente questionáveis.

        O próprio conceito de espécie não é tão inflexível quanto os humanistas fazem questão de nos enfiar goela abaixo quando defendem os privilégios de sua própria espécie. É possível observar este fenômeno no momento presente no caso das espécies em anel, como o das gaivotas argênteas e o da salamandra da costa do Pacífico na Califórnia. O mesmo ocorre em uma escala temporal. Por exemplo, se todas as espécies descendentes do nosso ancestral comum com o chimpanzé ainda estivessem vivas, onde o tal do humanismo traçaria o limite para decidir quem poderia ser usado como cobaia ou não? Entre o Australopithecus africanus e o Homo habilis? E o que fazer com os indivíduos intermediários entre estas duas espécies, supondo-se que uma deu origem à outra?

        Só para concluir, o raciocínio ético deve seguir os mesmos critérios lógicos que são empregados em qualquer área onde a razão deve reinar soberana. Devemos sempre relevar os contextos históricos onde ocorreram atrocidades inomináveis e discriminações abjetas, mas estas últimas não deixam de ser antiéticas só porque a esmagadora maioria dos agentes morais na época em questão as consideravam aceitáveis. Devemos sempre ter em mente a distinção entre ética, atemporal e absoluta, e moral, efêmera e relativa.

      • Cláudio, acho que está faltando um pouco de pragmatismo. Praticamente ninguém está disposto a deixar de ter medicamentos melhores (ou até armamentos, futilidades etc) para não prejudicar alguns animais. Considerando alguns que isso seja anti-ético ou não.

      • Cláudio Godoy

        Pelo menos este pragmatismo não se aplica aos membros de nossa própria espécie.

        O que já é um começo.

  29. Lindo e perfeito para aqueles que subestimam a vida dos animais. Se eles pudessem optar, será que gostariam de ser “eutanaziados” para nos ajudar? Opinar a respeito da vida e morte de outros seres é muito fácil…Para mim, o respeito à vida supera qualquer índice, pesquisa, teoria, tese…Se eles pudessem falar a nossa língua, teríamos criado a muito tempo uma alternativa mais inteligente!

    • “Se”, mas não podem, justamente porque não se desenvolveram da mesma forma que a nossa espécie. Nossa espécie foi a que melhor se adaptou ao mundo no processo evolutivo, e não há nada de errado com isso.

      “Para mim, o respeito à vida supera qualquer índice, pesquisa, teoria, tese.”"

      Para mim também. Justamente por isso que a pesquisa em animais deve continuar nos casos em que não houver alternativas, para continuar salvado a vida dos seres humanos e até mesmo outros animais.

      • Cláudio Godoy

        Ou seja, podemos fazer isso porque somos mais poderosos.

        Uma salva de palmas à lei do mais forte!

      • Pois é, a especie humana se desenvolveu tão bem que ficou boa demais para o planeta Terra.
        Então destruímos o planeta com nossos padrões de consumo, porque somos mais evoluídos…
        Acho que evoluir é muito relativo…

  30. Eu até concordo com você mas se pensar por outro lado essas empresas não são tão hipócritar assim, por exemplo se a muito tempo já testaram determinada substância em animais não tem porque continuar testando, eu prefiro usar um produto de uma empresa que faz isso do que apoiar aquelas que além de a substância já ter sido testadas a anos continua a ser testada por elas, isso faz menos sentido ainda. Ah e se a empresa terceiriza testes ela não pode ser considerada uma empresa que não testa, não conheço nenhuma que diz não testar e terceirizar testes.

    • Mas Amanda, é muito improvável que alguma empresa teste algo que já foi testado. Iria gastar dinheiro testando algo que já foi testado para quê? Como já escrevi, só em último caso são relizados testes em animais.

  31. O problema é que tem gente que arranja um monte de desculpas para defender empresas como unilever e p&g. Mas afinal, para que continuar testando substâncias que já foram testadas antes ? Eu contínuo apoiando aquelas que não testam mais pois se o produto já foi testado uma vez e elas não testam mais elas não estão sendo hipócritas mas sim conscientes hipócrita pra mim é ficar fazendo o mesmo discurso sempre que começa com a nossa política blá blá blá.

    • Então tu apoias todas, porque esta é a política de qualquer empresa. :)

      • Ah não sei não, que eu vi até hoje a unilever é a única que toda vez que alguém questiona sobre os testes responde dessa forma.
        Eu acredito que fazer testes em animais mesmo sendo caro ainda é mais barato do que fazer as mudanças necessárias para substitui-lo então essa é uma questão que envolve muito a opinião e o ponto de vista de cada um, pois cada um defende e arranja argumentos pra defender aquilo que acredita.

      • Acreditar, por si só, não torna nada verdadeiro. Evidências é que são necessárias.

      • Exatamente, cada um arranja EVIDÊNCIAS pra provas aquilo que acredita se todos pensassem igual não teria nem graça discutir sobre algo, o mais importante é saber respeitar o ponto de vista de cada um. Eu tenho como provar o que digo, e as empresas que constam na lista do PETA como não testam em animais, não terceirizam testes, pois essas estão na lista como TESTAM EM ANIMAIS. E se as que dizem não testar já testaram no passado determinada substância, que bom que pararam.

