Um dos produtos mais tradicionais que há no mundo é o Creme Nivea. É um creme altamente hidratante, denso, concentrado, que contém dois dos melhores ingredientes que existem para combater o ressecamento da pele: petrolato e glicerina. Pessoalmente, acho fantástico para pele muito seca. Poucos produtos hidratam também quanto o tradicional Creme Nivea. Em 1911, quando foi lançado, sua embalagem era amarela:

Crédito da imagem: Nivea.
Foi desenvolvido pelo químico alemão Isaac Lifschütz, sendo revolucionário para a sua época, já que era uma mistura de água e óleo (até então, os produtos costumavam conter apenas óleo). A Beiersdorf (empresa a qual a Nivea pertence) comprou a fórmula desenvolvida pelo químico citado e chamou o creme de Nivea, já que Nivea, em latim, significa branco como a neve; isto é, a mesma aparência do creme. Hoje, ele é vendido no mundo inteiro e é conhecido e usado por quase todo mundo: do pobre ao rico.
De lá para cá, as embalagens mudaram bastante:

Crédito da imagem: Nivea.
A empresa já enfretou por inúmeras crises e problemas bastante sérios. Um deles foi fórmula do Creme Nivea ter sido roubada pelos russos – durante a II Guerra Mundial. Mas como é uma empresa honesta, administrada com seriedade, que se atualiza e vende produtos bons, o Creme Nivea resistiu a tudo e está aí até hoje, vendendo milhões de unidades!
Mas por que estou comentando sobre uma empresa alemã, já que meu blog é sobre produtos asiáticos? Por dois motivos:
1 – No Japão, a Nivea não é feita Beiersdorf, e sim pela japonesa Kao Corporation (sim, a mesma fabricante de Bioré, Sofina, Kanebo, John Frieda etc., etc., etc.);
2 – Porque há pequenas diferenças em relação ao Creme Nivea ao redor do mundo. E meu preferido é o japonês. (Nem Big Mac é igual no mundo inteiro. O americano, por exemplo, tem mais calorias do que o brasileiro).
Explicando por que meu preferido é o japonês…
Vamos alisar a fórmula vendida nos Estados Unidos (produzido no México e, se não engano, também é a fórmula vendida no Brasil):
Water (Triple Purified), Mineral Oil (Paraffinum Liquidum), Petrolatum, Glycerin, Isohexadecane, Microcrystalline Wax, Lanolin Alcohol, Beeswax (Apis Mellifera), Panthenol, Magnesium Sulfate, Decyl Oleate, Octyldodecanol, Aluminum Stearate, Fragrance (Parfum), Methylchloroisothiazolinone, Methylisothiazolinone, Citric Acid, Magnesium Stearate.
É por que o produto é produzido no México que eu não gosto da versão vendida nos Estados Unidos? Claro que não! Conheço americanos que não bebem cerveja produzida no México por temer que, para se vingar das políticas imigratórias dos EUA, os trabalhadores mexicanos façam xixi dentro da cerveja que eles exportam para os EUA. (É sério, não é piada. Conheço americano que realmente têm medo disso). hahahaha
É porque contém Methylchloroisothiazolinone e Methylisothiazolinone. Esses dois consevantes foram criados na década de 70 e existe alguma evidência de que eles têm um potencial para sensibilizar a pele, dependendo da concentração usada.
“(…) Reactions to formaldehyde and formaldehyde-releasers were most often correlated with body-cleansing products, particularly 2-bromo-2-nitropropane-1,3-diol and skin care products. They were followed by the methylchloroisothiazolinone/methylisothiazolinone mixture, most frequently found as allergens in hair care and intimate hygiene products, and facial cleansers (in the last category together with diazolidinyl urea).(…)”
Referência: Contact Dermatitis, November 2011, pages 276-285.
Não me interpretem mal, não há motivos fortes para temer estes dois conservantes. Inclusive meu amigo Colin, formulador de cosméticos com grande experiência na área, escreveu um post com uma visão positiva sobre estes conservantes: aqui. Milhares e milhares de americanos, brasileiros etc. compram a versão com estes dois consevantes e a empresa nunca precisou retirá-los. O que indica que é mínima a quantidade de pessoas que apresentaram algum problema por usar o produto.
Porém, como tenho pele extremamente sensível, prefiro evitar tudo o que tenha algum potencial relativamente alto – pelo menos dentro do que pessoalmente considero “relativamente alto” – para sensibilizar a pele. Logo, nunca nem experimentei a versão vendida nos Estados Unidos e Brasil. Até uso produtos contendo Methylchloroisothiazolinone/Methylisothiazolinone, mas só os que são enxaguados.
Agora vamos analisar a versão alemã (não é vendida na Europa toda, é mais na Alemanha – dentro da própria União Europeia há versões diferentes,):
Aqua, Paraffinum liquidum, Paraffin, Parfum, Panthenol, Citric Acid, Octyldodecanol, Glycerin, Magnesium Sulfate, Magnesium Stearate, Cera Microcristallina, Decyl Oleate, Aluminum Stearate, Benzyl Benzoate, Citronellol, Linalool, Lanolin Alcohol (Eucerit®), Limonene, Geraniol, Cinnamyl Alcohol, Hydroxycitronellal
Não contém os conservantes citados anteriormente, mas parece ser muito perfumado. Há vários ingredientes que são usados para perfumar o produto: Citronellol, Limonene, Geraniol etc. Quando estes ingredientes estão sendo usados em uma concentração maior do que X, as empresas, na maioria dos países, são obrigadas a citá-los. E não simplesmente escrever que o produto contém perfume. Isso ocorre em virtude de que eles têm um potencial relativamente alto para causar alergias. Logo, também prefiro evitar a versão alemã.
Se alguém quiser ler mais sobre o assunto, aqui.
A versão japonesa, finalmente (fonte: Rekuten):
Water, Mineral Oil, Petrolatum, Glycerin, Hydrogenated Polysobutene, Cyclomethicone, Microcrystallin Wax, Lanoline Alcohol, Paraffin, Squalane, Jojoba Oil, Decyl Oleate, Octyldodecanol, Aluminum Distearate , Magnesium Stearate, Magnesium Sulfate, Citric Acid, Sodium Benzoate, Fragrance.
A versão japonesa não contém Methylchloroisothiazolinone/ Methylisothiazolinone. No lugar, contém Sodium Benzoate, um conservante tão seguro que o FDA permite que seja usado até em alimentos.
Aparentemente, também quase não contém perfume – principamente quando comparando ao alemão.
Por fim, mais um ponto posivitivo: contém cyclomethicone. Cyclomethicone é um silicone volátil (evapora, assim, como por exemplo, a água) que faz com que o produto espalhe muito melhor e proporcione um toque naus agradável, menos oleoso e mais “silky”. Quem já usou o Creme Nivea vendido aqui sabe como ele é difícil de ser espalhado… O japonês espalha um pouco melhor.
Conclusão: quem usa a versão brasileira ou a de qualquer lugar e gosta, não há nenhum motivo racional para deixar de usar. Pessoalmente, porém, pelos motivos apontados, prefiro a versão japonesa.
Onde comprar (a versão japonesa): Rekuten. A Rekuten cobra frete – e é meio caro. Portanto não compraria apenas o produto, que é barato. Mas se você já vai comprar mais coisas…
Referências para quem quer saber mais sobre a história da Nivea:
http://www.nivea.com.br/Experiencia/100years
http://g1.globo.com/videos/globo-news/mundo-sa/v/nivea-completa-cem-anos-e-quer-conquistar-a-geracao-digital/1613138/