      • “Exatamente, cada um arranja EVIDÊNCIAS pra provas aquilo que acredita (…)”.

        E quem é racional acaba acreditando em quem tem as evidências melhores.

        “Eu tenho como provar o que digo, e as empresas que constam na lista do PETA como não testam em animais, não terceirizam testes, pois essas estão na lista como TESTAM EM ANIMAIS.”"

        Sim, elas usam substâncias testadas por outros. Dá na mesma. Pegue qualquer composição de um produto de uma empresa que esteja na lista do PETA das supostas empresas que não testam. Eu vou mostrá-la que há substâncias testadas – ainda que, talvez, não pela empresa.

        Aliás, PETA é esta ONG que está sendo acusada de tudo isto, né?

        http://www.petakillsanimals.com/

  32. Eu não estou defendendo o PETA afinal o que eles fazem ou deixam de fazer nem está em discussão aqui. Mas as empresas que terceirizam testes não estão na lista como empresas que não testam em animais mas sim na lista de empresas que testam, por exemplo no caso da AVON que ao financiar testes na China foi rapidamente retirada da lista de empresas que não testam. Por isso eu acho que não se trata de esconder fatos, eu entendo o seu ponto de vista e respeito, mas contínuo preferindo empresas que dizem não testar, agora se elas estão mentindo nenhum de nós temos como provar, não estamos lá para ver, então realmente fica difícil, porém cabe a nós consumidores cada um com a sua consciência fazer o que acha mais certo, no fim não temos outra opção, afinal apoiar empresas como unilever não vai mudar nada ou vai ?
    Eu sei que as substâncias que existem nos produtos já foram testados antes, mas pelo menos o produto final não foi, já é um começo, agora as que terceirizam, concordo que são hipócritar se dizerem que não testam, ah vc pode citar uma empresa que diz não testar e terceiriza por favor ? É que não sei de nenhuma.

    • Amanda, escrevi que uma das opções para a empresa dizer que não testa é terceirizar os testes. Não que todas fazem isso. O que todas fazem é usar substâncias que já foram (ou são) testadas por alguém. Podes me mandar a lista de ingredientes de qualquer empresa, eu mostro que há ingredientes que foram testados em animais (ainda que não, talvez, pela empresa).

      • Ok, isso eu entendo e não concordo com essa postura dessas empresas, ( no caso das que utilizam substâncias que são testadas por outros) porém por outro lado as que utilizam substâncias TESTADAS NO PASSADO nem são tão ruim assim porque pelo menos eles perceberam que se já foi testado uma vez no passado não há necessidade de testar também o produto acabado. Ao contrário de algumas empresas que além de tudo também testam produtos acabados e no caso de substâncias como aquelas que contém o cigarro que todos já sabem o mal que fazem, mas continuam sendo testadas em animais inocentes.

      • Acho muito improvável que uma grande empresa teste novamente algo que já foi testado. Porque gastaria dinheiro à toa? Geralmente quando isso ocorre é só nos casos em que a legislação exige mesmo, o que costuma ser o caso quando se quer exportar, por exemplo, para a China.

      • É isso eu sei, é o caso da Avon né, nesse caso a empresa deixa de alegar que NÃO TESTA EM ANIMAIS.

  33. Letícia Neves Fonseca

    Olá, tu mesmo deixou claro que tirou parte da sua pesquisa para postar neste site, teria, se possível, como mandar-me a continuação do artigo para o meu email? Como eu poderia entrar em contar contigo sem precisar externar publicamente meu endereço eletrônico? Obrigada!
    Vou colocar meu email aqui embaixo, nos dados obrigatórios, se puder, entre em contar comigo. :)

  34. Penso que esta “discussão” remou e remou para uma discussão de puros conceitos. Só espero que não me respondeu “E que conceitos, ora vamos lá…”, porque não é isso que realmente interessa (mas se o queiserem fazer: bora lá.) Bom, os argumentos são que há uma grande hipocrisia no mercado cosmético em que empresas há que afirmam não fazer testes, quando realmente utilizam (e incentivam) outras que os já fizeram por elas. (Confesso que me fez aterrar quanto à minha procura quase dolorosa de empresas que não testem em animais – tenho que usar protetor solar por razões clínicas). Por outro lado, um ser humano consciente sabe que não é “dono” do mundo, por direito, muito menos de outras espécies e que certas acções provocam tanto sofrimento nos animais como em si próprio. Uns, também por uma questão de tomada de consciência desse sofrimento, tenta ao máximo minimizá-lo, optando pelo veganismo ou vegetarianismo. Todos parecem estar a fazer sentido, é certo. Talvez pudessemos começar por um ponto comum: procurar produtos com uma pegada ecológica reduzida, uma vez que a poluição é um problema global e de toda a gente, que provoca muita crueldade no planeta em geral: atmosfera, solos, oceanos, água doce, nós, flora e fauna (e mesmo aí, seria de esperar oposições, quer a nível de empresas – falta de escrúpulos, visam o dinheiro fácil, quer do cidadão comum – falta de informação, procura do mais barato); penso que se começássemos por aí, a crueldade particular, de cada animal, seria um problema que quase se resolveria por si. Quiçá… É uma visão ingénua, sei, mas positiva. Uma coisa eu sei: não se pode afirmar que os animais sejam bem tratados num laboratório; isto porque está fechado num ambiente frio, insípido, atrás das grades, num espaço minúsculo, sem sociabilizar muitos deles, descaracterizado; e há animais que se sentem mais aterrorizados nesses ambientes: símios, cães, gatos, entre outros. Jean Segata, antropólogo, diz que a grande descoberta da nossa era (que tem que levar a uma mudança de paradigma) é que a CIÊNCIA descobriu que os animais já não se diferenciam entre si em espécies, mas em grau.
    E tudo parece justifícável! Imaginemos que vinha um ET e fazia experiências em seres humanos como nós fazemos nos animais (estamos no reino dos imaginemos, é só para fazer uma analogia, e já sei que há quem diga que foi “abduzido” – quem diz que foi, não tenho nada a ver com isso, eu só sei que nunca fui, e se fui não me lembro e acho que ainda bem). Certamente esse ET também justificaria – antes eles do que eu, é quem eu tenho mais parecido comigo – partindo do princípio que era (para não dar argumentos a falsos silogismos, imaginemos que evoluímos todos – ET’s e nós – do mesmo “ramo” há muitos milhões de anos atrás e que eles evoluiram tanto que se foram ainda nós gatinhávamos). Só pergunto: era justo? Acharíamos isso assim tão normal? Só sei que me me amachuca a alma o sofrimento infligido. Pergunto-me muitas vezes o que sente um cientista quando atira para os olhos de um animal um produto que lhe dá cabo dos olhos e fica ali, pávido e sereno a tirar notas. Só posso dizer isto: se eu pudesse, agora, por minha iniciativa, (com toda a minha ignorância, compaixão e ganas de vontade) libertava todos os animais em laboratório.
    O meu gato quando tinha 2 anos e meio, teve um enorme abcesso num dente. Estava eu a dar explicações a um adolescentes quando o gato chega à minha beira, se põe em pé com as patinhas nos meus joelhos, e com uns olhos aflitivos à procura dos meus olhos, mia (parecia um “discurso” e mete a pata no boca, batendo sucessivamente com a patinha na gengiva. Percebi logo tudo. Abri-lhe a boca e lá estava o abcesso. O miúdo só dizia: nunca vi um gato a dizer à dona que lhe doiam os dente. E doíam, e ele bem o mostrou! Acho que isto diz tudo o que penso do assunto.
    Percebo tudo, percebo todos, mas esta á a minha opinião sobre o assunto. Foi o que aprendi, empiricamente. O meu gato mostrou-me que realmente o que nos separa é em grau. E pareceu-me um grau bem parecido com os parâmetros de comunicação que conheço. Só que eu aliviei-lhe o sofrimento, outros provocam-no. Isso assusta. Pode-se falar nas pessoas, na falta de dinheiro, nas doenças das pessoas, nos testes que já foram feitos para que o meu gato fosse curado. Não me interessa, tem que se começar por algum lado. Comece-se agora.

    • “E tudo parece justifícável! Imaginemos que vinha um ET e fazia experiências em seres humanos como nós fazemos nos animais (estamos no reino dos imaginemos, é só para fazer uma analogia, e já sei que há quem diga que foi “abduzido” – quem diz que foi, não tenho nada a ver com isso, eu só sei que nunca fui, e se fui não me lembro e acho que ainda bem). Certamente esse ET também justificaria – antes eles do que eu, é quem eu tenho mais parecido comigo – partindo do princípio que era (para não dar argumentos a falsos silogismos, imaginemos que evoluímos todos – ET’s e nós – do mesmo “ramo” há muitos milhões de anos atrás e que eles evoluiram tanto que se foram ainda nós gatinhávamos). Só pergunto: era justo?”

      Sim, acho relativamente justo. Por questão de instinto, todos parecem querer preservar ao máximo possível sua própria espécie, mesmo que isso cause prejuízo a outras. Mas considerando que espécies menos conscientes que a nossa, provavelmente não seríamos escolhidos.

  35. Pode até ser mais relativamente ”aceitável ”mas justo não é não.

  36. Acredite, eu li tudo. É de uma clareza e inteligência sem tamanho! Meus parabéns!

  37. Seria ruim mesmo comprarmos um produto que nunca sequer foi feito qualquer tipo de teste. Mas cá entre nós: além do sofrimento que eles têm durante e após esses testes (não acredito que as empresas que realizam testes, usam anestesia e cuidam bem deles, com assistência médica veterinária e etc), mesmo os macacos que são os que mais chegam à semelhança do homem, não dá 100% de confiança usar um produto que foi testado nele. Por exemplo, quando surgiu o vírus da AIDS, fizeram vários testes em macacos, e deu certo. Daí começaram a usar em humanos… O que aconteceu? Houve vários problemas, porque descobriram que macacos eram resistentes à AIDS.
    Eles fazem teste de cosméticos adicionando o mesmo nos olhos dos coelhos albinos, sendo que os olhos deles são muito sensiveis, causando problemas quando o produto é usados em humanos.

    Recomendo que vocês assistam o documentário “Não Matarás”, do Instituto Nina Rosa. Isso sim é a realidade por trás dos laboratórios.

    Deixando uma frase aqui que gostei muito que foi comentado por um dos ativistas.. foi mais ou menos assim: “Por que você não vai a um veterinário quando está doente? Porque são espécies diferentes.” E é nisso que acredito, afinal muitas vezes os testes que dão certo nos animais, dão errado em humanos. :)

    • “(…) não acredito que as empresas que realizam testes, usam anestesia e cuidam bem deles, com assistência médica veterinária e etc (…)”

      Por que não acreditas? Baseada em quê?

      “(…) mesmo os macacos que são os que mais chegam à semelhança do homem, não dá 100% de confiança usar um produto que foi testado nele. (…)”

      Exato. Justamente por isso que os testes em animais são apenas um dos passos dos testes necessários antes de colocar uma substância X no mercado. Isso está explicado no artigo, mas talvez não leste com atenção.

      “Eles fazem teste de cosméticos adicionando o mesmo nos olhos dos coelhos albinos, sendo que os olhos deles são muito sensiveis, causando problemas quando o produto é usados em humanos.”

      “Eles” quem? Este tipo de teste não costuma ser mais usado por praticamente nenhuma empresa, porque há alternativas.

  38. Pros cientistas fazerem tais testes em animais, eles no mínimo não devem ter um pingo de compaixão por eles, por que né?! Para eles injetarem todas aquelas substâncias em animais muitas vezes indefesos (com todas aquelas máquinas que usam pra eles não se mexerem, fica um tanto dificil, mesmo se pudessem). E já com tanta tortura, eles iriam mesmo pagar um veterinário ou seja lá o que for pra PROTEGER eles? Acho que não hein.

    • Aparentemente, vais fazer Vestibular em breve, pode ser necessário tentar compreender o que se lê. Logo, sugiro reler – ou ler – o artigo antes de comentá-lo :)

      “(…) E já com tanta tortura, eles iriam mesmo pagar um veterinário ou seja lá o que for pra PROTEGER eles? (…).”

      Você deveria ser mais respeitosa com pessoas que desenvolvem e desenvolveram materiais que, inclusive, você escolheu usar e está usando neste momento e que sofrem tão ou mais que você ao ver animais sofrerem. Cienstistas não torturam animais.E a resposta para a sua pergunta é sim. E o porquê está respondido no texto.

  39. Qual sua opinião sobre a gata Double Trouble? (Não tou rebatendo com a sua resposta, só uma pergunta mesmo)

  40. Olá! Fico muito decepcionada em saber que não existem empresas que não testam em animais. Sou totalmente contra a crueldade desnecessária, penso que os seres humanos simplesmente decidiram que suas vidas são mais importante do que as vidas das outras espécies. Analisando esse pensamento mais a fundo, todas as espécies priorizam sua proteção, então acho que é natural que os testes sejam feitos pra conservar a segurança de nos mesmos. Porém uma pergunta não me sai da cabeça; será que não existe uma maneira de tornar esses testes menos cruéis? As pessoas que trabalham com esses testes provavelmente acham normal as crueldades e não pensam nessa diminuição, assim como os pecuários acham normal o abate do gado. Não seria possível criar um limite no que é REALMENTE necessário fazer? Por exemplo, uma substância X que é muito utilizada em cosméticos seria testada uma vez, e depois de comprovado que seu uso não causa consequências ruins à humanidade, ela poderia ser usada por todas as empresas sem novos testes.

    • Carolina, sim. Estes limites já existem em uma boa parte dos países e são bem restritos. Como expliquei no artigo, testes em animais só costumam ser feitos em raros casos – quando realmente não há alternativas. E mesmo nesses raros casos, procura-se usar a menor quantidade possível de animais e causar o menor sofrimento possível a eles.

  41. OK.
    Mas é muito melhor uma empresa dar prioridade a compostos que já foram testados (ou seja, ela já sabe que não nos causará nenhum dano) do que testar novamente ou procurar um substituto que desempenhe a mesma função e ainda não foi testado.
    Eu sei que o mercado (consumidores) deseja novidades atras de novidades, mas a grande maioria é totalmente desnecessária.
    Não vejo porque cegar vários coelhos para cria MAIS um rimel, MAIS uma base, MAIS um shampoo…
    Animais sofrem, sentem dor, sentem medo, sentem angustia…
    O fato do ser humano ter polegares opositores e comunicação mais desenvolvida não dá o direito de causar sofrimento.
    Acho que enquanto o testes em animais forem uma alternativa, pouco será feito para a sua substituição.
    E quando vc diz que TUDO já foi testado e que por esse motivo vegans são hipócritas por terem computadores, eu acho que vc esta sendo sensacionalista. Acho admirável pessoas que se esforcem para remover da sua rotina o MAXIMO de produtos que tenham algo de sofrimento animal, mas é impossível se livrar de tudo 100%.
    E por fim espero que seu post não estimule o consumo inconsequente por acreditar que tudo é a mesma coisa então não precisamos nos preocupar com de onde veem e como foram feitos.

    • “Mas é muito melhor uma empresa dar prioridade a compostos que já foram testados (ou seja, ela já sabe que não nos causará nenhum dano) do que testar novamente ou procurar um substituto que desempenhe a mesma função e ainda não foi testado.”

      Mas vocês imagina que não seja exatamente isso que muitas empresas façam? Nenhuma empresa bem admnistrada irá realizar testes em animais desnecessários. Esses testes são caríssimos, difíceis e não conheço ninguém que goste de fazê-los.

  42. Muito didádica esta matéria, bem esclarecedora e tals, mas discordo quanto aos tratos dispensados aos animais cobaias. Pode até ser que muitos desse laboratórios até sejam éticos – se é que possível haver alguma ética, quando se refere a usar seres vivos, que sofrem, em deterimento de nosso eterno bem estar -. O que eu tenho visto em muitos sitios de defesa dos animais, são bichos completamente deformados, mutilados em consequência dos mais variados testes. Mesmo que não tenhamos escolha, que por hora não haja saída, dá sim para melhorar esse quadro negro. Tanto consumo disso e daquilo, só podia dar nisso. Rever conceitos pode não resolver, mas pode minimizar tudo isso, pelo menos até que apareçam soluções mais condizentes com os passageiros do século XXI, dessa era tão tecnólogica, tão digital, porque enquanto debatemos, animais se debatem e isso para mim, é TREVA.

  43. É engraçado como sempre vemos apenas um lado da moeda, e dificilmente paramos para pensar no outro lado.
    Sou vegetariana, e ainda não ouvi argumentos satisfatórios que me façam pensar diferentemente disso.
    Porém quanto aos testes em animais, é mais complicado. Foi o que pude enxergar com este post: a empresa pode não testar em animais, mas os componentes utilizados já foram testados um dia.. Parar de consumir das empresas que assumem os testes, não fará grande diferença.`
    É complicado mesmo.. Mesmo tendo agora esta nova visão (do outro lado da moeda), sinto certa culpa em comprar/utilizar produtos afirmadamente testados. Mas enfim, no mundo como sempre, o que manda é o dinheiro. O que importa é vender e lucrar, custe a quem custar..
    Quem dera pudessemos todos ser e viver como índios. Não os de hoje, que usam bermudas e tem celular, mas como os índios de verdade, de 500 e poucos anos atrás. Índios que mesmo caçando e testando, cuidam da natureza, e não inventaram o dinheiro..
    Ao autor, parabéns pelo post! Att.

    • Apenas para concluir, continuo sendo contra qualquer tipo de crueldade animal, seja na educação (medicina), seja na saúde..
      É como uma frase que li num dos comentários acima: “Por que você não vai a um veterinário quando está doente? Porque são espécies diferentes.”
      Isso pra mim resume tudo..

  44. Todo o debate acerca desse tema, principalmente por parte do Pedro e do Fabio que demonstraram clareza em seus conhecimentos e convicções, me deixaram meio triste por não conseguir extrapolar à minha visão romântica de um mundo onde houvesse mais igualdade.
    Ao me tornar vegano, eu o fiz porque um dia percebi que minha cachorrinha tinha o mesmo olhar de perplexidade de um boi, uma galinha, uma cobra; o olhar de um ser vivente, que notadamente não se questiona por que veio ao mundo e para onde vai, que tá cagando para a cotação da bolsa, mas se importa muito com o seu pasto, o seu grão a sua presa, e mais que isto, transborda vontade de viver nesse olhar. Mas, de vez em quando, descubro no que meio de um produto que utilizei como sendo vegano, havia um ingrediente de origem animal. O que fazer? Neste caso descontinuo o uso e continuo meu caminho rumo ao meu mundo idealizado, fazendo o que no momento está ao meu alcance, que é não comer produtos de origem animal. Quanto ao computador, ao creme dental, à anestesia, é bem provável que ainda os utilize por um tempo, uma vez que o estrago já foi feito e não há como reverter. E para quem acredita que graças a ele estamos onde estamos, mais inteligentes e tecnologicamente mais evoluídos, eu preciso lamentar que essa evolução tenha sido à custa de bilhões de vidas de seres inocentes que só desejam o mesmo que nós: viver e cumprir o seu papel na natureza, o que certamente não é servir aos seres humanos.
    E acredito ainda que faz parte da natureza humana, dentro da sua racionalidade, buscar o conhecimento. Porém da forma que ele foi conquistado não o considero genuíno, pois para mim enquanto ser pensante e pacífico não é correto causar dor e sofrimento a outrem para que eu seja beneficiado.
    Talvez a humanidade ainda consiga, caso não seja extinta antes, fazer o que deveria ter sido feito, buscar a evolução em harmonia com a natureza e com os animais não humanos. E quando se esgotarem os recursos será necessário fazer o caminho de volta, e começar de novo de uma forma “pensada”.

  45. andrea rockenbach manente

    mas eu sou vegana para respeitar os animais e o fato de usar o computador infelizmente não existe como ainda não ferir aos nossos irmãozinhos, achei seu comentário infeliz não me leve a mal, mas dizer que não devemos usar notebook por alegar que somos veganos e não devemos então usar nada, pois tudo contém algo que foi testado em animais, me perdoe mas é desculpa porque ao sermos veganos estamos tentando ajudar de alguma forma e vivendo na Terra que é um mundo de provas e exxpiações, devemos encontrar um equilíbrio, pois infelizmente não podemos ainda estar em UNO com a bondade de Deus e viver de acordo com seres depurados, por isso ainda temos esses conflitos. Um grande abraço e sei que aquilo que está ao nosso alcance na medida e no grau evolutivo em que nos encontramos, podemos e devemos fazer. Ser vegano não é só isso, é como as pessoas que comem carne e latícinios e praticam o bem, são ssolidários, fazemos àquilo que está ao nosso alcance! O bem que praticares será teu advogado em toda à parte ( Chico Xavier)

  46. Achei muito interessante esse artigo. Sigo uma dieta lacto-vegetariana, e por um bom tempo sofri de culpa por usar coisas que eram testadas em animais, e ao adquirir produtos dito como não testados, eu descobria nos ingredientes mais coisas ligadas aos animais, uma culpa sem fim!
    Eu tinha 15 anos e meio quando decidi que não precisava de nenhum tipo de carne animal em minha alimentação, e hoje com meus 24 anos considero uma das coisas mais dignas que fiz ao meu corpo e mente.
    Em relação aos testes, eu me esforço para consumir produtos que se dizem não testar em animais, mas ainda assim, considero esse um assunto complicado, seria mais facil talvez não ter tantas vaidades rs…
    Agradeço por tal conteúdo exposto a pessoas um tanto leigas (o meu caso).

  47. amigo, você não entendeu o que é ser Vegano.

  48. Eu fico impressionada com a quantidade de gente que comenta dizendo que não concorda e em seguida diz coisas que estão no próprio texto. O autor explicitou uma coisa que há muito tempo me faz pensar: o fato de que não há como fugir da pesquisa em animais. Não é uma questão de concordar ou de discordar, eu, por exemplo, discordo. Não gosto da ideia e preferia que não se testasse em animais. O que se diz nesse texto é que isso aconteceu, e graças a esses testes não se precisa testar novamente muita coisa. E que segue acontecendo, porque algumas empresas testam em animais apenas as substâncias que já não tenham sido testadas (tudo fica documentado, qualquer cientista pode consultar sem ter que refazer os testes). É para isso que se criou a escrita, para que as experiências possam ser registradas e não se tenha que refazer tudo do início sempre.
    Outra coisa que me pareceu bastante sensata é que não adianta usar Natura em vez de Avon, por exemplo, ou Phebo em vez de Dove, achando que está protegendo os animais. Acontece que muitas dessas empresas que posam de boazinhas são na verdade umas oportunistas, já que não testam mas usam os ingredientes testados pelas outras. Essas outras, que acabam saindo como vilãs, não ficam retestando os mesmos componentes por sadismo puro, como muita gente ingenuamente ficou repetindo nesses comentários. E elas não deixaram de retestar porque são muito boazinhas e sim por motivos econômicos. Então, os que estão sempre com a síndrome da perseguição, cheios de teorias da conspiração alimentadas por fotos antigas e sem fonte confiável, podem relaxar mais, porque os malvados não vão gastar dinheiro à toa, por mais sádicos que sejam.
    Quanto a ser vegano ou vegetariano, acredito que é uma tendência que irá aumentar na nossa sociedade, em consequência de uma hiperespecialização das tarefas. A maioria de nós está tão distante de matar seu próprio alimento e tão acostumada a ver os animais como amigos (desenhos animados e filmes ajudam), que quando paramos para pensar nisso, não é com naturalidade que aceitamos o abate, por exemplo. É da nossa natureza, é uma adaptação humana consumir carne. Talvez a próxima adaptação seja não consumir. Eu espero e talvez seja uma das próximas vegetarianas.
    Mas tem muito vegano querendo ser santo e apontando o dedinho pontudo na cara de tudo e todos, posando de protetor dos animais. Concordo com o autor quando diz que não é necessário usar computador. Assim como não é necessário usar cinto de couro ou comer gelatina. Se usam o computador porque o estrago já foi feito, eu como churrasco porque o boi está morto. Não matam um a menos porque eu não como. E não fica mais morto se eu comer.
    A verdade é que os veganos não querem viver sem o computador. Se gostassem pra valer de carne, não iam abdicar dela. Abdicam de uma coisa que não gostam e querem que os outros não gostem também. São os novos catequistas, querendo impor sua visão para os outros.
    Eu não bebo. E nem por isso passo meu tempo enchendo o saco dos outros, dizendo as 1.000.000.000 de consequências negativas que o álcool pode causar a um indivíduo e a toda uma sociedade.
    Ficam rangendo os dentes, mas não deixam de tomar um analgésico por causa dos bichinhos. Aguentem e tomem chazinho, aí a gente conversa.

  49. Olá… Tropecei hoje nesta msg via outro blogue que costumo ler!

    E realmente eu próprio já cheguei há muito a esta conclusão: A de que não há produto cosmético livre de testes em animais…

    Mas a origem do problema é: Para quê utilizar cosméticos deste tipo?

    De resto com a quantidade de químicos nocivos e tóxicos que os compõem não admira que a nível de saúde o panorama seja assustador…
    Como aqui tentei demonstrar

    Abraços ;-)

    • De fato, realmente não há necessidade de usar-se a maioria dos cosméticos. Usa quem quer.

      De qualquer forma, cosméticos costumam ser considerados bastante seguros de acordo com as evidências científicas atuais.

      Abraço.

  50. Bem… quanto a isso que afirmas “costumam ser considerados bastante seguros de acordo com as evidências científicas actuais”, apenas te deixo esta pequena citação:

    “It is simply no longer possible to believe
    much of the clinical research that is published,
    or to rely on the judgment of trusted physicians
    or authoritative medical guidelines.
    I take no pleasure in this conclusion,
    which I reached slowly and reluctantly
    over my two decades as an editor of
    The New England Journal of Medicine”
    —— Marcia Angell
    ;-)

  51. Por momentos até pensei que não estava claro! Mas está na citação quem é o “alguém”! Mas deixo aqui por via das dúvidas! Marcia Angell foi editora no New England Journal of Medicine e a citação é do livro que escreveu no qual descreve o funcionamento da BIG PHARMA e dos Jornais Científicos!

    De resto há tanta coisa que não é uma evidência cientifica mas que nos é impingida como tal… Basta ler as letras minúsculas da propaganda que passa a correr nos anúncios comerciais nas televisões…

    Nunca fui grande utilizador de cosméticos, e de há uns anos para cá, praticamente ZERO de cosméticos de origem industrial…

    Continuação… :cool:

  52. Bom… Assim voltamos novamente ao início!!!!

    “De qualquer forma, cosméticos costumam ser considerados bastante seguros de acordo com as evidências científicas actuais.”

    E como vários estudos, não apenas o dela, e em várias áreas, não apenas a dos cosméticos, demonstram que os estudos, e o próprio sistema instalado (raros são os estudos realizados por entidades independentes, a grande maioria é a própria indústria que os executa, e não estou a ver a indústria afirmar que o seu produto onde investiram milhões ou mil milhões afinal não é seguro!) não é de confiança, é no mínimo insólito “acreditar” que os cosméticos são “considerados bastante seguros”… Mas cada um acredita naquilo que deseja, e logicamente apenas tem de acarretar com as consequências.

    Mas como andamos às voltas…. Mais vale parar, senão ainda ficamos enjoados!

    Abr ;-)

    • Mas muitos estudos também são independentes e bem conduzidos. Além disso, não é desejo da indústria cosmética matar pessoas. Pelo contrário, quanto mais pessoas no mundo, mais consumidores. Uma observação interessante é que mulheres, que em média usam muito mais cosméticos do que homens, também vivem mais do que homens, em média.

  53. Concordo Tatiane acho que é justamente esse tipo de pensamento que pode ajudar na mudança e não o conformismo que pelo contrario não leva ninguem a nada.

  54. 1- realmente, os testes em animais são necessários. tanto que a união europeia acabou de proibir testes em animais.
    acho que isso tem a ver com o índice de educação deles, não é mesmo? escolaridade alta. já aqui, o sistema educacional é uma porcaria, por isso tanta ignorância. mas já deu para ver que isso é uma tendência mundial.
    2- já existem sim alternativas eficientes a testes em animais. teste in vitro.
    3- testes em animais não são eficientes, porque nós somos de espécies diferentes. assim, nossos corpos funcionam de formas diferentes, portanto algo que seja prejudicial a um humano, pode não causar efeito nenhum em um rato, por exemplo. assim, esses testes não podem ser usados para dar certeza de que aquele produto não causará problemas em humanos.
    4- os veganos sabem que é impossível viver 100% sem a exploração animal. nosso objetivo é reduzir ao máximo nossa colaboração com esse horror. não faz sentido chamar de hipócrita um vegano só porque ele usa algum produto de origem animal. ele pode ter comprado aquele produto ANTES de virar vegano (e não jogou fora, porque isso seria um desrespeito com o animal que sofreu por aquilo), ou apenas pode não ter achado uma alternativa cruelty-free. nós não vamos parar de tomar banho, comer ou nos vestir se não encontrarmos alguma alternativa vegana. vamos tentar encontrar a alternativa menos cruel. isso não invalida nossos esforços para parar de contribuir com isso.
    Qualquer ajuda já é bem vinda. por exemplo, os ovo-lacto vegetarianos. claro, seria ideal se eles fossem veganos também, mas só o fato deles não comerem carne já ajuda nessa luta.
    5- você disse que eles dão anestesia nos animais para os testes. realmente, algumas empresas dão mesmo. mas você sabe se os produtos que você consome foram testados em animais COM anestesia? você sabe que empresas que fazem isso? porque não são todas, não. até porque, você esquece que quem faz esse trabalho são humanos. E muitas vezes, muitas mesmo, esses funcionários são cruéis com os animais. porque tiveram um dia ruim no trabalho, ou apenas porque acham divertido ver o outro sofrer, então fazem coisas horríveis com os animais. não tem como controlar quem que deu anestesia e quem não deu. então, o melhor é bloquear o máximo possível as empresas que testam.
    6- existe uma lista de empresas que testam em animais, e empresas que não testam. ela é séria, atualizada regularmente. as empresas que terceirizam testes não entram na lista das que não testam. quanto ao fato de as empresas cruelty-free usarem produtos que foram testados por outras empresas, que já se conhece os efeitos, não vejo problema. afinal, os testes in vitro são mais recentes, e poucos ingredientes já foram testados direto com esse método. então, não vejo porque não aproveitar o que já se conhece. você sugere então, o que? que se jogue fora todas as pesquisas que foram feitas em animais antigamente, quando não se conhecia outro método, e se comece tudo de novo? não faz sentido isso. desde que a empresa não teste novos produtos/ingredientes em animais, ou terceirize esses testes, pague para outro fazer, já é um grande avanço.

    • 1 – A Uniao Europeia não proibiu os testes em animais por completo. Não é bem assim. Eles proibiram a indústria cosmética de testar em animais, entre outras coisas. Mas também aprovaram o REACH. Leia sobre o REACH e o que isto tem a ver com o teste em animais.

      E realmente, você está certa. Testes em animais são necessários. Tanto que a Cosmetics Europe lançou comunicados esclarecendo que estas novas leis ignoram que a ciência ainda não conta com alternativas para TODOS os testes:

      https://cosmeticseurope.eu/news-a-events/news/490-press-statement-cosmetics-europe-regrets-european-union-decision-to-proceed-with-marketing-ban-science-gaps-not-respected.html

      Várias empresas europeias estão abrindo centros de pesquisas em outros países, onde há mais liberdade para testes em animais. Um exemplo é a L’oréal:

      http://www.a-star.edu.sg/?TabId=828&articleType=ArticleView&articleId=1759

      Isto não tem nada a ver com escolaridade. Canadá, Singapura, Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Austrália etc. permitem os testes e as pessoas destes países têm escolaridade meaior/melhor que a de muitos países europeus.

      Aliás, talvez tenha, sim: a lei foi aprovada por políticos que são praticamente analfabetos em ciência. Há um país europeu que já fez uma escolha errada em um passado bem recente: testar em judeus em vez de testar em animais…

      2 – Claro que existe. O texto comentou justamente isto. Você leu? Isto não quer dizer que existam alternativas para TODOS os testes necessários. Existem alternativas para muitos, mas não para todos. Se existem, cite quais são.

      3 – Sim, por isso que testes em animais são apenas um dos passos para avaliação de segurança e eficácia. Após os testes em aniamais, são feitos testes em seres humanos. Após a Segunda Mundial, no entanto, o mundou decidiu que seres humanos não poderiam ser feitos de cobaias. Logo, em praticamente todos os países do mundo não se pode fazer diversos testes em seres humanos antes de a segurança do que estiver sendo testado não for demonstrada em animais. O fato de animais não serem um modelo perfeito para prever o que ocorrerá em seres humanos, não significa, necessariamente, que há alternativas melhores.

      4 – Não me parece. Computador não costuma ser necessário para a sobrevivência. Mas há vegano que usa até mesmo para o lazer…

      5 – Se há alguma empresa que faz os animais sofrerem desnecessariamente, então esta empresa deve ser punida. Mas uma pessoa sádica poderá fazer maldade sem ou com a permissão de testes em animais. Faca pode ser usada para matar uma pessoa, a tua sugestão seria proibir o uso de faca, então?

      6 – Mais uma vez, você leu o texto?

  55. USAR ANIMAIS PARA FAZER TESTES DE PRODUTOS????? FALA SÉRIO!!!! Porque nao usar presidiários?????? Ou quem aprontou na vida??? Aniais são anjos, nao mecerem sser judiados, com certeza abosoluta! Não há no mundo teste que se queira fazer que justifique sacrifício animal, pelo amor de deus, vamos acordar pra vida, e cultivar a vida de inocentea!!!!!

  56. Acho muito esclarecedor o seu post, mas devo dizer que faltou um certo respeito ao se referir aos veganos como hipócritas. E acho que mesmo que se queira afirmar um argumento, o respeito a outras pessoas que pensam e agem de forma diferente é fundamental. Eu não como carne, nem latíciníos ou derivados e a cada dia eu tento melhorar mais como pessoa ao procurar alternativas menos cruéis.Não sou perfeita, nunca me coloquei como tal. Mas eu me sinto bem comigo mesma por fazer algo que ajude não só os animais como o planeta como um todo e a cada eu aprendo e evoluo um pouco mais. Creio que seja mais válido do que pessoas que não fazem absolutamente nada e ainda criticam os poucos que tentam fazer alguma coisa.

  57. Pedro, impressionante como um post, tão esclarecedor como este, tenha gerado tanta polêmica, dos veganos. Não o leram todo, com atenção, e continuam querendo um mundo irreal. A nutrição, como outros campos da ciência, é feita de estudos novos que condenam ou recomendam alimentos e dietas. Há, também,trabalhos sérios que indicam curas pela retirada ou redução drastica dos cereais na alimentação. Portanto, ser vegano, vegetariano ou onívoro, deveria ser algo pessoal, tendo em vista organismos que reagem diferente aos alimentos, bem como a genética de cada um. E , você é, mesmo, muito paciente. Obrigada pelo post, que me tirou muitas dúvidas. Abraco.

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